quinta-feira, setembro 30, 2010
setembro de passagem
ele pode dizer, pensar, escrever, fazer uma música, pode tentar mudar, evoluir, re-começar, pode fazer o que quiser, tudo ainda não foi feito, nem dito. nada existe. depois de uma grande limpeza, a vida começa outra vez. lava o rosto, o corpo, a alma. e tudo que já foi será completamente irrelevante agora. agora, palavra única e óbvia.
terça-feira, setembro 21, 2010
a parábola do encontro e do medo
"não, a lua é um deserto - desta esfera árida partem todos os discursos e poemas; e todas as viagens através de florestas, batalhas, tesouros, banquetes, alcovas, nos trazem de volta pra cá: o centro de um horizonte vazio." (ítalo calvino)
existe um segredo, quase mistério, e tudo que for feito para obstruí-lo é naturalmente desfavorável a quem precisa descobrir o caminho para a solução simples do enigma. nada deveria ser dito, muito pelo contrário, vive-se um dia, depois outro dia, e mais uma série de meses, e vivendo o que lhe é oferecido ao acaso aparece, imediatamente, como um solução viável. o jeito, ou o único jeito é o óbvio, o prazer mais banal entre os mais banais, a experiência, vocês dois, como uma música dos beatles, lírica quando é paul, ou quando uns dos dois representa paul no baralho do acaso, desequilibrada quando é john, ou quando na força, qualquer um de vocês for john lennon. entendeu? não vamos além da explosão natural, do que já acontece quando se encontram, do que já existe e não precisa ser discutido para evoluir, não pode melhorar porque já é maravilhoso, mas é tão isso que parece trágico ser tão explícito, talvez as pessoas não consigam dizer, ou melhor, não consigam apenas viver, aí vocês dois vão refletir, elaborar, criar sentidos e possibilidades baseadas em aprendizados prévios, quando todo aprendizado como esse não é mais que uma armadilha, que impede o agora, que atravanca o caminho, e onde tudo era natural e espontâneo cria-se um buraco totalmente desnecessário, um buraco que afasta pontos tão próximos, vocês dois, corações ridículos de tão disparados, um precisando um pouco do outro agora, momento de bênção, pensem bem e voltem ao rumo, que está aí, estampado em todos os lugares por onde passaram, cinema, bar, rua e escada, está no que não amedronta ninguém de viver, não tenham pressa, não, por favor. um horizonte vazio é a certeza de poder tudo, não tenham medo de nada.
existe um segredo, quase mistério, e tudo que for feito para obstruí-lo é naturalmente desfavorável a quem precisa descobrir o caminho para a solução simples do enigma. nada deveria ser dito, muito pelo contrário, vive-se um dia, depois outro dia, e mais uma série de meses, e vivendo o que lhe é oferecido ao acaso aparece, imediatamente, como um solução viável. o jeito, ou o único jeito é o óbvio, o prazer mais banal entre os mais banais, a experiência, vocês dois, como uma música dos beatles, lírica quando é paul, ou quando uns dos dois representa paul no baralho do acaso, desequilibrada quando é john, ou quando na força, qualquer um de vocês for john lennon. entendeu? não vamos além da explosão natural, do que já acontece quando se encontram, do que já existe e não precisa ser discutido para evoluir, não pode melhorar porque já é maravilhoso, mas é tão isso que parece trágico ser tão explícito, talvez as pessoas não consigam dizer, ou melhor, não consigam apenas viver, aí vocês dois vão refletir, elaborar, criar sentidos e possibilidades baseadas em aprendizados prévios, quando todo aprendizado como esse não é mais que uma armadilha, que impede o agora, que atravanca o caminho, e onde tudo era natural e espontâneo cria-se um buraco totalmente desnecessário, um buraco que afasta pontos tão próximos, vocês dois, corações ridículos de tão disparados, um precisando um pouco do outro agora, momento de bênção, pensem bem e voltem ao rumo, que está aí, estampado em todos os lugares por onde passaram, cinema, bar, rua e escada, está no que não amedronta ninguém de viver, não tenham pressa, não, por favor. um horizonte vazio é a certeza de poder tudo, não tenham medo de nada.
terça-feira, agosto 31, 2010
comum a todo mundo
qualquer um poderia vir aqui e dizer que viver é simples, eu mesmo já o fiz por muitas vezes, e também por muitas vezes disse que não é bem assim. um dia você acorda estranho, pensa bem, repassa na cabeça qualquer cena do passado e tudo vai depender mesmo é de uma coisa inexplicável que fica perdida entre o cérebro e o coração, você não é aquele do espelho, não se reconhece porque quer movimento, quer virar outro, a foto da frente na sequência natural da vida, mas não entende a real necessidade de transformar-se, será mesmo que só a mudança faz sentido? ou mudamos por incapacidade de sermos estáveis, mais profundos, por não conseguir aproveitar e aprender com o que recebemos da vida, de que vale mudar e mudar e mudar e nunca ser nada mais elaborado, será que uma colagem de pequenos momentos resolve a verdadeira necessidade que é resolver-se com quem você realmente é, porque tá parecendo que essa coisa de mudar tem a ver com colocar a culpa que é sua na conta dos outros, das coisas, do dia, da cidade, da falta de dinheiro pra comprar o mundo, e isso não vai mudar nunca, sempre vai faltar alguma coisa, sempre pode ser diferente, em outro lugar com outra pessoa. e aí? aproveita agora?
quarta-feira, agosto 18, 2010
andando
ainda seguindo o que pode ser. as portas que estão fechadas, mesmo com a cara do futuro, não parecem uma boa idéia. quando a única vontade é sentida junto a vertigem de quase rolar na calçada, o momento é mesmo de silêncio e reflexão. queria dizer que as coisas não mudam, mas fica impossível evitar a beleza que vai fugindo o tempo todo delas, hoje existe, amanhã nem tanto, depois já não se lembra, e quando a sensibilidade se dá conta, a vida é outra, tudo diferente, outra cara, outra coisa, outra cor, e não adianta insistir, o jeito é deixar-se mudar junto, adaptar o necessário, porque só assim acompanho a metamorfose que faz parte de mim, entristecer é ficar fotografado no passado, aquele que já foi, e não adianta empurrar a carcaça pro futuro, perdendo a oportunidade de ser a pessoa certa no seu momento certo, porque a vontade precisa mudar e o dono fica quase sempre parado, ofuscado por uma certeza antiga e desnecessária, a cabeça de ontem no homem de hoje, perdendo o passo de tudo que o peito quer, mas sendo assim coerente. o modelo do que se espera de alguém. que bela cagada. muito melhor seria ser nada.
terça-feira, agosto 03, 2010
filme de amor (90's)
- eu queria mesmo sair para um lugar como esse.
- legal aqui, não é?
- muito, o jardim parece perdido no tempo.
os dois viram filmes por toda a tarde, tomaram café durante a madrugada passada na loja 24 horas, esquina com a rua sem saída próxima ao apartamento dela, conversaram sobre smiths, cure e coisas de quem já passou dos vinte e cinco. precisavam disso, de tempo, sofá e filmes, comida, conversa, precisavam de um encontro. aconteceu há três dias no jardim botânico.
- você quer fazer mais alguma coisa?
- não. vamos comprar cigarros e voltar lá pra casa?
- vamos.
- legal aqui, não é?
- muito, o jardim parece perdido no tempo.
os dois viram filmes por toda a tarde, tomaram café durante a madrugada passada na loja 24 horas, esquina com a rua sem saída próxima ao apartamento dela, conversaram sobre smiths, cure e coisas de quem já passou dos vinte e cinco. precisavam disso, de tempo, sofá e filmes, comida, conversa, precisavam de um encontro. aconteceu há três dias no jardim botânico.
- você quer fazer mais alguma coisa?
- não. vamos comprar cigarros e voltar lá pra casa?
- vamos.
domingo, julho 25, 2010
do envelhecer amando
o amor aqui em casa amadurece de forma parecida ao crescimento das flores que cobrem a janela. a do ano passado está inesperadamente grande, forte e colorida. as desse ano precisam de mais espaço e vão, aos poucos, ocupando vasos maiores. você dorme aqui ao lado e já é hora de ir te acordar. evoluímos e crescemos juntos.
quinta-feira, julho 22, 2010
sonho número 401
é uma vontade tão descontrolada, coisa de não saber como algo fora de questão pode virar um pequeno hábito, que aumenta a cada passo em direção ao objeto, como uma promessa do impossível, cinza no fundo e manchas amarelas e azuis, como um vestido de noite contra a parede vermelha, quase isso, ou exatamente. para palavras que se quer usar, ruas possíveis, conversas intermináveis, as possibilidades são sempre a ruína de qualquer pobre diabo, faminto, grudado ao corpo mas correndo por fora dele, com o espaço inominável do cérebro onde se guarda esse tipo de coisa, lugar que ferve, lugar que arde na bagunça de ser a expressão descontrolada do inconsciente, que deveria dormir em paz, que nem deveria existir, escapando pode ser perigoso, destrutivo, um horror para a sanidade do óbvio, mas colírio para a sanidade da alma.
quarta-feira, julho 21, 2010
pequeno dicionário de vidas
ele chega por volta das dezoito horas, descendo a paulista devagar, ainda existe luz do sol, mesmo com as lâmpadas aquecidas para uma longa madrugada, quer vê-la porque está fora do juízo, porque não pensar também faz parte das escolhas possíveis, as coisas são o que são, e ninguém pensa na hora de fazer exatamente o que quer fazer, ou pelo menos não deveria, ele aceita a consequência e aproveita o momento para ser o dono da situação, escolher com que tipo de crueldade vai conduzi-la até o hotel e ser o homem que ela precisa. afinal, ela quer e toda necessidade é urgente. faça a sua vontade. com o ódio que ela merece e seu profundo e inevitável prazer. os dois ganham.
sexta-feira, julho 09, 2010
meu abrigo
já vivemos tanto, por beijos, por gritos, por ódio temporário e amor contínuo, mas quase nunca conseguimos não depender um do outro, você precisa estar aqui pra me fazer melhor, minha mulher, esposa, companheira, nunca duvide da força que me move até você, da falta que sinto antes mesmo de pensar, do como essa casa só existe porque você move a nossa vontade, organiza a minha falta de jeito, é grande até quando precisa de mim. eu que sempre te quis, eu que não sabia que a vida era tão fácil até a vida virar metade você, olha agora, percebe o quanto tudo que fizemos tornou o amor natural, uma obviedade de te procurar ao lado do meu corpo, no quarto, no banheiro, no tempo que nos levou de uma janela sem cortinas, de uma cama curta a um longo abraço, e estamos aqui, não precisando pensar no amor, nem na palavra, pensando em livros, em trabalho, em vida após os 22, ou 28 no meu caso, somos maiores porque somos dois, e não tenho medo nem vergonha de dizer que preciso de você em casa, dos seus conselhos, sua raiva, preciso para ter certeza que existo e faço sentindo, que na morte, quando o filme passar editado pela cabeça só vai dar você, em cores, fotografada na luz do jardim da chácara do céu às quatro da tarde, entre o amarelo e o verde, um dia inteiro feliz, como sair da água do mar naquela tarde no leblon, ou sentir sua mão na cabeça enquanto vomitava voltando da morte com o sou nascendo no ano novo. meus buracos, meu orgulho, tudo que me diz respeito vai passando por você e entendo isso dia por dia, como que narrado pela sua voz. eu só sou o que você é comigo. uma coisa só. óbvia, direta e indissociável.
terça-feira, julho 06, 2010
desenho azul e preto
pela rua, como em uma folha em branco, ela pisa as pedras do largo qual ao rio são francisco. a vontade ferve por dentro, a respiração é qualquer coisa, quase o não pensar, o corpo tomando conta, o cérebro vazio e áspero na teia do caminho que deságua naquele sobrado azul. ela sobe.
- quer que seja assim?
- sim.
a blusa de listras ultrapassa a pele dos braços como quem diz que é necessário, ela vai mostrando o corpo e estaciona como uma entidade para seu ebó, purificando instantaneamente a alma. o ruído das pessoas, a luz do fim do dia inundando as persianas, tudo parece desacelerar.
e ele não tem tempo de nada além do que olhar por horas.
sem palavras.
- quer que seja assim?
- sim.
a blusa de listras ultrapassa a pele dos braços como quem diz que é necessário, ela vai mostrando o corpo e estaciona como uma entidade para seu ebó, purificando instantaneamente a alma. o ruído das pessoas, a luz do fim do dia inundando as persianas, tudo parece desacelerar.
e ele não tem tempo de nada além do que olhar por horas.
sem palavras.
quarta-feira, junho 23, 2010
desenho mediterrâneo #2
ali parado, entre duas ruas que levam ao seu ateliê, ele fuma o último cigarro do dia com o café no copo de plástico e a alma perdida no verde das palmeiras que brotam na calçada. está leve, são, e pensa em começar a vida outra vez, limpando o passado, te convidando para uma volta que será o tempo de dizer o que se pesa antes de dizer, o medo, mesmo querendo ser outro, mesmo querendo ser nada, com você ele pode conversar sobre as horas, as cores, a casa de pé direito alto que te abriga, a vida que te separa de não esperar mais que um momento, tempo exato da felicidade. quem sabe, a hora onde não se entende, não se lembra, a hora passada antes de chegar. esboço solitário do devir.
quinta-feira, junho 17, 2010
desenho mediterrâneo #1
o som da noite aqui é quase tátil, quase azul, e eu sei que te procurar por essas ruas talvez seja um jeito de querer te achar em casa, entre as almofadas que são a cor do seu dia-a-dia, sua morada, e enquanto você dedica a vida ao meu sonho, eu me dedico a te encontrar, dizendo que é simples o caminho pra você, dizendo: fica, que você quer estar aqui, e sabe que eu penso e repenso tudo antes de ser, de escolher quem eu posso representar na sua fábula, de verde lá fora e parede branca coberta de papel avermelhado, foto cortada, alma de velho, eu sei, te conheço bem, alma de fada. pois bem, não doeu, não é nada.
absolutamente nada.
absolutamente nada.
terça-feira, junho 15, 2010
a base das considerações
você pode até achar que a espera é longa. quem sabe exatamente o que deve ser feito está ignorando o tempo, o acaso, a sorte de topar com a sua própria realidade e finalmente fechar um ciclo de vida. a matéria prima para ser quem se quer não é óbvia, não está organizada em livro ou dá pra baixar na internet, a solução chega com a vivência, o erro, a escolha equivocada, chega com a admiração e loucura de qualquer sonho impossível. tentativa e transformação. qualquer idiota segue a vida, deixa a vida ser e não responde, já os que andam com a urgência no bolso precisam de movimento, de observar a beleza nos outros para encontrar algo de si, um pedaço próprio, perdido, que na frente encontra outro, e mais outro, e os seus pedaços criam uma imagem temporária e plena da emancipação que é o exercício de viver o exercício.
equalizando a distância entre a elaboração e a prática.
equalizando a distância entre a elaboração e a prática.
quarta-feira, junho 02, 2010
entrepausa
por toda a cidade as coisas ficam entre a luz do que ele quer e a percepção do real, desenhos cuidadosos de uma coisa possível, um outro sonho, que quando acontecer será melhor e diferente da imagem factual de elaboração, confecção simples e artesanal do desejo, colorido, ela, sempre ela, a incógnita da vontade, o esboço da realização. ele quer o amarelo do impossível. e com urgência.
segunda-feira, maio 31, 2010
carta simples datilografada
se você ainda falasse comigo, se ainda fosse possível te encontrar, eu diria que o tempo foi bom, que passar esses dez anos me afastando do teu cheiro, dos seus cabelos encaracolados, dessa sua bondade esquizofrênica e a pele do seu rosto, tudo isso valeu a pena, mesmo não sendo planejado, aconteceu, um dia eu estava na cama do cubículo que me cercava de ódio, que me desintoxicava do que você havia me transformado, um ser óbvio, patético, eu estava lá olhando o teto e tentei repetir mil vezes o dia em que você apareceu, o show do sean lennon, o carro pela cidade de merda que era a nossa, e não consegui, não conseguia nem me mover. pra você eu nunca aconteci, eu passei, deixei marcas no seu piano, mas ser a transformação que iria te tirar desse buraco, eu não fui, mesmo parecendo surreal hoje pensar naquela viagem, em são paulo te engolindo com suas catedrais imundas, que caminhão te atropelou, minha filha, só eu sei, acompanhei a expressão dos seus olhos gravando tanto concreto, todos aqueles prédios, a sujeira de uma cidade de verdade, não essa merda sem cheiro a que fomos acostumados, mais velho ainda sou o mesmo, e não deixei o medo diminuir a minha vontade de tocar a vida pra frente, lembra, nós queríamos países, que piada, você não aguentava ir até a esquina e eu te amava, agora me explica, por que eu era tão idiota? queria mesmo te trazer até aqui e não conseguia entender que a vida vai pro lado que a gente aponta, não o contrário, mas eu mesmo posso dizer que plantei toda essa impossibilidade, que menti, que inventei, que não era adulto suficiente, que não era nada pra você. você podia ser. eu ainda não. nesses dez anos perdi todos os amigos, os caminhos que eram seguros, muita gente me odiou até aqui, até conseguir ser quase esse cara que é a tua cara metade, a tua cara metade do passado, mas infelizmente, você já era, e um dia eu volto pra te escrever uma carta nova, te mandando ir a merda, que você merece e não merece, ao mesmo tempo, é um pouco confuso, mas talvez faça sentido se conversarmos pontualmente a verdade, coisa que não consigo com facilidade, mas ando precisando, limpar o inventado e enfrentar a vida sem narrativa elaborada, dizer, eu te amava, muito, sofri muito, mas segurei firme e agora estou pronto pra verdade, para as minhas verdades, que são tantas, todas soterradas pelo meu medo de ser quem eu sou. um cara óbvio, já disse. que quer apenas acertar as contas com o passado para descansar e ser eu mesmo. só isso.
quarta-feira, maio 12, 2010
um vazio de tédio e desencontro
quando não se quer algo, quando não se quer nada, a vida toda está errada. ela, a garota, não consegue unir os pedaços de trajetória que guarda em uma caixa de sapatos listrada. andou todo o caminho e não sabe que curva diz alguma coisa sobre ela mesma, qualquer coisa pouca, um detalhe, que esclareça o que é ser alguém hoje em dia. tudo parece vazio e os círculos não se encontram em nada, são vários, um amontoado de espaços vazios. ela passa o tempo pensando em que razão ele poderia ter para não deseja-la, mas a vida é óbvia quando bate no rosto, você é um tesão, claramente o sonho de quem quer desafogar um sonho, corpo de sangue, seios e bunda, ironia de olhar agora, filha de um passado onde sou puro, amoroso, apaixonado, logo ela que era um poço de certezas e descobertas sobre a vida, que engraçado, ela, um navio enorme, não sabe onde enfiar a cara.
e o lobo a espera ali na frente. sedento.
e o lobo a espera ali na frente. sedento.
sexta-feira, maio 07, 2010
sobre o sentido ou nota afetiva da redação
viver dentro de uma história, ser parte de uma narrativa, é muito mais satisfatório do que viver sem uma. eu nem sempre sei qual é a narrativa, porque estou vivendo minha vida e nem sempre refletindo sobre ela, mas enquanto edito estas páginas estou consciente de que tenho uma certa vontade de ver minha caminhada, às vezes aleatória, como se tivesse um plano, um fim guiado por alguma história subjacente. imagino que se pudesse me afastar e olhar para a minha vida, eu veria que esta série de encontros e eventos não foram simplesmente aleatórios, que tiveram que acontecer do jeito que foi. na medida em que a história é reescrita de novo e de novo, eu começo a imaginar que as nossas vidas aqui têm tantos fios narrativos possíveis - que o número de histórias humanas é certamente infinito. heroico, trágico, chato, catastrófico, ridículo e belo. todos nós vivemos essas histórias e, quase sempre, nossa narrativa inclui mais de uma delas.
david byrne, bicycle diaries
david byrne, bicycle diaries
sexta-feira, abril 30, 2010
sexta-feira
chove fino. a idade hoje não é uma curva tão fechada nos primeiros trinta anos. os vestidos da cidade querem cores mais azuis, mais amarelas, mesmo o tempo ficando cinza e negro no céu, tudo parece meio adocicado e breve, como viver poder ser mágico, um sopro, passos pela avenida aberta de pessoas e carros, de cores, ruídos, de vida. hoje é sexta-feira viva. e simples.
quinta-feira, abril 29, 2010
ponto final
construir casas, escrever livros, pensar, viver, amar, dormir, comer, transar, trepar, gostar, sofrer, esquecer, odiar, querer o impossível ou o óbvio, muito ou pouco, entrar pra história, ser esquecido por todos, o mesmo ou bem diferente, cortar o cabelo, a barba, mudar o mundo, mudar o seu lugar, morrer por uma idéia, por amor não correspondido, por filho, doença ou desespero, desejar além do determinado, ou não ter vontade suficiente, mudar de sexo, país ou endereço, até de nacionalidade. jovem, adulto médio ou terceira idade. classe a, b, c ou d.
tirar cpf, rg, título de eleitor, reservista, pis e carteira de trabalho. pagar inss, imposto de renda, contribuição sindical ou desviar dinheiro, traficar, mandar no jogo do bicho, matar, roubar, ser proxeneta e dependente químico.
famoso, intelectual ou ex-big brother. construir pontes, desenhar ruas, vender discos, frutas, eletrodomésticos, televisores, filmadoras, câmeras fotográficas, biscoitos, cigarros ou trabalhar em centro cultural da caixa econômica federal.
qual é o sentido?
se a morte é o ponto final que iguala toda e qualquer trajetória?
tirar cpf, rg, título de eleitor, reservista, pis e carteira de trabalho. pagar inss, imposto de renda, contribuição sindical ou desviar dinheiro, traficar, mandar no jogo do bicho, matar, roubar, ser proxeneta e dependente químico.
famoso, intelectual ou ex-big brother. construir pontes, desenhar ruas, vender discos, frutas, eletrodomésticos, televisores, filmadoras, câmeras fotográficas, biscoitos, cigarros ou trabalhar em centro cultural da caixa econômica federal.
qual é o sentido?
se a morte é o ponto final que iguala toda e qualquer trajetória?
terça-feira, abril 20, 2010
back home
hoje volto ao passado por cinco dias, tempo que a memória guarda no fundo do armário. praia, céu e um casal me levando pela mão, sempre, dias felizes na década de oitenta, momentos que só existem no que é afetivo, inventado, querido, quase irreal. quem eu sou está lá. eles eram, eles são a minha vida. os dois.
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