hoje o horóscopo me chamou de autista.
e do meu buraco só vejo os mesmos faróis, meus recortes de realidade para continuar sendo o projeto de indivíduo que minha mãe inventou quando resolveu me fazer gente. ela criou a coisa, eu só borrei os contornos. com a variedade de obsessões e desejos que consegui arrancar de cada pequena experiência sensível. dos pequenos coitos interrompidos do destino (ou chamem de desejos não realizados) pego o barro que vai montar o futuro. um remendo torto de sonho fora da validade e prazer de conquista de territórios inimigos. estou sempre contra o mundo e continuo sozinho.
e você aí, me olhando dos grandes círculos de seus óculos, não sabe como poderia ser o futuro.
segunda-feira, junho 24, 2013
domingo, maio 19, 2013
quinta-feira, maio 16, 2013
dos mandamentos universais de capinan
é impossível levar um barco sem temporais.
as coisas passando, eu quero é passar com elas.
as coisas passando, eu quero é passar com elas.
segunda-feira, abril 15, 2013
o bloco da mudança voltou
vida é só esse eterno caminho até a próxima padaria, esquina, vizinho, quarto, sala, cortina, sofá e estante. quase três anos morando na rua sem fim, primeira casa de dois em um. aqui ainda não sei, não sinto, por pouco não me perco tentando voltar. toda transformação espacial apaga pedaços de passado e futuro e deixa pequenos objetos caídos do caminhão que nos trouxe até aqui.
quinta-feira, fevereiro 07, 2013
mente sã
manoel é o eterno lado esquerdo do cérebro engolindo o lado direito que na verdade já é o dono de tudo. ele queria saber resolver a vida do lado esquerdo, mas só o que existe é a calçada da direita. o simples fato de existir já é esquerdo e esse barulho todo que chamamos de vida é o grande segredo do quem sabe, ao qual chamamos de destino. quando o destino resolve não te amar é que se manifesta este dragão com cor de rotina. de dia-a-dia. que pena, manoel. pra você e seus dragões.
segunda-feira, janeiro 14, 2013
segunda-feira, dezembro 24, 2012
caminhão do fim das esperanças
não agendei, não esperava, não chamei. um dia tudo que era o que você mais precisa na vida vira tudo que não é mais seu. foi embora. derramou o caldo para uma coisa que parece a pior dor possível.
o enfrentamento.
então você percebe que só precisa sentir essa melancolia toda e deixar a vida machucar o suficiente. sofre menos quem deixa sofrer. ser sozinho é sentir que não se pode mais contar com o amor. nem contar com ninguém. o caminhão da mudança já levou o sonho e tudo vira um emaranhado de passado e dúvida. vira o enfrentamento da próxima curva, do resto da vida.
a tristeza me persegue no natal.
o enfrentamento.
então você percebe que só precisa sentir essa melancolia toda e deixar a vida machucar o suficiente. sofre menos quem deixa sofrer. ser sozinho é sentir que não se pode mais contar com o amor. nem contar com ninguém. o caminhão da mudança já levou o sonho e tudo vira um emaranhado de passado e dúvida. vira o enfrentamento da próxima curva, do resto da vida.
a tristeza me persegue no natal.
sexta-feira, dezembro 21, 2012
o fim do mundo toda sexta-feira
o mundo acaba toda sexta-feira, vocês que ainda não perceberam isso.
quinta-feira, novembro 22, 2012
sozinha
com o cabelo preso, parecendo frágil, espera que o expediente acabe e que a fila ande logo.
pensa nas contas, lembra os recados, foge dos amigos no almoço e anota as tarefas em sua mão esquerda enquanto o cara da frente termina de passar o cartão no caixa.
sua vez, diz o velho do bigode.
paga, olha uma última vez para o fundo - onde ele fotografa tudo em vinte e quatro quadros - e sai pela esquerda.
saída esperada e destino, por enquanto, desconhecido.
quarta-feira, novembro 07, 2012
cartinha ou micro bilhete
certas coisas não são catalogadas, não entram em cartilhas ou nos conselhos de amigo, certas coisas não cabem em nada. fazer um inventário das cores que escorrem quando você respira, se movimenta ou toca um prato de omelete com brie já seria um objetivo justo, pra te mostrar que ainda existe salvação pro mundo, pra me provar que nenhum desencanto é infinito, pra cortar do tempo esse marasmo que asfixia qualquer outra coisa que não seja tédio e dor, esses dois amigos que temos em comum. queria conseguir guardar suas cores em um registro convincente, mesmo que pouco preciso, queria que você soubesse que elas derramam em mim o que meu meu corpo não consegue. queria suas cores em mim, passando pelos poros tudo que como com os olhos, tudo que não sei exatamente desejar.
sábado, novembro 03, 2012
manual de sobrevivência social
aos errados, perdidos, vagos, sufocados ou confusos, nos eventos de convívio sociocultural só lhes resta uma saída à altura de seu bom senso, a bebida. pular no álcool antes de se afogar no verbo alheio.
quarta-feira, outubro 31, 2012
quinta-feira, outubro 18, 2012
vida hotel
esse blog existe porque um dia pensei em como seria a vida de quem mora (ou morou) no hotel chelsea. sempre me seduziu a representação de um espaço que não é a casa de ninguém por definição, apenas um ponto de contato entre trajetórias.
o mundo está cheio de hotéis. simbólicos e reais.
a certeza de que a metáfora do hotel cai bem para as pessoas e para a vida que elas escolhem me fez continuar escrevendo até hoje, fiz desse hotel aqui um depósito de projeções e algumas boas histórias.
para arthur c. clarke, bob dylan ou qualquer mortal como eu, o hotel chelsea não é qualquer hotel. bons pedaços do século 20 aconteceram por lá. seja com as brigas de sid & nancy, dylan thomas morrendo bêbado ou hendrix e kubrick tomando café da manhã. o chelsea sempre significou alguma coisa.
em 2005, quando comecei isso aqui, ainda era possível se hospedar no chelsea. então, escrever foi uma espécie de motivação para um dia passar por lá. ficar uma semana ou só dormir uma noite. pesquisei algumas vezes o preço, nada de absurdo, então achei que com calma a hora chegaria. sei que não parece muito, mas desejava essa experiência.
só que o chelsea mudou.

foi vendido e passa por uma grande reforma. alguns moradores detém o direito vitalício de ocupar parte do chelsea e a briga é constante com os novos donos. acho que a ideia de quem comprou é transformar o hotel em algo parecido com o que virou o bairro inteiro: bonito, limpo e sem sal. passei pelo chelsea em setembro e fiquei com essa impressão. imagino que os antigos moradores hoje lutam contra seus moinhos de vento, já que o hotel e a cidade em que eles viveram não existem mais. o passado é a entidade dos sonhos. e com esse blog também aprendi um pouco sobre isso.
poderia dizer mais algumas boas coisas, só não consigo.
tirei essas três fotos e foi tudo o que vi do hotel chelsea.
o mundo está cheio de hotéis. simbólicos e reais.
a certeza de que a metáfora do hotel cai bem para as pessoas e para a vida que elas escolhem me fez continuar escrevendo até hoje, fiz desse hotel aqui um depósito de projeções e algumas boas histórias.
para arthur c. clarke, bob dylan ou qualquer mortal como eu, o hotel chelsea não é qualquer hotel. bons pedaços do século 20 aconteceram por lá. seja com as brigas de sid & nancy, dylan thomas morrendo bêbado ou hendrix e kubrick tomando café da manhã. o chelsea sempre significou alguma coisa.
em 2005, quando comecei isso aqui, ainda era possível se hospedar no chelsea. então, escrever foi uma espécie de motivação para um dia passar por lá. ficar uma semana ou só dormir uma noite. pesquisei algumas vezes o preço, nada de absurdo, então achei que com calma a hora chegaria. sei que não parece muito, mas desejava essa experiência.
só que o chelsea mudou.

foi vendido e passa por uma grande reforma. alguns moradores detém o direito vitalício de ocupar parte do chelsea e a briga é constante com os novos donos. acho que a ideia de quem comprou é transformar o hotel em algo parecido com o que virou o bairro inteiro: bonito, limpo e sem sal. passei pelo chelsea em setembro e fiquei com essa impressão. imagino que os antigos moradores hoje lutam contra seus moinhos de vento, já que o hotel e a cidade em que eles viveram não existem mais. o passado é a entidade dos sonhos. e com esse blog também aprendi um pouco sobre isso.
poderia dizer mais algumas boas coisas, só não consigo.
tirei essas três fotos e foi tudo o que vi do hotel chelsea.
sábado, outubro 06, 2012
tudo é muito
meu aniversário passou. já esqueço de contar o novo número, declino do céu anunciado, finjo que não lembro das coisas que não consigo terminar por preguiça, penso em uma lista de pessoas para pedir desculpas. viver correndo não é viver. a vida exige falta e espaço.
sexta-feira, agosto 24, 2012
todo silêncio é medo, todo vazio é falta
qualquer palavra já seria muito, um cumprimento mínimo por educação, gesto solidário com quem não consegue dizer algo que seja relevante. nesse semiárido de certezas, ele só consegue propor uma bandeira de novo país, um espaço onde fique claro que as coisas realmente importam, ficam, marcam, tanto que o tempo, que torna tudo obsoleto, ainda mostra a incurável necessidade de diálogo, de aproximação.
uma grande frase é curta para contar exatamente o que é preciso, não significa exatamente tudo que deveria estar contido, tudo que foi possível não é o bastante para expressar a verdade. se falasse por raduan, não concordaria com a coisa humana que mais pode nos assombrar, a força do verbo, sempre em primeiro lugar, diria que palavra alguma pode conter o interior, ou ser a lavoura do sonho primeiro. todo o líbano de palavras não seria suficiente, por isso qualquer silêncio de carinho mínimo já basta. entre sermões de pai e amassar de pão das mãos maternas, o mínimo vindo dela já seria dádiva.
porque só a justa medida do tempo dá a justa natureza das coisas
é o trecho sublinhado no silêncio de quem habita o incompleto.
uma grande frase é curta para contar exatamente o que é preciso, não significa exatamente tudo que deveria estar contido, tudo que foi possível não é o bastante para expressar a verdade. se falasse por raduan, não concordaria com a coisa humana que mais pode nos assombrar, a força do verbo, sempre em primeiro lugar, diria que palavra alguma pode conter o interior, ou ser a lavoura do sonho primeiro. todo o líbano de palavras não seria suficiente, por isso qualquer silêncio de carinho mínimo já basta. entre sermões de pai e amassar de pão das mãos maternas, o mínimo vindo dela já seria dádiva.
porque só a justa medida do tempo dá a justa natureza das coisas
é o trecho sublinhado no silêncio de quem habita o incompleto.
sábado, agosto 04, 2012
três perguntas
papo com o marcelo costa, editor do scream&yell, em três perguntas sobre a harmada, o clipe de luz fria, o tributo ao yankee hotel foxtrot e outras pequenas coisas. http://bit.ly/3perguntasSY
já conversamos também, em 2005, sobre o ep da polar. leia aqui.
já conversamos também, em 2005, sobre o ep da polar. leia aqui.
quarta-feira, julho 25, 2012
segunda-feira, julho 23, 2012
f for fake
ela gosta de responder que é escritora, que vive vinte e quatro horas pra isso. sente que encontrou o caminho, que essa é a batalha por sua verdadeira vocação, o capricho de seu dom. mas é só observar a expressão quando a pergunta é sobre o dinheiro proveniente da atividade. nada? você não ganha nada? ah, então não é trabalho mesmo? mas você não faz outra coisa? isso porque a educação sempre impossibilita a vontade alheia do quem paga por isso?
ela cospe que ignorância é assim mesmo, que esses porcos só querem mamadeira e danoninho, essa banalidade de uma vida não artística, que ser escritor é resvalar a sarjeta, que a arte alimenta e engorda. mas não lhe falta nada. com mãe, pai e marido, a mesa de queijos e vinhos é sempre garantida. na verdade, pra ser escritora, só falta o livro.
ela cospe que ignorância é assim mesmo, que esses porcos só querem mamadeira e danoninho, essa banalidade de uma vida não artística, que ser escritor é resvalar a sarjeta, que a arte alimenta e engorda. mas não lhe falta nada. com mãe, pai e marido, a mesa de queijos e vinhos é sempre garantida. na verdade, pra ser escritora, só falta o livro.
quarta-feira, julho 18, 2012
I am trying to break your heart
Não me pergunte o que motiva alguém a fazer música. Também não sei qual é o desvio que nos apaixona, nem mensurar a dor quando tudo acaba. Só sei que algumas músicas são feitas para cobrir esse buraco do fim, pra não deixar encher a casa toda de arrependimento. Não sei mais nada sobre você, absolutamente nada. E acho que você se importa pouco com isso, o que tanto faz, já que você também não me importa mais. E felizmente, nunca existiu música alguma a seu respeito ou com seu nome. Apaixonada ou de dor póstuma. Mesmo sabendo que não é possível destruir a memória inteira, desse remorso não sofrerei. Aliás, onde eu estava com a cabeça que não parti seu coração?
* texto para o tributo aos dez anos do yankee hotel foxtrot.
* texto para o tributo aos dez anos do yankee hotel foxtrot.
terça-feira, julho 17, 2012
elefantes indesejáveis #2
[fita 1] provavelmente você ainda não pensou em registrar epifanias. antes de decidir gravar essa fita eu não tinha certeza de que o mal que o passado me fez foi em vão. até porque saber algo assim de véspera poupa sofrimento, mas também rouba o grande prazer de atropelar o tempo e os antigos inimigos. o ódio que você planta, dizem os idiotas, volta até você. tive a prova inequívoca de que um dia ele é colhido como uma árvore de beleza, o fruto frio é subestimado em sua contundência. a vingança é a mais bela forma de reconciliação pessoal.
Assinar:
Postagens (Atom)

