sábado, março 17, 2007

Fante em apenas uma lição.

"Meu conselho a todos os jovens escritores é muito simples: recomendaria a eles que nunca fugissem de uma nova experiência. Proporia a eles viver a vida em carne viva, agarrá-la com coragem, atacá-la com as mãos desarmadas"

sexta-feira, março 16, 2007

O vão entre os prédios.

Observo as janelas no vão entre o meu prédio e o prédio da frente. As pessoas são sempre iguais, mesmo sendo tão diferentes. O cara com o laptop na janela da frente, a menina fazendo as unhas na janela lá de baixo, talvez tenham os mesmos problemas ou sofram por coisas parecidas. Ou não, quem sabe o que pode fazer com que sejam de universos (ou janelas?) completamente opostos?

No fundo é só mais um pensamento aleatório. Só mais um entre milhares, que nem eu mesmo sei se são iguais aos meus anteriores, ou se são novos, ou se são diferentes. Hoje consigo construir um tempo diferente apenas por escolher que "viver diferente" é mais interessante pra mim. Me emociona mais, só isso.

No momento. No agora. Amanhã eu já não sei, mas hoje parece o caminho certo. O meu caminho certo, ou o caminho certo da minha vontade, que é diferente como escolha pessoal. Is this it.

quinta-feira, março 15, 2007

My Little Surfer Girl



É exatamente assim que meu coração se sente agora.

segunda-feira, março 12, 2007

18:00

A cidade parece silenciosa depois da tempestade. Caminhamos com os sapatos encharcados por toda a Paulista e agora ela quis parar pra comprar cigarros. Observo as luzes começarem a engolir a avenida após as 18:00 enquanto ela ri das fotos na revista exposta do lado de fora da banca. Tudo agora parece se confundir ao ritmo que o inesperado impõe, diariamente, nesse lugar que para nós dois é sempre novidade.

Ela me dá a mão e sentimos o frio cortar cuidadosamente o vento enquanto caminhamos, ele também nos beija o rosto com o carinho de quem adota para sempre estes filhos. Agora o coração é só certeza e ela prende os cabelos, morde a boca, pergunta o sentido das coisas, acelera nossos passos ligados e grita de felicidade por saber que ainda é só o começo. No néon do prédio mais alto a vida parece dizer:

Não tenha pressa’.

sexta-feira, março 09, 2007

You Meant Everything.

Faz calor lá fora e você dorme em silêncio no colchão jogado sobre o chão da sala. O vento entra ralo pela janela e só escuto os ruídos do ventilador enquanto assisto a TV muda. O domingo é quente, mas a vida nunca esteve tanto a nosso favor. Vamos então deixar que assim seja?! Ela faz a parte dela e nós a nossa, um acordo excelente para quem não controla o que alguns chamam de ‘irremediável’. Talvez seja isso que outros chamam de ‘benção’, ou ‘milagre’, ou qualquer outra palavra escolhida a dedo em um dicionário de sinônimos especiais para “Felicidade”. Quem mais pode duvidar?

quinta-feira, março 08, 2007

Continuando o amarelo.

Estamos sentados e ela diz que esse frio sempre lembra o ano passado, o caminho do ônibus até a minha casa, o chá que a gente tomava na janela assistindo o movimento disperso da rua, lembra e deixa saudade, mas uma saudade gostosa de pensar que mesmo mudando quase tudo, ainda estamos aqui juntos tomando café e conversando, e vendo pessoas, e pensando em deixar o futuro chegar com calma. Agora ele vem e não assusta, ela diz com os olhos brilhando no mesmo tom amarelo do vestido.

Sinto que ela veio pra ficar e não importa o tempo, seja ele o nosso passado ou o nosso futuro, ainda vai estar ali, do outro lado dos meus olhos, sorrindo linda e tendo idéias que nos farão caminhar na chuva fina por entre prédios dessa cidade cinza que se amarela de luz a cada toque de seus sapatos novos. Não importa se o mundo é veloz, se as pessoas são tristes, se o dinheiro é pouco, a felicidade agora mora aqui e é dividida com afeto proporcional e louco por essas duas almas.

segunda-feira, março 05, 2007

California Zero Grau

* Trecho do futuro Romance - fragmento: Cláudia e a vida nova.

Filha do mundo e do cinema. Ela me olha sempre assustada, olhos verdes rasgados; vez ou outra parando pra pensar nas coisas que só a PUC ensina. Não tenho força nas mãos para tocar seus seios, Cláudia. Caminho sempre perdido entre suas camisas de seda branca. Quando Cláudia e eu mudamos para Teresópolis o filme ainda era uma criança. Dona Vera nos presenteou com lençóis coloridos. Nosso sexo era novo, ela tão menina me masturbava na sala enquanto conversávamos sobre as cores do quarto do bebê. Eu gostava de tocar piano e de mentir canções para Cláudia. Não desligávamos a televisão nunca.

Não consigo caminhar com as coisas do trabalho. Tenho da melhor comida e bebida, tenho sol que não queima e uma mulher para escrever uma parábola.

Cláudia nasceu filha dos cadernos e das opiniões. Cresceu usando aqueles óculos que sempre odiou, mas era linda, linda. Dona Vera cortava o pão em fatias estranhas para a ceia. Cláudia em uma tarde de criança lia Raduan Nassar para a escola alemã e sentiu vontade de tocar o sexo, a mão de menina procura o que os sentidos imploram. Grandes desenhos. Sei que sua família sempre preferiu que fosse de outra maneira, mas minha menina realmente não liga a mínima. Nunca gostou de fazer nada mesmo, Cláudia é feliz só de prazeres. Acorda e vai com o frio para a piscina, e pede a Lúcia sempre sucos de frutas tropicais. Não usa guardanapos e adora tapetes indianos, já temos tantos que tropeço pela casa. Parece que o tempo parou em 74.

Ela tem pressa... e muita fome.

domingo, março 04, 2007

Todas as suas primaveras hoje.

Você abre a porta e diz que fica feliz quando apareço sem avisar. Eu inevitavelmente penso que esse momento parece perfeito para a mudança na rota do que fizemos até aqui. Nós dois. Você já pensou? Pensei quando você sorriu, você pensou quando contei minha vida. O tempo só quis te castigar? Ou será que foi um jeito de te preparar para o nosso agora? Caminhamos de cabeça baixa enquanto os outros seguiam na frente e tudo que dissemos pareceu a abertura de um futuro que é nosso. Se o passado te fez mal, esquece. Vamos olhar pra frente.

quinta-feira, março 01, 2007

Música do mês ou Março será maravilhoso!



A lyric, a time, a crusade, a line.
One minute, a friend, a road without end.

A lyric, a time, a crusade, a line.
One minute, a friend, a road without end.

quarta-feira, fevereiro 28, 2007

Por algum motivo - voltando a sonhar.

Não lembro a roupa que você usava no sonho, mas parecia a mesma de 2003 - pelo menos a que ainda ficou na minha memória. Você entrou pela porta aqui de casa me acordando e disse baixinho que ainda era cedo. Eu olhei o céu e concordei. Então você deitou na cama comigo, dividimos o cobertor, apagamos a luz e dormimos um pouco.

Você acordou querendo transar, exatamente como sempre costumava acontecer, e eu disse que tinha aula daqui a pouco. Engraçado pensar que foi um sonho, mas poderia ter sido o passado, afinal o passado foi mais ou menos assim, não é verdade?

Você me disse pra matar a primeira aula. Aceitei. Chegar às 8:40 pareceu bem razoável para o nosso reencontro, e nessa hora senti saudade de te abraçar como minha mulher. Talvez eu fosse jovem demais naquela época. Hoje aposto que foi o medo quem nos separou.

O seu medo de perder e o meu medo de encontrar. Engraçado, você perdeu e eu não encontrei, a vida até que parece justa em perspectiva. Acordei e não era 2003, quem sabe não te vejo voltar por aquela porta.

sexta-feira, fevereiro 23, 2007

Harmada - Besteira acreditar

Perdão se deixei o silêncio no seu quarto ou um motivo pra voltar.

terça-feira, fevereiro 20, 2007

Yellow Coffee Break

Eu estava doente e não queria atravessar a avenida paulista inteira só pra tomar um café. Era dor no estômago, era tédio, era agonia mesmo e pronto. Mas ela não desistiu de tocar a campainha com aquele vestido florido amarelo, gritando que lá fora o céu estava cinza e a gente podia caminhar de braços cruzados pelo centrão e rir, e tomar algumas dezenas de xícaras de café amargo, e fumar um cigarro sentados naquela sacada da cafeteria, ah, e além de tudo, ela queria mostrar os sapatos novos. Finos, amarelos e lindos. A menina sorri.

E pronto. Resolvi abrir a porta e vê-la sorrir de orelha a orelha dizendo pra não esquecer do casaco, que com ele me achava o cara mais bonito e a gente parecia casal da nouvelle vague cruzando São Paulo, cruzando a Augusta entre os garotos e garotas do hardcore, e os japoneses, e os góticos, e os loucos. E todo mundo na rua olhando pra nós, gente que não ri geralmente, ela acha, - mas a gente ri, sabe? - A gente ri grande, a gente ri de tudo e aperta o passo quando a chuva aumenta, e se esconde, e se abraça sob o nosso único guarda-chuva. Não que isso seja tão diferente, mas é nosso, e todo mundo que só assiste pelo menos pensa em viver alguma coisa assim também, um dia, ou lembra que já viveu, sei lá, mas é nosso, e é agora. Vamos?

quarta-feira, fevereiro 14, 2007

Blog do Klaus

Sempre que passar por aqui e quiser continuar lendo, aproveite o embalo e a oportunidade pra visitar o blog do Klaus:

http://quarentaedois.blogsome.com

O camarada entrou em uma fase importante de textos e vale a pena acompanhar.

sábado, fevereiro 10, 2007

ParaAna ou EsqueçamosaEpistemologia.

Entenda meu corpo, batimentos por minuto,
minha história, meus quilômetros por hora.

Entenda meu canto, meus tantos por cento,
meus contos de réis, tantos por mês.

Entenda meu corpo, sal e litros d'água,
em centímetros ao cubo, em silêncio, por favor.

quinta-feira, fevereiro 08, 2007

The Alcoholic Republic of Letters

"Neste século, poder-se-ia afirmar com segurança que uma porcentagem significativa de escritores norte-americanos é formada de alcoólatras em menor ou maior grau; explicá-lo é coisa que deixo para os médicos curandeiros. O alcoolismo acabou com as carreiras de Hemingway, Fitzgerald e Faulkner, para citar três romancistas que estiveram na moda, no país, em meados do século. Por piedade em relação aos descendentes e guardiões das chamas ainda bruxuleantes de personagens literários outrora gloriosos, deixo de citar outros nomes. Por beber demais, Hemingway não conseguiu escrever nada de bom no final da vida; pela mesma razão, Fitzgerald morreu aos 44 anos e William Faulkner de As I Lay Dying virou fábula."

* Gore Vidal em "De fato e de ficção - Ensaios contra a corrente." - Companhia das Letras - 1987.

quarta-feira, fevereiro 07, 2007

Chuva nas pedras portuguesas.

Rua do Ouvidor. Ele de chapéu do panamá e ela de vestido em tons amarelados. Ele acende o cigarro e começa a contar o sonho estranho que teve na noite passada, enquanto ela observa com o pensamento distante dali, talvez seja só medo da certeza, ela conclui. Os carros passam lentos e o vento lambe a bandeira turca a meio palmo no outro lado da rua. Começa a garoar fino e ele lembra que isso sempre acontece quando estão ali. Ela sorri, ainda perdida na questão.

Serão a finalidade? Ele sente que concluirá quando concluir e pronto, é assim que acontece. O eterno retorno sempre existe para quem pensa no eterno retorno. Ela sente o coração saltar no peito e não sabe para onde o levar. Ele, mais calmo, diz que o caminho não depende da velocidade dos passos, talvez da segurança entre cada um deles. A garota busca na memória algum momento anterior para explicar o agora, não encontra. Decide se levantar, ir embora, mas ainda vacila por acreditar que o abismo só parece fundo em perspectiva.

Ele a segura pela mão e conduz seus passos pelas pedras portuguesas. Ela pensa agora que a certeza, essa sim, virá com o tempo.

terça-feira, fevereiro 06, 2007

domingo, fevereiro 04, 2007

Sobre Bingos, cores e dias que virão.

Ela aparece sempre quando penso, ela diz, ela faz. Não nega quando peço com jeitinho e também aceita quando invento uma loucura. Seja dançar em um bar imundo ou atravessar um Bingo colorido naquela noite estranha molhada de Martini. Ela faz e ainda fala baixinho, com sua entonação de quem descobriu aquele verdadeiro charme, naturalmente. Seus segredos não interessam a ninguém, ela garante.

- Diz agora você alguma coisa.

- Não digo, não existe isso de ‘diz agora você alguma coisa’.

Sabe exatamente o que quer dizer e na hora em que quer dizer. Tudo parece corrido, necessário e acontece com a velocidade que tem que acontecer. Seja em histórias sobre um estomago que para de funcionar ou sobre frutas e músicas insuportáveis de uma cidade em que ela atravessava de bicicleta e habitava um hotel cor-de-rosa. Eu escuto e deixo correr o gravador enquanto fotografo seus olhos que marejados dessa cereja encharcada em líquido branco, parecem ter outra beleza agora, finalmente consigo atravessar a primeira ponte de seu rosto. Do outro lado existe um lugar novo que ainda não sei onde posso pisar.

- Por que ela merece essa flor? Eu pergunto.

- Porque ela aceitou estar aqui com você. Responde a sábia menina que vende os marcadores de livros. Apesar de acertar em cheio a resposta, para a cena do nosso teatro o ideal mesmo seria um ‘porque ela é linda’, mas a vida sempre me surpreende com as respostas verdadeiras quando procuro esconde-las de alguma forma, não adianta.

Assim seguimos caminhando, encontrando gente, comprando chicletes e além de tudo guardando a certeza que o final não é aqui, algo precisa continuar, e vai. Só esperar pelos dias de amanhã. Eles virão.

sábado, fevereiro 03, 2007

Ao(s) que suga(m).

Aprendi a dedicar meu desprezo. Diariamente.

quinta-feira, fevereiro 01, 2007

That damp and lonely thursday years ago.



I said let's all meet up in the year 2000.
Won't it be strange when we're all fully grown.
Be there at 2 o'clock by the fountain down the road.
I never knew that you'd get married.
I would be living down here on my own on
that damp and lonely Thursday years ago.