sábado, março 27, 2010

a cor que falta no futuro

a cor que falta é sempre a cor do impossível. a revolução é o tempo como cada coisa chega ou vai. o movimento na vida (mesmo que contra a vontade) existe com um relativo sentido. ela não passa mais por aqui, eu diria. mas existe. no detalhe, no que sobra, no que pode ser. o futuro. a maior dádiva da vida é o futuro. ele acerta as contas, facilita o caminho, muda o que é bom, relativiza o que não presta, melhora, piora, muda. e mudar é bom, é saudável, é necessário. mudar é necessidade. o futuro é necessidade mesmo parecendo estar tão longe, parecendo não existir, ele existe no improvável, no vazio, no nunca que é óbvio. não duvido do futuro. não duvido de mim. não duvido de nada. e duvido de tudo. sempre e ao mesmo tempo.

terça-feira, março 16, 2010

meio

por aqui anda tudo no meio. o fim é lento.

quinta-feira, março 11, 2010

agora mesmo

eu mudei. ela mudou. ela, a vida. as coisas estão no canto da mudança e ainda não sei o que vai acontecer. preciso é voltar a escrever meus pequenos épicos de amor, ódio e vida em cores, coisas onde ela use um vestido verde, uma sandália amarela ou um cachecol de colorbar. o caminho anda me ocupando mais que o sonho. sonhei demais antes para plantar esses dias de hoje que sinto falta de sonhar para plantar o amanhã, sinto uma falta patológica, resistente, quase saudade.

eu vou voltar a sonhar. eu preciso. eu quero. eu não vivo sem isso.

segunda-feira, março 01, 2010

março

começando mais um mês. ainda sem saber exatamente para onde vai o barco, ele espera o vento para entender o caminho. sem parábola, sem luta clara, sem receituário. com calma a vida não se explica, só existe, e entender não é ainda o objetivo.

terça-feira, fevereiro 23, 2010

quinta-feira, fevereiro 18, 2010

bloco da mudança

meio fora de moda, o bloco da mudança passou pelo carnaval e agora começa a recuar na dispersão. com calma todo mundo lava a rua e a roupa vai pro armário, já que transformação não tem data anual, ninguém sabe quando volta, mas todo mundo ainda dança no resto de samba torto que sobra. sem pensar no futuro.

vamos vivendo. vamos viver.

é o refrão que separa o bloco e apaga a luz.

sexta-feira, fevereiro 12, 2010

depois de seis anos

2004/2010. mudei. a primeira noite foi como todo recomeço, o vazio e as caixas estão amontoados pelos cômodos. a casa e a rua têm o barulho da paz. o verde, o sol, a luz de um lugar distante, de um passado que não era meu até agora. o amor agora soma, a vida continua com suas dificuldades e surpresas. estamos felizes. nervosos. estamos juntos e inteiros.

segunda-feira, fevereiro 08, 2010

tudo, sempre, tudo, agora

parece que agora é definitivo. mudança até sexta. depois de seis anos vivendo com as raízes firmes no mesmo lugar, uma escolha que teve início, meio e fim, agora volto ao acaso, ou a certeza de que quero continuar. não sei do futuro e ainda espero definições que talvez não veja, talvez não sejam exatamente definições, tudo no meio desse rio pode ser ou não, eu quero, eu sonho, mas certeza é artigo de luxo, é rara, é única e demora a chegar. aprendi que não adianta dizer a hora, tudo só acontece quando a vida quer, o natural e óbvio deveria ser mais natural e óbvio, principalmente para os planos, mas já que não existe roteiro, vou mais uma vez aceitar a vida como ela vier, e tentar aprender a não sentir todo esse peso, e talvez rir na água do mar desse verão que existe, meio que contra a vontade de todos. como a vida parece também existir.

terça-feira, fevereiro 02, 2010

sonhando

duas noites com conexão de sonhos. ele não consegue arrancar em uma corrida, não acelera o passo, não explode o necessário para sair em disparada. é o momento em que a vida pode cair para um lado ou para outro, a curva, o retorno, a avaliação do tempo, o passado que ainda não quer ser futuro, o cérebro usa a metáfora dos pés, da corrida que é liberdade, que é o exemplo mais básico da vontade.

tudo pode acontecer agora. e eu espero.

sexta-feira, janeiro 29, 2010

todo buraco

todo buraco tem um sentido. um motivo. as coisas são porque são. você cava e naturalmente vai encontrando o lugar mais fundo, o erro, o vazio, que no fundo do tal buraco é a certeza que está, livre e vazia, como qualquer boa certeza. como qualquer bom buraco. o mesmo.

segunda-feira, dezembro 28, 2009

quase dez

os últimos dias do ano são estranhos. mais luz e ruído ainda. e eu aos vinte e oito anos faço uma edição da minha vida pós 1994 e chego a conclusão que não se pode prever nada. é básico e ridículo de tão normal. estamos acostumados a viver os últimos dias com a ressaca das derrotas sepultadas e a euforia de uma mudança futura, que pode vir, ou não, ou pelo menos não será tão óbvia quanto a força do acaso, essa sim é pontual, vem como um caminhão e até hoje não sei o que pode acontecer na esquina, a morte, a rotina, o tiro, a dor, a doença, o sexo, a cor, o vestido, o chão, a mão, o gozo, todos são tão possíveis que não resta dúvida de que a melhor opção é abrir as pernas. de olhos abertos.

sexta-feira, dezembro 25, 2009

natal

vinte e quatro:

sete da manhã saindo de casa, oito chegando no terminal rodoviário novo rio, encontro um amigo que pelo menos salva o tempo de espera, o ônibus que era das 8:13 saiu depois das nove, pausa para comida cara de beira de estrada, durmo, chego em campos depois de uma da tarde, compro a passagem, o jornal, espero sentado.

o ônibus das três chega 15:30, as pessoas brigam por um lugar para sentar, exatamente como na barbárie do metrô no rio, tenho certeza que eram mais de 100 em um ônibus de lotação 50. por sorte, sentei.

o motorista no processo de amontoar pessoas, só deu a partida depois das 16:00. todo mundo sempre faz piada da desgraça, chove, eu durmo. o caos não parece durar muito, bem-vindo à itaperuna, a placa é quem diz.

vinte e cinco:

pensando, basicamente isso.

na vida, na casa, na sorte.

natal é sempre a mesma coisa.

(canção)

i don't want you coming here
no way, no way
i can't have you staying here
no way, no way

everytime i close my eyes
i want to walk with you in moonlight
and i know you're not intending
to go on just pretending
but i think it's for the best

quarta-feira, dezembro 23, 2009

23 de dezembro

a ansiedade está em tudo. nas luzes, presentes, filas, dinheiro gasto, nos cambistas de rodoviária, a vontade fica na intenção de preencher os espaços, o vazio, o tempo que já foi e agora o jeito é renovar o ano, apagar os erros pra começar uma transformação, mesmo que seja só de números. vai ter ceia, família, comida, gente feliz, gente triste, alguém que casou, outro que está doente, vão lembrar do pai que morreu, da mulher que fugiu, do filho que não veio, do emprego, da dor. vão lembrar e esquecer também.

vão assistir tv, mágico de oz, como um dia eu fiz, depois da única missa que fui na vida. ela estava na ceia de alguém que amava alguém que já morreu. e eu fiquei em casa. triste. sozinho. pensando que nada mudaria e aceitei o fracasso. o peso da derrota enquanto a derrota durou. vinte e quatro horas. no máximo. mas doeu pra burro.

um ano inteiro não curou. a vida seguiu e eu pensei em escrever algo que seria um acerto de contas com aquele dia, aquela natal, aquele ano. ainda não consigo.

terça-feira, dezembro 22, 2009

retorno, sempre, retorno

a razão que você espera pra ontem pode levar mais de cinco anos pra acontecer, a vida corre, o acaso trabalha, as coisas mudam, as pessoas passam, e quem diz que faz o seu destino é mentiroso. o destino é quem te faz. e você só escolhe se é azul ou amarelo, rio ou são paulo, hoje, amanhã ou nunca, até que juntando um monte de dias, de erros, de gente, de tempo perdido, felicidade, alegria e frustração, você para pra pensar e vê que a curva chegou, tudo fez sentido, a volta está completa e pra começar outra linha reta não se apaga o passado, no fundo é tudo meio misturado, as pessoas voltam, a vontade retribui as energias perdidas no passado, o sonho cai no colo, o que importava agora já é um saco, e tudo é felicidade ou não. bem simples. meio químico, meio místico.

domingo, dezembro 06, 2009

flor

saudade da minha menina. ana carolina. ponto.

sábado, novembro 28, 2009

quatro anos

hoje esse blogue/hotel completa quatro anos de exercício de textos, vivência e desdobramentos naturais disso tudo. usado como lugar de passagem da minha vida e imaginário, tenho orgulho de tudo que aconteceu por aqui.

pretendo seguir até quando a vontade permitir e ainda quero que a maioria das intenções em relação a ele possam se realizar. obrigado a quem passa só pra dar uma olhada e aos que sempre estiveram aqui nesses quatro anos.

de coração.

terça-feira, novembro 24, 2009

correspondência: conjunto de cartas que recebemos/escrevemos.

passado: que passou ou decorreu; seco; trespassado; o pretérito.

segunda-feira, novembro 23, 2009

correspondência fora da validade

correio já não se usa para ser útil.

feliz constatação agora que quero escrever para acertar as contas com o que ainda resta de peso em mim, tenho que escrever para o passado, dizer o que penso de tudo que passei para os fantasmas, esclarecer, refazer um caminho que não sei enfrentar como homem. cheio de buracos, vaidades, pequenos lapsos que criei até aqui para disfarçar o que outros chamariam de erro, ponto fraco, lugar onde não tenho coragem de tocar. meu espelho sem reflexo. onde posso ser claro para muitos, mas obscuro para mim, falando de uma coisa que sequer me diz respeito, não depende da minha opinião ou vontade, fui covarde e nunca mais voltei a ela.

não voltei onde não sou medo, infantilidade ou circunstância.

onde não sou nada. nem um nada.

agora que sei que é impossível, posso tentar escrever uma carta, falando, falando, falando, só isso já deve adiantar, mesmo não sendo importante ou necessário, eu quero tentar pra ver se alguma coisa sai, ou serve, ou acontece, ou muda em mim.

só em mim, veja bem.

uma carta pra ninguém, pro passado, minha para alguém que não precisa ler. não é carta por contato, para interação, comunicação qualquer. carta por utilidade subjetiva de estilo, não necessariamente prática, pelo puro prazer da experiência com a verdade sensível, com a beleza de um sonho, de uma possibilidade que passou bem longe das minhas posses, das minhas virtudes, da minha vida, foi o canto da sereia óbvio.

não aconteceu.

quando vira carta, não foi nada.

sábado, novembro 21, 2009

do mesmo lado agora outro

aqui já é verão. como costuma ser.

ainda amo, sinto, vejo, como, durmo e deixo o vento ir.

a tempestade sempre passa. alguma hora acaba passando.

já foi. deixando o tamanho do ponto final.

e um dia perdido que parece lindo lá fora.

segunda-feira, novembro 16, 2009

atualizando

melhorando o humor, a saúde, o sono, voltando a escrever, a sonhar com uma organização definitiva para a minha própria falta de atenção, tratamento breve de vida, pensando, querendo, desejando uma casa nova, um ano novo mais colorido, desatolado de compromissos, com mais dinheiro, trabalhos, praia, sol e água gelada no mar. sem passagem violenta, colheita natural de frutos.

quando a minha vida começa a me encontrar, eu sou mais.