quarta-feira, setembro 16, 2009

love is hell pra dançar na off-bienal



OFF-BIENAL

ROCK + TEATRO + LITERATURA
55 autores / 20 horas de programação / 3 endereços

O Baratos da Ribeiro, sebo que adora um fuzuê, uniu forças à editora e livraria da Lapa, Espaço Multifoco, para oferecer um plano B para quem quiser fazer do seu SÁBADO, DIA 19, uma maratona literária – sem precisar se deslocar para a Bienal dos Livros que acontece naquele distante e ermo lugarejo chamado Barra da Tijuca. A editora Mojo Books lança seus autores no:

CINE LAPA – R$ 10,00 até 1h
(Rua Men de Sá, ao lado do Asa Branca)

23:30h
Lançamentos da MOJO BOOKS
na pista 2 (BACK TO BACK) da festa COLLEGE ROCK. Na pista 1 os DJs Eduardo Mulder, Renato Jukebox e Guzz The Fuzz fazem um duelo entre bandas da “velha” e da novíssima guarda, no especial “The Good, The New & The Old”. A pista do segundo andar contará com os DJs residentes Lepaux e JF e quem dará o tom são os autores da MOJO, que “tocarão” seus livros:

Manoel Magalhães (Love is Hell, Ryan Adams)
Rafael de Souza Luppi Monteiro (Evil Heat, Primal Scream)
Rodrigo Novaes (The Trinity Sessions, Cowboy Junkies)
Daniela Lima (Live forever, Oasis)
Luíza Zanuncio Briard, autora de 4 singles.

Programação Completa:
www.baratosdaribeiro.com.br/eventos

terça-feira, setembro 08, 2009

#3

o sol foi embora e só esperei a noite chegar, com ela pedindo outra cerveja, e outra, contei de tudo que quero e que faço, ela ouviu, cara de atenção, sorria nas pausas, disse como imaginava a espera de um disco, os detalhes, o tempo de amadurecimento do sonho, ela sonha cinema, sempre que pode, escreve cinema pra viver - pura prostituição, ela diz, quando não é o seu cinema, quando é por dinheiro, ela, vestido de cor-não-cor, quer a liberdade de ser solitária. de não imaginar como é, antes de ser, de realizar o que for, exclusivamente, necessidade.

vontade, desejo bruto, assim como aceita visitar o chão da minha casa e encostar o vestido de preto-e-branco na poeira acumulada pelo quarto, depois os joelhos e já estamos na janela pra cuspir a fumaça do último cigarro que ela encontrou na bolsa, olhando as nuvens carregadas desabarem lá fora, chove e nós sonhamos, literatura, do meu lado, cinema, do dela. somos encontro.

somos hoje.

segunda-feira, agosto 31, 2009

#2

vazio. o vento correndo pela orla e ela com os olhos, em tons de caramelo, perdidos no espaço interminável do mar. usa um xale azul e fuma, dizendo em pausas toda a narrativa de um filme para dois atores, feito em 16mm em qualquer cidade cercada por concreto - são paulo, nova iorque ou tóquio - pessoas por todas as partes, ruídos no microfone ambiente, a conversa dos dois, entre bares, avenidas, luzes de publicidade, fotografia clássica de película na cores do vestido da garota e da jaqueta surrada do rapaz, patrícia conta o roteiro com a felicidade de quem acredita na transformação que é realizar. fala da cena de abertura com os dois atravessando uma vila onde pessoas entregam pizza, carregam vitrais, senhoras lavam roupa, cuidam de crianças, entre bancas de jornais, vagabundos e senhores jogando cartas.

bem robert altman, ela diz, dentro do meu sonho.

terça-feira, julho 21, 2009

#1

a luz que agora corta o tecido negro do vestido não mostra todos os detalhes, ela, white album dos beatles, all star sempre branco, pintas nos braços de uma pele na tonalidade exata do sonho, da vertigem, do desejo que me tira da estrada perfeita. é vontade de fugir, de roubar, de ser o estranho de mim mesmo, outro cara, o que perambula pelas ruas vazias na madrugada da zona norte, perdido, pensando em livros de viagem, com vontade de ser abandonado e chorar por toda parte onde ela não esteja, perder a medida, a paciência, telefonar a madrugada toda para o outro lado do atlântico, entender o que nela existe de melhor.

o que pode ser só construído nestes olhos de louco, olhos que adoram enxergar em seu corpo minha própria luxúria, vontade que esmaga o bom senso enquanto quero tocar-lhe os cabelos, no meio do salão escuro daquela noite, fotografia em cor de cinema, querendo que o mundo acabe no hotel perdido da esquina, com tudo que tenho a dizer, os dois bêbados correndo os bares, falando demais e querendo carinho, existindo, antes de qualquer pensamento, antes da culpa, por uma noite ser isso nos bastaria. talvez duas. talvez acabasse em desgosto, sofrimento ou em mágoa. e seria então eterno. o verbo. seria.

domingo, julho 19, 2009

prontuário do platônico

prontuário: livro, manual que contém fórmulas e indicações úteis de modo a achar prontamente o que se quer saber.

platônico: o que é puramente ideal, casto, relativo à escola e filosofia de platão, utopia ou idealização.

sexta-feira, julho 17, 2009

hotel que recusa ser espaço. não opina sobre música, vida alheia ou qualquer outro tipo de coisa. centenas de pedaços de vida, de dia, de vontade, letreiro de uma pessoa, sem bula, pedaço de alguém, recorte mínimo de encontro, de sonho, de exercício do pensamento sobre existir e representar, quando não acontece exatamente como foi é porque não pode ser equivalência o que importa, nem vida como ela é (pra ficar no campo do paralelo com o representar de outro), risco de fazer o que quer, odiar e amar o que vê, mais até do que vive. sentindo pode-se até acreditar no que não acontece. lugar de confeitaria, artesanato e nunca arte, contradição no que está aqui e acaba ficando com o outro lado. o que é meu sonho vira sua imaginação, seu olhos, seu jeito de me enxergar no espelho, bonito ou feio, apaixonado ou maldito, sou eu pra mim e pra você de outro jeito, mesmo os que estão aqui não são, são mais, são melhores. porque a vida pode ser melhor e não é, apenas por alguma razão estranha, por algum descuido, ou azar, que vai ver só acontece comigo, mais a verdade é que não sai, não acontece a hora certa, nem o vestido de cor, nem a primeira escolha, a narrativa da vida é a incerteza pura, diagonal, mesmo quando toda a energia desaba sobre a vontade existe o espaço que é movimento, física pura, não se sonha ao mesmo tempo que vive, sonho agora, vive é verbo futuro, mesmo não fazendo sentido é fato, e não é igual. nunca é igual, mas acontece.

essa aqui é a prova. diária e redundante de tão minha.

segunda-feira, julho 13, 2009

com a alma nas costas

vontade de um cigarro, pensamentos de organização para a vida, noite de gente estranha com clima jazz, ele vive em tempo real e a vida parece uma esquina onde não se entende o caminho, não se entende a receita, a cautela, onde só a surpresa diz o que é vida de verdade. quer o possível, o realizável, mas também quer o sonho, o delírio, a avenida aberta pela noite com vestido de festa, a sorte caindo no colo com presentes de cabelo amarelo, a madrugada em são paulo, os telefonemas, a loucura em geral.

quer ficar debilitado, perdido, mal-amado, quer ouvir os que difamam, encontrar as bêbadas com classe e pernas grossas, de quatro contra o chão do prédio de dois andares na vila madalena, ele quer as que sofrem por amor, as que choram abraçadas ao conhaque de alcatrão, maquiagem escorrendo pela cara, madrugada de café e pão na chapa, quer o sexo pulsando enquanto sente a vida voltar a correr pelo sangue, a roupa jogada na sala pela manhã, o final de tudo parece sempre inesperado. dádiva, imprescindível, dádiva.

terça-feira, julho 07, 2009



a banda de um homem só - por natalia valle

terça-feira, junho 23, 2009

vinte e quatro quadros

tomada dois - corte seco - de roxo, lendo um livro qualquer, olhos focando as letras com dificuldade enquanto se distrai dos olhares em contra plano. chove e ela não presta atenção também ao que acontece do outro lado da janela do ônibus. o som embolado entre pingos, asfalto, a música dos alto-falantes e o ar condicionado, não desvia o seu fluxo de pensamento. é uma ilha observada em silêncio por todos.

o mundo não existe, mas ela representa. muito bem.

sexta-feira, junho 12, 2009

12 de junho

dia de verbos. esperando um número restrito. a chuva cai e o frio pode entrar pela janela que já não me importo. sinto. deixo. hoje aproveito o tempo de questionar com outras atividades, o café, a guitarra, o violão vivendo uma reforma, o dedo cortado quase não sangra. outro verbo. depois enfim budapeste. meu amor no museu da república. jantar como velas pequenas e vinho. tudo que não sei, mas vai acontecer.

mais um dia na transformação que é longa, que acontece desde sempre, ritual, rito de mudança, querendo que o acaso jogue a favor e tudo faça sentido. ou razão inventada depois do sonho. dia de destino. vida. ainda. mesmo que com data indefinida. toda possibilidade é vida. ainda, agora, sempre que a experiência passar por mim, sempre que ela me diz respeito. é minha. meu jeito de assistir o dia.

12 de junho. dia dos namorados. existe. é dia. lá fora. ainda.

(para ana carolina ramos slade)

quinta-feira, junho 04, 2009

medida do possível

os cartazes serão enormes e com textura, espalhados pela parede parecerão um sonho quando alguém dorme mais cinco minutos de atraso. apartamento de muito espaço, o sol entrando pelo fundo do quarto, flores pro chá ou almoço fim de tarde, os livros empilhados no meu estúdio, na nossa cama e guarda-roupa, na sua mesa de centro. cortinas pela sala, eu chegarei atrasado de algum passeio, a história esperando tradução, a água do café ferve com o fogo sempre baixo. sem pressa de mudar. sem pressa de ser ou estar.

um minuto e eu já vou dormir. em cores. agora.

quarta-feira, junho 03, 2009

do visual e sólido

o sucesso dever ser visível. a vitória precisa ficar exposta na parede de quem ganha o troféu, o diploma ou a medalha. qual a finalidade? lembrar da batalha até o objetivo? a glória de chegar primeiro? contra fatos não existem argumentos. contra vitoriosos não existem detratores, só derrotados. e que avaliação é feita no final? qual o valor de tudo isso? qual o sentido? pra que existe? qual a necessidade?

a vida acaba e tudo continua girando.

mesmo sem você.

terça-feira, junho 02, 2009

analogicamente

a vida é processo. como o chá que está em infusão agora ali na pia me esperando pra dormir. feita de seus caminhos orgânicos, ela quase nos ilude que nos anos pós 2000 somos capazes de superar o óbvio, mas não somos. é só pensar um pouco. o corpo funciona sem receita médica ou razão matemática, o tempo passa sempre na mesma toada e independe do avião, da roda e até da morte para existir.

fazer um bom chá é arte, como uma canção ou um pedaço de palavras juntas. ter trabalho acrescenta alguma coisa ao conjunto de significados que a sua vida acaba representando. é sair de si. melhorar. fazer valer a pena o que não vale. ou não faz sentido. como amar parece inútil. parece prisão. parece sonho e acaba fuga. mas não é. amar também é processo. como chá, vida e trabalho. e é justamente o processo que te faz alguém melhor, templo de seu próprio corpo e de sua própria escolha, que consegue seguir em um dia que começa sempre novo, sempre em branco, mas com bula, com passado que ofusca a chance de luz depois da noite. processo é conseguir enxergar luz quando é hora de luz e sombra quando é hora de sombra, é plantio, espera, entendimento. saber que não se acelera o que é lento.

é difícil acordar e enfrentar a vida. como é difícil escrever algo seu, cantar uma canção que seja sua, ouvir os ruídos e observar as cores que só dizem respeito a você mesmo. é solidão e é liberdade. nascemos sozinhos, vivemos sozinhos, existimos sozinhos. temos que aprender, sozinhos, o processo. a maneira. a finalidade. o sentido. o quebra cabeça é meu e só eu consigo entender a minha própria ciência. não existe análise externa que me diga respeito.

é minha vida quem agora gosta de dizer:
- o processo existe. favor não desperdiçar.

segunda-feira, junho 01, 2009

flor de laranjeira

ela. o grosso desse hotel. mudança, a noite entre estações e o sinal fechado de uma felicidade que significava sonho, mas agora aparece representada na comida que fazemos juntos, nos beijos, almofadas, salas de cinema, jardins com jazz, lugares, cores e cheiros que são nossos. representação de uma vida conjunta. teatro que diminui o ritmo dos meus pesadelos de perda, das angústias de um inconsciente sombrio. o vazio. o medo. agora é menos. todo dia.

ter cotidiano é aceitar a sua benção. o seu destino. o meu destino. é entender a falta de escolha como abrigo, aceitação do óbvio, agora com você entendo o limite e encontro meu caminho, penso em mim quando quero te fazer mais forte, somos mais fortes porque somos juntos, isso é encontro, certeza, como quando você usa as mãos para me banhar, quando abraça pra me fazer homem, namorado, amigo, companheiro. pessoa com a qual se divide o pão. o almoço, o dinheiro, o cinema, com a qual se divide a vida. contando o dia nos telefonemas, chorando nas brigas, apertando minha mão e beijando meu rosto quando o medo quer me dominar. você é o meu sonho, o meu destino, a minha escolha.

um coração que transborda amor incondicional é um coração livre. obrigado por me libertar, flor.

sexta-feira, maio 22, 2009

eu quero a esperança de óculos
e um filho de cuca legal
eu quero plantar e colher com a mão
a pimenta e o sal

eu quero uma casa no campo
do tamanho ideal, pau a pique e sapê
onde eu possa plantar meus amigos
meus discos e livros e nada mais

(zé rodrix : 1947 - 2009)

quinta-feira, maio 14, 2009

o mundo todo, o tempo inteiro

ele volta, agora refletindo sobre compulsão e revoluções forçadas pela vida. a única coisa certa é que o dia sempre recomeça, novo, feitiço do tempo pela metade, pode ser escrito até certo ponto, espaço onde a força que escapa do incontrolável consegue escrever o que gostamos de chamar de destino. parece engraçado pensar nas idéias definitivas como fé, destino, obrigação, caminho. idéias definitivas sem definição até que a prática se encarrega de esclarecer o significado pra quem as leva escritas na pele, gravadas no receituário de seu cotidiano compulsório.

as coisas até mudam, mas descobrir a brecha no irreversível é encontrar a chance de batalha contra seus defeitos, contra o que talvez nunca mude, isso significa a possibilidade de enxergar o que pareceria desgraça como uma espécie de redenção, o momento de acordar para o que te limita e frustra, dia de começar uma lenta transformação baseada em sacrifício, viver diariamente o sentido dessa palavra que significa basicamente entrega e responsabilidade com você mesmo. significa escolha. significa certeza.

seguir é sempre seguir e caminhar não é acompanhar o fluxo. isso é certo e precisa ser também definitivo.

quarta-feira, abril 22, 2009

esperança

o sonho será mais forte. sempre.

sexta-feira, abril 17, 2009

pequeno buraco

parecer triste não é ser. estar talvez. é ciclo, acontece quando não se espera, a força cai, a noite esfria, a razão cambaleia pelas ruas de uma metáfora que só me lembra curitiba. à noite. na subida de paralelepípedos até a rua sem saída. de casaco. no instante em que o jovem pugilista pensa dominar o veterano, com seus olhos antecipando o golpe, o medo, na verdade a ausência dele, a certeza de que o melhor da vida te escolhe é exatamente o que abre sua guarda para o incerto, contragolpe, de um velho leão que conhece a queda, que é a queda em si. o buraco sem o qual não existira o sonho.

quarta-feira, abril 15, 2009

nossas melhores roupas #2

ele fuma seu cigarro enquanto espera o ônibus, impaciente, esse ritual diário não parecia mudar muito até que patrícia cruza a calçada com o passo acelerado, um rapaz de óculos acompanhando, vestido negro, cabelo pintado, ela desvia o olhar até ele, que agora também espera com os olhos, dessa vez sem rodeios, reconhecimento imediato dos dois estranhos. ela mantém o olhar, ele não sustenta, mas entreolha parecendo distraído com o movimento no ponto. ela pára e o acompanhante continua caminhando na direção do cinema. a interrupção lhe parece estranha.

- desculpa, mas posso te pedir um cigarro?

- claro, pode pegar.

- ah, não. é o seu último.

- que isso, pode pegar, vou comprar mais depois.

ela pega o cigarro e pede o isqueiro, acende e agradece, os olhos caramelo como ele imaginava vistos de perto, agora já não rimam com o cabelo, "uma pena", ele pensa enquanto escolhe sua fala para continuar com ela ao lado, não é necessário, patrícia continua ali até a próxima pergunta.

- era você em copacabana, não era?

- quando?

- desculpa parecer maluca assim, mas acho que você sabe.

- era, ou não sei, acho que era sim. por que?

ela solta a fumaça olhando para a rua, respira em um silêncio de meio segundo, parecendo pensar no que vai dizer.

- olha, agora eu tenho que ir trabalhar, se eu te der o meu telefone, você liga? a gente marca um café e conversa, pode ser? você gosta de café?

- gosto. anota o telefone aqui que eu ligo.

- então é isso, to parecendo muito maluca?

patrícia ri, envergonhada. ele também ri e diz que não, tentando parecer o mais natural possível. ela continua sorrindo enquanto escreve os números do telefone no papel. o ônibus que ele esperava já passou duas vezes por ali.

- tenho que correr, ela diz.

- beijo

- beijo

sexta-feira, abril 03, 2009

colorido ou inexistente

obra no banheiro. sono descontrolado que destrói os ossos e os sonhos mais banais. com a namorada, os amigos e as vontades. vestidos. o cabelo antes amarelo agora avermelhado. a palavra responsabilidade gravada na traseira de cada ônibus dessa cidade. cigarros. cervejas. dinheiro gasto em coisas não palpáveis. o vazio transbordando.

na vontade de silêncio, a vontade de mudança. agora.