segunda-feira, junho 19, 2006

Suicídios, sábados, cigarros e flores selvagens.

Minha casa no sábado parece um hotel desabitado. Cláudia grita pelos corredores e pede atenção. O som toma conta da casa-hotel. Bebo cervejas e fumo cigarros. Não assisto filmes há anos: quero ouvir o telefone tocar, quero fazer sexo por dias com essa garota azul. Hoje ela está de rosa. As flores selvagens tem que cor hoje? Não assisto tv a cores, não vejo nada colorido. Mas ela ama o rosa e eu o azul. Hoje sem conclusões geniais por favor, quero continuidade, quero ver a cor dos olhos.

Beber, fumar, receber telefonemas, ouvir sirenes de bombeiros. Não encontro as letras certas na máquina de escrever, mas sou persistente. Cláudia, você está longe? Me canta uma canção qualquer, hoje tem cadernos de cinema? Vou ligar pra sua mãe e dizer as coisas que não tenho coragem. E as meninas que passam pela Catarina 128? Você tem ciúmes?

Você sente ódio? Grita? Chora? A Macumba não consegue transformar Cláudia. A serra me faz vomitar aos sábados. Hoje é maio de 2005 e eu estava com saudade dos seus gritos aos sábados, do seu ódio aos sábados. Vou andar no sereno da serra, vou te levar para o gramado da casa e trepar como nunca. Beijar os seios mais bonitos, amar a mulher mais bonita.

Hoje você me disse coisas que não diria a ninguém, hoje você disse que me ama sem empregadas, sem dinheiro. Senti vontade de chorar. Vai me amar até quando? Até quando durar a palavra amor? Acho que vou me matar hoje Cláudia, acho que o seu amor não vai durar pra sempre, vou me matar. Lá fora começaram os primeiros pingos, vamos fazer amor?

Você morre comigo? Claro que não, nem pense nisso. Raduan Nassar nem escreve mais. O que eu estou dizendo aqui meu Deus? Deus é químico? Deus trepa? Escreve as minhas cartas? As minhas canções? Deus tem pena?

Cláudia, o telefone ainda não tocou, são 02:48 e nada. Já consigo escrever as palavras aos poucos. Quem viveria em Teresópolis a essa altura? Quem te traria até aqui com essa sorte? Por que você veio? Por que está aqui até hoje? Eu sou um louco. Até o fim dessa história certamente me matarei? Te matarei? Matarei alguém? Se soubesse diria.

O disco acabou e ainda não sei a resposta, é um fluxo. Flores selvagens? Imploro o seu carinho cada dia mais, imploro a sua saudade. Vou parar antes que a loucura domine estas cartas. Antes que as cartas me dominem, dominem a bebida, os cigarros, o silêncio, o suicídio e as flores selvagens.

Ódio, como se escreve? Tudo mudou em 7 dias, o mundo mudou em poucas horas. Mas aqui na serra pouca coisa mudou em 2 anos, só algumas canções. Eu juro que tento ser forte, mas a disciplina falta. Raduan me salva! Me conta o segredo, por favor. Japonesas povoam o mundo, o suicídio e o meu pensamento. Mas Cláudia domina o meu coração.

Bebo, fumo cigarros, choro no chão por Cláudia, mas um dia o mundo muda, as canções mudam, existe vida além da química? Existe química? Não me leve a sério Cláudia, só estou bêbado.

Ela tem a cor da paixão nos lábios, e o meu coração desde aquele bilhete que ignorou. Você lembra do bilhete? Claro que lembra. Hoje disse o que não diz a ninguém. Mas até quando vai suportar isso?

Até quando vai me suportar? Com as minhas derrotas e meus erros? Você é a filha mais bem-nascida, a segunda filha da minha vida. Você não sabe o que é amar o quanto eu te amo.

Mas também não vai importar muito. Se amanhã eu acordar melhor, vamos nos amar com lágrimas nos olhos, acho que é o mínimo.

sábado, junho 17, 2006

Diálogos com Gil e Gilson (Cosme e Damião)

- Ah...Você são gêmeos né?

- Somos sim. riririri

- Pois é. Imaginava.

- Como é o nome mesmo da cidade de vocês?

- Bananeiras.

- Você conhece João Pessoa?

- Não.. eu só fui a Natal.

- Natal é bonito né?

- É sim. Muito...

- E da copa? Estão gostando?

- Não. A gente não liga muito.

- O Gil gosta do Flamengo... mas eu não gosto de futebol.

- Ah... o Gil é Flamenguista então?

- Sou sim. Mas é mais pela camisa... eu acho bonita, mas não ligo muito pra futebol não.

- Agora tem eleição depois da copa né?

- Tem, tem sim.

- Eu vou votar no Lula.

- Por que?

- Ah... porque sim. Quem é o outro? Alck...

- Alckmin.

- Ele é bom?

- É... é bom sim.

- Qual o partido dele?

- PSDB.

- Ah...sei lá... talvez eu vote no tucano.

- Então... o tucano é do PSDB: o Alckmin.

- Ah tá.

- Na verdade, acho que vou votar no mais bonito. Quem aparecer aí na televisão rindo... e me parecer mais legal, eu vou votar. Se o cara vem e aperta a minha mão então... nossa...voto na hora!!!

- É Gil...vou te falar que entendo isso.

:: pra entender: http://chelseanights.blogspot.com/2006/03/cosme-e-damio-ou-gil-e-gilson.html

terça-feira, junho 13, 2006

These Foolish Things, Bela...

Ela leu isso aqui alguma vez mais? Ela sabe que aquela blusinha da foto é a coisa mais linda? Ela sabe que sou só uma página ainda pouco rabiscada? Acho que isso ela sabe sim. Acho que ela sabe até demais.

Parece até que é Paris. Parece até que é Chet Baker. Parece até que é Marlboro, janela e cool jazz baixinho às 02:53. Mas talvez seja só 2% de um romance, 5% de um disco ou 0,2% de um casal. E aquele sorriso que não sai da cabeça? Só me ensina o que eu faço com ele. Seria bom demais saber.

Acho que é feliz no sentindo mais restrito ou talvez no mais óbvio. Claro meu caro, que é possível esse romance todo de cinema americano old school, mas só ali: pele na pele, boca na boca. Amanhã ela tem aula cedinho?

Tem é medo. Tem é muito medo. Do psicopata maior, do homem mau que amou algumas poucas, que fez sorrir aquelas que não sabiam que o preço disso tudo seria chorar demais depois. Ela tem medo. Ela ficou é assustada. Assustada com o bom tom das frases dele. Com a coragem de quem enlouqueceu só com aquele sorriso de atriz de qualquer filme europeu.

Você me diz agora: Que merda de olhar é esse? Que bosta de sonho é esse que eu tenho só de olhar? Te levaria para passear pela cidade de São Paulo. Só que agora por favor me diga: Eu lá tenho cara de psicopata? Até escrevo um breve currículo do não-psicopata que sou:

24 anos. 3 amores. Uma faculdade de direito abortada. Outra de Comunicação cagada pelas pernas, umas musiquinhas aí de mentira, umas mentirinhas aí de plástico. Dizem até que tenho talento. Ainda não descobri pra que se tem isso e muito menos se utilizo para algo que alguém pague em dinheiro.

Mas olha, eu fui o melhor aluno até a quarta série.

segunda-feira, junho 12, 2006

Diálogos de elevador

- Tudo bem?

- Tudo. Tudo bem...

- Indo para o nono.

- Não tem problema, vou com você até lá e desço depois.

- O que é isso aí? Um violão?

- Não. É um contrabaixo.

- Deve ter custado caro isso aí né? Um CONTRABAIXO...

- Mais ou menos... não é tão caro assim...

- Eu arrumei meu CD... é... eu arrumei meu aparelho de CD!!!

- Ah... legal....

- Deus te ouça que meu aparelho de CD fique bom...

sábado, junho 10, 2006

Só o agora

Realmente preciso falar de urgência nas músicas. Acho que ainda não caiu a ficha pra ninguém que o presente fala mais alto nos nossos dias, e fala da forma mais bonita e violenta possível.

Não sei ainda como fazer isso. Mas sei exatamente que é isso que tenho que fazer.

Então aguardem muita violência verbal e urgência vindo aí...

domingo, junho 04, 2006

Leblon - Botafogo

Quando você entrou no ônibus ainda era Leblon. Não muito antes das 00:00 olhou para o gesto mecânico do trocador enquanto guardava as moedas que sobraram. Era o único passageiro.

Depois de alguns segundos de vento frio na janela, a loja de sucos informa ser Ipanema. Logo no primeiro ponto sobe a tal fotógrafa que te olha sempre com desejo. Só que hoje não, o encontro totalmente ao acaso e o vazio dos assentos fizeram a mulher de cabelos negros desviar o olhar de sua presença.
Ela atravessa veloz o corredor e se acomoda fora do raio de visão.

Você até ensaia pensamentos de coragem, mas era tarde pra qualquer coisa do tipo. Imagina ser zona norte o destino por achar exótico um futuro sexo, um futuro casal com uma história de pseudo-intelectuais alternativos. Mas você não tem nem certeza da opção sexual de lady fotógrafa, muito menos cara-de-pau para tentar qualquer conversa fiada. A cada ponto olha de lado quem passa pela janela.

Seria Copacabana? Clichê hein fotógrafa? Você pensa enquanto mente ter coragem de descer junto e falar um: "Vem aqui." Esse bairro é enorme e são tantos os pontos. Na travessia Bairro Peixoto-Botafogo para coroar o estranho da noite, o dono de gravadora independente (agora barbudo) paga a passagem da namorada e senta evitando qualquer certeza de reconhecimento.

São João Batista. Algumas paradas mais e pronto: Ela com a mochila nas costas desce justamente no ponto anterior ao seu. Vocês sabem que aquele papo de romance e blábláblá vai acontecer. Não a essa hora da noite, não sem antes uma história dessas pra martelar a cabeça por algumas semanas.

As ruas de Botafogo ficam estranhas, tão frias quanto essa madrugada.

Ela mora perto.

Olha, ela mora tão perto.

terça-feira, maio 30, 2006

Come pick me up

Minha menina tem um sorriso lindo. Fala baixinho quando deve e faz sorriso quando dá vontade. As vezes deixa grandes pausas de silêncio só por prazer, que eu sei. Me escreve micro textinhos da nova forma genial que descobriu. Telefona quando peço e me convence que faz o que eu quero quando ela faz o que quer. Essa é a minha menina. Uma mistura carioca de Audrey Hepburn e Simone de Beauvoir.

Eu faço a casa e você desenha os sonhos? Eu escrevo as cartas e você passa o café? Minha senhorita dândi conhece pouco desse mundo mas já domina com sabor de senhora os espaços que deixo entreabertos. Sorri e fala com paixão de carne as minhas frases vertidas para o inglês. Eu não digo é claro, mas ela aprende muito rápido. Este homem feito vira qualquer coisa doce só para alegrar a menina que não pode sair da cama.

Quer que eu conte uma história? É só dizer baixinho que ficou triste.

Hoje escolhemos nomes e cães. Micro partículas do que é um paraíso a dois. Ela não imagina ainda que todas as revoluções pessoais começam assim. E olha meu amigo, não existe nada mais bonito nesse mundo que assistir a isso. Enquanto ela diz "eu quero..." só consigo pensar em discos de vinil pra colorir de prazer os nossos sonhos. Pode ser 'Crazy Love' para um colchão no chão? Ou vamos começar de 'London Calling'?

O meu papel nesse teatro de sombras é só dizer: Meu amor, tudo que a gente passou até aqui é parte disso. Eu tinha que aprender um pouquinho, você tinha que aprender um pouquinho. Receber rosas de paixão, sonhar com olhos de paixão. Esquece o que te disseram até aqui.

Todos, absolutamente, estavam errados.

Vou viajar mas o mundo novo já é nosso. Serão filmes, livros, discos, dias fazendo algum sentido como hoje quando você desligou o telefone. Sou muito mais do que você pensa. Sou o seu menino também. Esquece qualquer verdade ou qualquer passado. Pode rir de qualquer lembrança.

Vê se corre logo pra cá e me beija com gosto de minha mulher.

segunda-feira, maio 29, 2006

Funziona Senza Vapore


Noite de completo frio - Barraquinha de biscoitos e doces -
Praia de Botafogo.

- Nossa. Você é a cara do camarada do Engenheiros!

- É né?

- Muito. Sempre me dizem que eu pareço o Renato. Renato Russo...

- Rapaz. Parece mesmo.

- Sempre te dizem isso também? Do cara do Engenheiros?

- Dizem sim.

- Vamo fazer uma banda cover então!

- Rárárá. Mulher que é bom mesmo, nunca me acha parecido.

- Mas tá bom também.

- Sempre me dizem isso... que eu pareço o Renato. Renato Russo...

- É engraçado isso comigo também.

- Mas ele tá de volta aí, com um trabalho acústico, muito bom.

- Viu esse acústico aí?

- Do cara do Engenheiros? É bom mesmo?

- É sim.

- Nossa. Você parece muito com ele!

- Até fiquei na dúvida...

quarta-feira, maio 24, 2006

Aquela vida inteira

— Me conta. Como foi lá? Ela dizia já sem aquela animação dos telefonemas, uma voz de meio tom abaixo.

— Foi legal. Você sabe como é. E eu só pensava em abraçar forte e ter certeza que tudo mudaria ali.

— Você não vai jantar? A comida aqui é tão gostosa. Vai... vamos dividir alguma coisa...

— Não. Estou realmente sem fome. Por que eu já sabia que o encontro seria assim? Durante toda a viagem quis me convencer de que estava errado. Ela ligou. Disse que precisa, que não entende, que faz falta. Caminhamos duas quadras cantando juntos o que parecia ser a nossa canção. Abraçados esquecemos o frio e as pessoas. Gritamos cada palavra mais alto, cada nota mais alto. Ao me despedir senti que não poderia deixar as coisas assim, sem ponto final. Ela deu um passo sem perceber e me olhou nos olhos.

— Ahhh... não vou conseguir ir embora assim. Posso te beijar?

— Pode. Com timbre de talvez, com som de eu queria, eu quero, não sei.

O beijo foi longo e os ruídos da noite foram a trilha dos pensamentos, das perguntas e do carinho de dois mundos tão distantes naquela chuva fina.

O casal que a vida mais amou, escolhido pela chuva, pela canção e pela distância, morreu quando aquele beijo acabou.

E depois tudo se desfez em um silêncio eterno.

E ninguém mais dormiu em paz naquela rua.

quinta-feira, maio 18, 2006

Walking

O som está alto na sala. A senhora do outro lado da janela passa as roupas com certa delicadeza. Olhando todos os prédios só consigo pensar na dificuldade de mudar hábitos tão antigos que acabam sendo parte do que fui até aqui. A espera de resposta me fez entender bem o que pensa quem está no corredor da morte.

Hoje não li o jornal. Os discos estão um pouco chatos, a velocidade atormenta demais aos ansiosos. Por um momento sinto poder tocar o abismo e não entender sentido algum. Nessa hora escuto um trompete perdido gritando frases sem melodia, frases a esmo. Quem joga uma garrafa ao mar espera resposta?

Não conheço o mundo do lado de lá, só imagino. Vejo gestos leves, imagens de afeto, carinho. Ainda é o mundo de lá. Longe demais da realidade daqui. Penso em pontes. Alguém poderia mostrar uma ponte, um avião, uma forma de comunicação qualquer com a outra metade do sonho?

A carta escrita "Sol" disse prever um encontro. Águas de hemisférios totalmente diferentes formariam o desenho do mar? Talvez ela passe por aqui apressada querendo um beijo de saudade.

Hoje escrevi uma nova canção e ela me disse: Esperança.

terça-feira, maio 16, 2006

Diálogos em AM


1280 KHz:

- Então a senhora já pode deixar o telefone para quem estiver interessado e de coração aberto em todo Brasil...

1400 KHz:

- Sua generosidade chamará a bondade alheia em seu socorro!!!

620 KHz:

- Em Brasília dezenove horas. Você está ouvindo...

1520 KHz:

- Que o satanás deixe esse corpo em nome da glória e do espírito...

750 KHz:

- O time do Inter não pode ficar jogando assim no campo do adversário. O Abel não viu ainda...

1110 KHz:

- "Rimas fáceis, calafrios, fura o dedo e faz um pacto comigo..."

quinta-feira, maio 11, 2006

Inverno em Isabela


"talvez não fosse, se fosse mais doce...quem sabe"

Ela é a frase de efeito. O sonho da noite passada. Na hora parecia real, uma vitória de vida real. Lembro de sonhar e sentir a felicidade daquele momento em que acreditei ter certeza de não ser um sonho. Ela sorria exatamente com aquela roupa. A blusa era linda mas o sorriso era mais. Sorriso de fotografia.

Não sei onde mora, duvido de quem anda, esqueço o sobrenome. Pergunto as horas? Compro um disco? Conto uma história? A cada novidade digo o seu nome quando chamo de amor. Vejo na rua, na cama, nas poltronas do Municipal. Faço Terapia? O sol da manhã queimaria melhor. O cigarro na janela seria um samba de trilha sonora.

Quero ser amigo dos amigos. O pai dos filhos. Vejo endereços? Tento telefones? Impaciência no redial. A mesma canção por horas. Talvez nunca chegasse ao fim. Um café aqui na frente. Troquei na letra "Marieta" por "Isabela". Pensei o que inventaria nos finais de semana. A guitarra faria mais sentido, as pessoas fariam muito mais sentido. Escrevo uma carta?

19 e 24. Urca. Carro. Trabalho. Roupas coloridas. Lencóis. Discos. Violão. Sacolas de supermercado. Manteiga. Almoço. Sonhos velhos, calor de Janeiro. Filme de sábado. A mãe ligando. Roupas no varal. Nada de muito novo. Nada de novo.

Fumo outro cigarro?

Quanto antes melhor. Buenos Aires com violinos de segunda fileira. Tédio e garoa fina de maio. Why does it always rain on me? Ela canta um pedaçinho pra passar o tempo. Pensa que talvez seja só pouco tempo. Tento dormir mais cedo? Tudo é só sonho. Não existe lá, só aqui. Ou até existe e ela não acredita. Não sabe talvez.

Queria te contar as horas. Queria voltar pra casa de um dia cansado. De uma sexta-feira de tempo contado. Mostrar as frases bonitas nas passagens de acordes dissonantes. Comprar o pão de qualquer feriado. Jantar o vinho de qualquer quinta-feira igual. Testo a paciência?

Grito o nome? Invento mentiras?

Talvez não seja suficiente.

sábado, maio 06, 2006

05:00 ou Urgência


"Eu não quero ser viável. Essa bandeira não é minha, mas acho que sou viável. Não preciso de porra nenhuma que eu não tenha - minha urgência é muito maior que a minha carência."

"Muita gente fica discutindo a vida como se fosse uma coisa passível de discussão. Como se a doença que se pega fosse passível de discussão. Como se o fim de semana que chega fosse passível de discussão."

segunda-feira, maio 01, 2006

Mensagens Instantâneas


Manoel diz:
eu quero ter feito uns 10 discos
Manoel diz:
escrito uns 30 livros
Manoel diz:
viajado uns 60 países
Manoel diz:
ter sido casado por 80 anos
Manoel diz:
tido 2 filhos
Manoel diz:
disputado algum esporte
Manoel diz:
que seria impossível
Manoel diz:
pra alguém não profissional
Manoel diz:
escrito coluna em jornal
Manoel diz:
quem sabe até ter sido deputado federal
Manoel diz:
depois disso tudo
Manoel diz:
e mais um monte de outras coisas
Manoel diz:
eu posso ir
Manoel diz:
sem perder a ternura, é claro.

quinta-feira, abril 27, 2006

Supermercados da vida


Alto-falantes: "Abismo que cavaste com teus pés..."

Ele: Melhor hora pra vir ao supermercado!

Eu: .......

Ele: É. Final de expediente.

Eu: Mas fecha às 22:00.

Ele: Mas não era às 20:00?

Eu: Não sei.

Ele: Eu lembro. Era às 20:00. Agora fecha às 22:00?

Eu: Fecha.

Ele: rárárárárárá

Eu: .... (olhando pra qualquer lugar)

Ele: Levando umas besteiras. Não dá nem 5 reais.

Eu: ..........

Ele: Pra comemorar o meu final de aniversário.

Eu: ..........

Ele: Agora eu não conto anos a mais. Passei a contar anos a menos.

Ele: rárárárárárá

Eu: Pois é.

Eu: ........

terça-feira, abril 25, 2006

compacto simples - 78 rotações


Linda
Compositores: (Clower Curtis e Manoel Magalhães)

Como vai?
Talvez você hoje entenda
o que eu quis dizer.
Não vamos brigar por
motivos banais,
problemas normais,
entenda o que eu posso te dar:
um sonho sempre igual.
A vida real é tudo que eu sei cantar.

Assim
talvez mentindo
eu pareça um cantor de blues
dizendo baixinho no ouvido
o refrão da velha canção
que canto sempre quando quero voltar
e recomeçar...

Linda
nada vai mudar nós dois
mesmo sem canção
depois a gente pode dançar

Entenda
que um pouco da minha vida
fica em cada despedida
nada dói mais que te ver chorar

E assim
talvez dormindo
você ouça eu cantar o tango
que fiz partindo
mas não se preocupe que vou voltar
com o mundo nas mãos
e rosas vermelhas para te dar
quando a nossa canção tocar...

Linda
nada vai mudar nós dois
mesmo sem refrão
depois a gente pode cantar

Entenda
que em cada despedida
fica um pouco da minha vida
nada dói mais que te ver chorar

Assimmmmmmm....

domingo, abril 23, 2006

de publicidade e vícios

O mundo é uma soma doente dos dois. A menina do vestido bonito. O garoto do nariz redondo. O cigarro, a cerveja, a cocaína. A música pop, o samba, as putas.
De publicidade a vícios.

Você quer a melhor música, a melhor mulher, o maior dinheiro. E talvez até faça sentido, de alguma forma é claro. A maioria das pessoas come merda. Só que merda não só alimenta como dá prazer. Publicitário ou não.

95% do Jornalismo pode ser inútil e é. 95% da Política pode ser útil e é.
Os dois têm um que de vício, Publicitário é claro.

Quem vai ao Teatro? Eu não conheço quem paga aquele monte de notas de 1 real pra ir assistir a Orquestra Sinfônica Petrobrás. A música erudita ganhou um que de revolução na publicidade, viciante é claro.

É natural que o tempo não deixe pensar, muito menos o trabalho. Esse sim: não pode ter nada de vício nem publicidade, mas talvez seja o filho da soma dos dois. O filho gordo, com olheiras, que trepa quando dá e viaja nas férias.

Some e adicione a isso: Sexo, preconceito, depressão, irritação, chefes, humilhados, aproveitadores e aquela pessoa que você conhece que goza quando é aproveitada.

Isso eu não entendo ainda: come caro, veste mal e caro, viaja caro, é gorda caro, inculta caro, triste e infeliz. Não por pagar caro, mas por só encontrar o prazer onde entende como dor. Tem gente que chora quando dói. Mas é melhor doer do que o tédio de não sentir nada.

É... queridos...

Se não existe vida após a morte, estamos vivendo de publicidade e vícios.

quarta-feira, abril 19, 2006

diversões no interior

Acompanho com curiosidade a evolução das "formas de entretenimento noturno jovem" na minha querida cidade: Itaperuna, interior do estado do Rio de Janeiro.

Comecei a tentar entender como tudo funcionava quando as pessoas resolveram que o melhor lugar pra se encontrar, beber e conversar era um posto de gasolina da Texaco. Realmente uma coisa impressionante: Todos bebendo e fumando por entre as bombas de gasolina e óleo diesel. Junto com alguns amigos até registrei esse momento histórico em vídeo. Tomara que essas fitas ainda existam.

Depois do posto da Texaco, resolveram que o legal era um Campo de Futebol Society. Um lugar que um bicheiro transformou de mato em 'campo de peladas de final de semana com boteco do lado'. As pessoas colocavam suas melhores roupas no final de semana e se encontravam lá. Tudo isso ao som de um camaradinha com um teclado provavelmente da Casio. Beira o inacreditável, mas espere: ainda piora!

Nesse feriado descobri pessoalmente a boa da vez: Um bar na beira da estrada, sendo que o mais importante é: do ladinho do cemitério. Não duvido nada se o próximo passo não é o próprio cemitério. Agora é um misto medonho de boate e bar, com música de qualidade duvidosa, tudo isso na companhia das almas penadas. Não aguentei trinta minutos no tal lugar.

Dessa vez desisti completamente de encontrar algum sentido.

O pior é que falando assim, parece brincadeira.

Mas não é, vai até lá e vê.

quarta-feira, abril 12, 2006

Volta pra casa então

Manoel voltou pra casa até dia 17/04. Obrigado pela atenção.

segunda-feira, abril 10, 2006

Suzane Richthofen

Sempre tive fascínio por esses casos de loucura-psicose-pop. Por irresponsabilidades infantis que acabam gerando casos policiais históricos. As pessoas que cometem esses crimes acreditam cegamente que a possibilidade de alguém descobrir a verdade não é tão grande assim, acho que talvez por superestimar sua inteligência.

Nunca um caso desse ficou por tanto tempo na minha cabeça como o de Suzane Richthofen e dos irmãos Cravinhos. Tenho um interesse absurdo nos três personagens: Suzane - Menina bonita, rica, estudante de Direito. Daniel - O típico namorado que uma menina rica rebelde costuma ter. Chirstian - A grande questão da história: Fez por amor ao irmão, por dinheiro ou por ambos?

Li nessa última semana que Suzane (como uma estratégia de sua defesa) daria entrevista ao Fantástico. A intenção de seu advogado é a de mudar a visão da opinião pública em relação a ela (uma vez que o crime irá a jure) e jogar a culpa para os irmãos Cravinhos.

Não assisti a entrevista ainda, mas no jornal O Globo de hoje uma matéria esclarece que a estratégia foi exagerada, chegando a ponto da equipe do programa gravar em off ordens do advogado como: "Chora!". Todo um clima bizarro foi criado para caracterizar que Suzane era obrigada por Daniel a se drogar e cometer loucuras como foi o assassinato de seus pais.

Além disso outros dois processos correm na justiça: O da família da mãe de Suzane junto com seu irmão Andres pleiteando que ela seja deserdada. E um processo de Suzane com a intenção de assumir os bens de seus pais alegando "descaso" e "irresponsabilidade" por parte do irmão na administração da herança.

Por tudo que li e asssti sobre o caso, acho que Suzane planejou tudo. A idéia provavelmente partiu dela. Mas diante de toda a complexidade e relevância da história em si, isso acaba importando menos. Tenho certeza que passado o julgamento a minha vontade de entrevistar Suzane na prisão só irá crescer.

Até o fim da vida, escrevo essa história.