quarta-feira, novembro 30, 2011

le récit de la journée

ela cantava com o toca-fitas.


sei
o tempo errou
me derrubou
me consumiu
me deixou surdo. 


e o que ficou na ausência de futuro?


não sabia da premonição. não sabia de nada porque no dia em que se vive alguma coisa séria ninguém pensa na vida. as ruas do outro lado da cidade estavam vazias, os poucos bares pareciam gélidos, era uma sexta-feira que não aconteceria em qualquer outro lugar do mundo. ela ria. achando quase tudo inteligente. ele não fumava, ela dirigia.

- onde vamos agora?

- não sei, tá tudo fechado.

- a gente pode ficar só rodando e ouvindo música.

- nunca vi a metade dessas ruas, sabia?

- nem eu, mas tá legal.

pararam na margem do rio, ele bebia e a espiava um pouco, coisa de olhar rápido enquanto desatava algum assunto bobo. ela, do nada, andou até um bico de luz, abaixou-se e mijou no chão. parecia louca de tanto que ria voltando correndo da casinha abandonada.

- que foi isso? tá maluca?

- queria ir ao banheiro, ué. aqui não tinha.

ainda rindo por achar engraçada a situação, mas também por vê-lo desacreditar de tudo aquilo. beberam mais um pouco, ela contou uma história da mãe, outra do pai e ainda outra dos dois juntos. ele lembrou de um fita que faltava ouvir e voltaram ao carro. só duas ruas até as amendoeiras onde estacionaram definitivamente. ficaram no carro.

- sabe que eu falei de você para a cristina?

- que cristina? aquela sua amiga?

- é sim.

- falou o que?

- que gosto de você.

- você gosta de mim?

- gosto.


se eu pudesse te ver sem derreter

não iria haver 
adeus.


continuou a girar no toca-fitas.

segunda-feira, novembro 28, 2011

seis anos

hotel chelsea nights.

desde 2005 cheio de vida e espaços para colorir.

sexta-feira, novembro 25, 2011

nunca é nada #2

- alô.

- sou eu, tive que te ligar, fiquei com muito medo agora. o que a gente faz? será que vai dar certo?

- calma, hoje foi ótimo, tenho certeza que vamos acabar na islândia.

- você me leva pra islândia? jura?

- levo, prometo.

- tudo bem, me liga amanhã?

- ligo, assim que acordar.

quarta-feira, novembro 23, 2011

nunca é nada #1

- conversei com o rafael hoje, eu nem sou amiga dele, você sabe, mas disse que não consigo aguentar essa história da sua viagem no final de semana, que não sei o que faço...

- onde você está?

- no trabalho, não aguentei, tive que te ligar daqui pra falar isso. você volta pra mim?

- mas calma... é isso mesmo que eu to pensando?

- é sim. quando você voltar a gente conversa? eu acho que eu te amo mesmo, não tem jeito.

quinta-feira, novembro 10, 2011

tudo continua

parece o início. não sei quem sou agora mas acredito na vaga ideia de quem fui nesse passado escondido. alguém aí lembra do cara que escrevia o chelsea nights? ele existiu, eu juro, mas não somos mais tão íntimos. quase não nos vemos, na verdade.

dois anos na casa nova. caiu a ficha depois de voltar do avião que eu sempre acho que vai cair. dois anos quase inteiros de um cara novo que ainda não conheço, não sei descrever e infelizmente não tive tempo e disciplina de documentar. tudo que não era forte já foi para a lata do lixo e a vida nova só guarda algumas neuroses, essas sim, eternas. tudo bem, é preciso conviver. na verdade é preciso vivenciar. aproveitar tudo que foi construído com a cola do sólido e do relevante. a sensação de só poder melhorar, sabe? falar disso é como tentar cuspir um início tímido de elaboração, a mais difícil delas até aqui.

não sei qual é a história, mas vou tentar inventar. prometo.

terça-feira, novembro 08, 2011