Faz calor. Ela é tão doce, mesmo magrinha desse jeito. A gente come frango de padaria em mesa de bar, quindim e café no caixote da feira. Eu bebo uma cachaça depois pra pensar melhor. Cortaram a luz. Contaram outras verdades inconvenientes. Vou viajar, a vida nova não vai. Carolina não decide logo segurar minha mão e seguir pela 28 de setembro.
Ai, que vontade de mudar TUDO. O meio do caminho leva a loucura.
quarta-feira, outubro 31, 2007
quarta-feira, outubro 24, 2007
As luzes do meu bairro
Antes de sair
não esqueça de trancar a porta
e molhar as plantas
que hoje eu vou chegar
mais tarde em casa
deixei a chave em cima da TV,
café pra esquentar
e aquele incenso que você pediu
eu coloquei no armário
junto da conta de luz
e às duas chega o rádio
que levei pra consertar
o mundo inteiro agora sabe
que fizemos uma escolha
não esqueça de trancar a porta
e molhar as plantas
que hoje eu vou chegar
mais tarde em casa
deixei a chave em cima da TV,
café pra esquentar
e aquele incenso que você pediu
eu coloquei no armário
junto da conta de luz
e às duas chega o rádio
que levei pra consertar
o mundo inteiro agora sabe
que fizemos uma escolha
sexta-feira, outubro 19, 2007
Re-começando as mesmas coisas pós Buenos Aires
Ela sorri e (puta-que-pariu) tudo fica um milhão de vezes mais bonito. Sério, desisti de tentar entender e só quero mesmo um beijo, um abraço forte ou uma visita lá em casa pra assistir tv, qualquer coisa que leve esse beleza toda pro meu mundo sujo diariamente.
Hoje ela parecia diferente, sem medo, mais perto do que eu sempre digo, levando a sério a mudança de forma, talvez até aceitando a possibilidade de um "nosso" além do sonho antigo. Cortou o cabelo com um húngaro que não sabia falar espanhol e ainda teve coragem de dizer que ficou feio, que não soube explicar a ele um negócio lá de corte com duas camadas.
Besteira, lindinha; o tal do húngaro sacou mesmo é que a sua nuca merecia andar pelo Rio de Janeiro sem nada. Sem cabelo nenhum pra esconder a vontade que tenho de te levar pra casa. Pra sempre e não te devolver mais lá para aquela cidade no interior.
Que árvore-filho-livro, o quê... agora eu gravo um disco, escrevo um Gávea-Hardcore e amo uma mulher. Com cabelos, nuca, olhos, boca e tudo mais que eu tenho direito.
Hoje ela parecia diferente, sem medo, mais perto do que eu sempre digo, levando a sério a mudança de forma, talvez até aceitando a possibilidade de um "nosso" além do sonho antigo. Cortou o cabelo com um húngaro que não sabia falar espanhol e ainda teve coragem de dizer que ficou feio, que não soube explicar a ele um negócio lá de corte com duas camadas.
Besteira, lindinha; o tal do húngaro sacou mesmo é que a sua nuca merecia andar pelo Rio de Janeiro sem nada. Sem cabelo nenhum pra esconder a vontade que tenho de te levar pra casa. Pra sempre e não te devolver mais lá para aquela cidade no interior.
Que árvore-filho-livro, o quê... agora eu gravo um disco, escrevo um Gávea-Hardcore e amo uma mulher. Com cabelos, nuca, olhos, boca e tudo mais que eu tenho direito.
quarta-feira, outubro 17, 2007
Desculpas
Tá lá no site do jornal EXTRA aqui do Rio:
"Vocalista da banda Perdidos na Selva, Rodrigo Quik se lança em carreira solo com o CD de cinco faixas, que, apesar do título, traz boas canções sobre relacionamentos — caso de “Da primeira vez”, do Ludov, e “Desculpas”, de Manoel Magalhães (clique aqui e ouça)."
Link Original: http://extra.globo.com/lazer/sessaoExtra/post.asp?cod_Post=73801
"Vocalista da banda Perdidos na Selva, Rodrigo Quik se lança em carreira solo com o CD de cinco faixas, que, apesar do título, traz boas canções sobre relacionamentos — caso de “Da primeira vez”, do Ludov, e “Desculpas”, de Manoel Magalhães (clique aqui e ouça)."
Link Original: http://extra.globo.com/lazer/sessaoExtra/post.asp?cod_Post=73801
quinta-feira, outubro 11, 2007
Harmada - Set-list (provisório) do disco
01- Sirenes e Alarmes
02- Luz Fria
03- Besteira Acreditar
04- Moll
05- Londres
06- Bairro Peixoto
07- Faça por mim
08- Lucidez
09- Lua Nova
10- Hospital
11- Nunca foi tarde
12- Sombras por aqui
www.luzesdomeubairro.com
02- Luz Fria
03- Besteira Acreditar
04- Moll
05- Londres
06- Bairro Peixoto
07- Faça por mim
08- Lucidez
09- Lua Nova
10- Hospital
11- Nunca foi tarde
12- Sombras por aqui
www.luzesdomeubairro.com
quarta-feira, outubro 10, 2007
Vida-ao-vivo
Tudo vai mudar agora, muito rápido. Eu assino e vou em frente como o Polaco: separando o tijolo do trigo. Vamos viver mais e melhor, eu digo.
quarta-feira, outubro 03, 2007
Mariana bem de perto - Fragmento
“Musical - mudo, obsessonho sem diálogo, haikai com ou sem haikai, repetição de imagem-sonora que não se repete, extra-angulação, estrangulamento em tomadas trans-fixas, dureé (eternidade eternidade eternidade do sonho), psihitchcose: We are such stuff-as dreams are made on.” – Júlio Bressane, 1977.
As gotas finas da chuva fria de Junho lambem os toldos dos bares na Glória e as pessoas se escondem por onde o inverno não aperta tanto. Mariana sobe a Rua Cândido Mendes no início da tarde e fecha o casaco, lembrando de uma canção que provavelmente não diz lá grande coisa, mas ela segue feliz, procurando na calçada um ritmo para os passos e conta no relógio do telefone celular os minutos que ainda faltam para o encontro marcado no número 72.
- Seis minutos. Ela diz mentalmente e começa a retardar sua marcha, tentando não chegar muito cedo e ao mesmo tempo não querendo pensar no que fará lá dentro. Fica em silencio e dessa vez não faz plano algum.
Ela não sabe por qual lugar ele chega, nem como entra no casarão abandonado. Já se cansou de perguntar, e agora enfim, aproveita os vinte minutos que dispõe todas as tardes e não arrisca a possibilidade de contrariá-lo outra vez. Ele é temperamental em seu silêncio e talvez não apareça nunca mais. Mariana imagina, com medo, isso acontecendo todas as noites antes de pegar no sono.
As gotas finas da chuva fria de Junho lambem os toldos dos bares na Glória e as pessoas se escondem por onde o inverno não aperta tanto. Mariana sobe a Rua Cândido Mendes no início da tarde e fecha o casaco, lembrando de uma canção que provavelmente não diz lá grande coisa, mas ela segue feliz, procurando na calçada um ritmo para os passos e conta no relógio do telefone celular os minutos que ainda faltam para o encontro marcado no número 72.
- Seis minutos. Ela diz mentalmente e começa a retardar sua marcha, tentando não chegar muito cedo e ao mesmo tempo não querendo pensar no que fará lá dentro. Fica em silencio e dessa vez não faz plano algum.
Ela não sabe por qual lugar ele chega, nem como entra no casarão abandonado. Já se cansou de perguntar, e agora enfim, aproveita os vinte minutos que dispõe todas as tardes e não arrisca a possibilidade de contrariá-lo outra vez. Ele é temperamental em seu silêncio e talvez não apareça nunca mais. Mariana imagina, com medo, isso acontecendo todas as noites antes de pegar no sono.
segunda-feira, outubro 01, 2007
Paulo. #2
Em carta a Augusto de Campos, escrita três meses depois da chegada ao Rio, ele mandava notícias dizendo que "Descartes está no trópico", citando Panis et Circenses:
O nome da obra vai ser (quase certo) CATATAU. Estou morando no Solar da Fossa onde morou Caetano. "Mandei plantar folhas de sonho no jardim do Solar". Caetano plantou, Leminski colhe. A minha hora vai chegar, está chegando.
O nome da obra vai ser (quase certo) CATATAU. Estou morando no Solar da Fossa onde morou Caetano. "Mandei plantar folhas de sonho no jardim do Solar". Caetano plantou, Leminski colhe. A minha hora vai chegar, está chegando.
Paulo. #1
Só então Neiva saberia que Paulo era irmão de Pedro, de quem fora colega de escola durante anos, do primário ao ginásio. Ao chegar em casa, nesta mesma noite, Leminski tratou de contar imediatamente a novidade ao irmão:
- Pedro, é com imenso prazer que lhe comunico que estou namorando uma guria da sua turma.
- Verdade? Como é o nome dela?
- Neivair, que vocês chamam de Neiva.
- Sei. Mas ela é feia, Paulo!
- Era!
- Pedro, é com imenso prazer que lhe comunico que estou namorando uma guria da sua turma.
- Verdade? Como é o nome dela?
- Neivair, que vocês chamam de Neiva.
- Sei. Mas ela é feia, Paulo!
- Era!
domingo, setembro 23, 2007
Sirenes e Alarmes
Se você quiser
eu já nem sei
por onde te levar
e tudo é maior que
a vida que perdi
nos dois anos sem você
agora seja o que for
só não entenda como
se fosse o fim.
[continua]
eu já nem sei
por onde te levar
e tudo é maior que
a vida que perdi
nos dois anos sem você
agora seja o que for
só não entenda como
se fosse o fim.
[continua]
quinta-feira, setembro 20, 2007
Eles
Enquanto ele fala ao telefone, a menina de 2003 atravessa a arquitetura soviética do prédio de doze andares, ainda com suas panturrilhas transparentes de tão brancas, logo abaixo do vestido solto e sem cor; e ele ainda quer leva-la pra casa, quer dormir do mesmo jeito, com o tapete e os lençóis estendidos fora da cama, quer trepar com ela ali mesmo, naquele lugar de sempre, no chão, doendo os cotovelos, forçando os braços no rosto de Juliana, os cabelos claros escorrendo nos dedos, ela amando e dizendo que ama mesmo, e pronto; sem frescura de dizer o que dá vontade de dizer.
Eles sim, foram um casal.
Eles sim, foram um casal.
segunda-feira, setembro 10, 2007
The Killing Moon
A noite vai caindo e estou na grande janela da sala, fumando outro cigarro, enquanto ela coloca o espelho entre o chão e a parede e começa a se maquiar sentada no colchão estendido por ali mesmo, perdida entre almofadas e cobertores de retalhos coloridos. Bebemos e viajamos pela noite anterior, mas o cansaço é leve e não tira o prazer de ter ido dormir já com o sol no céu e ela deitada ali, os olhos enormes como a felicidade de novamente ser um casal que caminha conversando pela madrugada.
Minha mulher usa um vestido negro tão bonito e não consigo deixar de rir quando ela diz que odeia televisão, vou até lá, beijo seu rosto e digo que adoro quando tudo é engraçado assim, quando ficamos em silêncio ali, naquele cômodo gigante, e não importa se vamos a um desfile de moda ou se trocamos a chatice por cerveja e um churrasquinho gostoso, o que vale mesmo a pena é conseguir superar o atropelo dos dias, é saber que passamos pela tempestade e ainda saímos mais fortes. Agora tudo parece novo e o caminho não é óbvio, exatamente como você gosta.
Ela permanece linda, em silêncio, compenetrada na maquiagem e talvez nem imagine a sorte que temos. Vamos em frente, amor, que o mundo ainda vai mudar muito. Pelo menos, eu acredito no máximo que merecemos.
Minha mulher usa um vestido negro tão bonito e não consigo deixar de rir quando ela diz que odeia televisão, vou até lá, beijo seu rosto e digo que adoro quando tudo é engraçado assim, quando ficamos em silêncio ali, naquele cômodo gigante, e não importa se vamos a um desfile de moda ou se trocamos a chatice por cerveja e um churrasquinho gostoso, o que vale mesmo a pena é conseguir superar o atropelo dos dias, é saber que passamos pela tempestade e ainda saímos mais fortes. Agora tudo parece novo e o caminho não é óbvio, exatamente como você gosta.
Ela permanece linda, em silêncio, compenetrada na maquiagem e talvez nem imagine a sorte que temos. Vamos em frente, amor, que o mundo ainda vai mudar muito. Pelo menos, eu acredito no máximo que merecemos.
sábado, agosto 25, 2007
Inferno Astral
Pois é, acontece. Tudo anda estranho nessa metade dos vinte anos, nesse meio pro final do ano, nesses dias que faltam pro aniversário. Vai saber o que é isso. Engraçado que aprendi algumas coisas importantes no meio do buraco atual e espero voltar a escrever aqui logo.
Com amor e tal. Apesar de assim ser mais caro.
Com amor e tal. Apesar de assim ser mais caro.
quarta-feira, agosto 15, 2007
Não pode ser igual
Foi um ótimo registro do meu casamento, desde 2003, com esse (agora) saudoso contrabaixo preto. Que os nossos caminhos sejam cada vez melhores.
quinta-feira, agosto 09, 2007
Avenida Consolação
Eu não me arrependo de você
Foram quatro cervejas e ela sorriu com dentes de benção. Estávamos tão longe de casa para caminhar de mãos dadas pela Consolação inteira, mas mesmo assim resolvi seguir seu desejo louco. Fomos então, olhos abrindo e fechando como os bares da calçada. Natália usando seu vestido cor de caramelo parecia o início do novo dia que queira se anunciar em cada espaço não preenchido pelos néons das lojas de roupas que iluminavam as ruas transversais. Acendi seu cigarro e beijei o outro lado que me oferecia do rosto enquanto ela tragava a primeira fumaça com aquele seu ar de desprezo com a vida real. Natália, na luz da madrugada, fumava e me dizia bobagens lindas.
Vermelho-esquina-quase-Augusta
No sofá agora nos beijamos enquanto os filmes passam na televisão muda. Ela tira a calçinha e senta no meu colo, escorregando as coxas nas minhas coxas e diz que já me ama tanto, que quer ficar aqui uns dias, que não duvida nem um pouco do que podemos ser juntos. Beija meu pescoço com calma e caminha os dedos, vagarosamente, pelo espaço que encontra entre meu rosto e cabelo. Começamos a trepar e Natália se movimenta em silêncio, meus olhos vão correndo por cada detalhe de seu corpo, tentando talvez fotografa-lo pra sempre na memória mais segura dentro do cérebro. Abaixo a alça do vestido e beijo seus seios enquanto ela aumenta o ritmo e arrasta suas unhas em minhas costas com cuidado e carinho. Lá fora o barulho da rua não importa.
Foram quatro cervejas e ela sorriu com dentes de benção. Estávamos tão longe de casa para caminhar de mãos dadas pela Consolação inteira, mas mesmo assim resolvi seguir seu desejo louco. Fomos então, olhos abrindo e fechando como os bares da calçada. Natália usando seu vestido cor de caramelo parecia o início do novo dia que queira se anunciar em cada espaço não preenchido pelos néons das lojas de roupas que iluminavam as ruas transversais. Acendi seu cigarro e beijei o outro lado que me oferecia do rosto enquanto ela tragava a primeira fumaça com aquele seu ar de desprezo com a vida real. Natália, na luz da madrugada, fumava e me dizia bobagens lindas.
Vermelho-esquina-quase-Augusta
No sofá agora nos beijamos enquanto os filmes passam na televisão muda. Ela tira a calçinha e senta no meu colo, escorregando as coxas nas minhas coxas e diz que já me ama tanto, que quer ficar aqui uns dias, que não duvida nem um pouco do que podemos ser juntos. Beija meu pescoço com calma e caminha os dedos, vagarosamente, pelo espaço que encontra entre meu rosto e cabelo. Começamos a trepar e Natália se movimenta em silêncio, meus olhos vão correndo por cada detalhe de seu corpo, tentando talvez fotografa-lo pra sempre na memória mais segura dentro do cérebro. Abaixo a alça do vestido e beijo seus seios enquanto ela aumenta o ritmo e arrasta suas unhas em minhas costas com cuidado e carinho. Lá fora o barulho da rua não importa.
sexta-feira, agosto 03, 2007
Luz fria - Hora H
Te olhando assim
tão distante de chegar
perco a hora, perco o chão
tomo o café no bar.
Se hoje eu não te entendo mais,
de quem é a culpa eu não sei.
É desse vício de viver assim
ou da mania de deixar tudo pra lá?
tão distante de chegar
perco a hora, perco o chão
tomo o café no bar.
Se hoje eu não te entendo mais,
de quem é a culpa eu não sei.
É desse vício de viver assim
ou da mania de deixar tudo pra lá?
quinta-feira, agosto 02, 2007
Ana corta o cabelo (ou o fim.)
Pois é. A nuca agora exposta já diz que o sonho acabou de vez, não é Fitzgerald? A menina foi embora e levou o sonho, as cores, as chances. Levou meu ano inteiro com ela. A esperança também foi embora e só ficou mesmo esse vazio do inferno, esse gosto de derrota lenta, gosto de suor salgado. Eu sigo tentando de olhos fechados, ou pior, de cabeça fechada para o mundo. Não quero novidade, carro, supermercado, cerveja, criança ou pão com margarina. Não quero contato.
O cabelo agora é só detalhe no chão marcado de sol. Ela vai longe e pensa em detalhes, agora anda nervosa com as responsabilidades, com os 30 dias que perdeu nas férias, vai ver só pensa em viver e pronto. Pra que mais, meu filho? Não complica que isso tudo é outra vez coisa da sua cabeça.
Coisa, sabe "coisa"? É só isso. Besteira, besteira e besteira. Agora esquece esse lance de sonhar e vai viver no concreto lá da avenida Maracanã, vai que lá a vida faz mais sentido que a arquitetura soviética, sabe? Lá as pessoas pulam do décimo andar se começa a ficar realmente tudo muito complicado. Entendeu então? É até bem simples: Ana cortou o cabelo e pronto. Não tem razão que explique a violência da vida pra quem resolve sonhar em voz alta. Você não quis isso? Não resolveu seguir com ela aquela noite? Então pronto, porra. Cala essa boca enorme e aceita que acabou. Tudo acabou no seu peito, no coração e em cada fio que a tesoura levou.
Ana acabou aqui nesse hotel. Passar bem.
O cabelo agora é só detalhe no chão marcado de sol. Ela vai longe e pensa em detalhes, agora anda nervosa com as responsabilidades, com os 30 dias que perdeu nas férias, vai ver só pensa em viver e pronto. Pra que mais, meu filho? Não complica que isso tudo é outra vez coisa da sua cabeça.
Coisa, sabe "coisa"? É só isso. Besteira, besteira e besteira. Agora esquece esse lance de sonhar e vai viver no concreto lá da avenida Maracanã, vai que lá a vida faz mais sentido que a arquitetura soviética, sabe? Lá as pessoas pulam do décimo andar se começa a ficar realmente tudo muito complicado. Entendeu então? É até bem simples: Ana cortou o cabelo e pronto. Não tem razão que explique a violência da vida pra quem resolve sonhar em voz alta. Você não quis isso? Não resolveu seguir com ela aquela noite? Então pronto, porra. Cala essa boca enorme e aceita que acabou. Tudo acabou no seu peito, no coração e em cada fio que a tesoura levou.
Ana acabou aqui nesse hotel. Passar bem.
quarta-feira, agosto 01, 2007
Voltando depois dos dias
Eu voltei e tal. Voltei com vontade de fazer muita coisa ao mesmo tempo. Amanhã tenho novidades de verdade, ok? Por hora fiquem com essa bela canção que abre e fecha um dos contos do meu (futuro-caminhando-tá-chegando) livro - 'Gávea Hardcore':
terça-feira, julho 24, 2007
Tudo aquilo que não fizemos
Não cantamos aquela canção do Roberto no show dos Mutantes. Não tomamos uma cerveja no "Sonho Lindo" porque você não contém glúten. Não fomos ao Parque Laje. Ou ao museu da chácara do céu em um sábado pela manhã ouvir um concerto de harpas. Nem vimos um filme colorido do Bressane na fase Londres-década-de-70 no Caixa Cultural lá no centrão da cidade.
Não ouvimos o disco de 79 da Ângela fazendo amor no colchão da minha casa. Nem compramos pão na padaria do Largo do Machado esperando a sessão das 13:30 no Cine São Luiz. Não esquecemos a chave, o dia, o lugar, nem pegamos o ônibus errado para Santa Teresa. Não compramos flores na Avenida Nossa Senhora de Copacabana, nem assistimos vinte filmes e transamos de quinta-a-segunda-feira de um feriado prolongado. Não fizemos tudo que eu queria muito.
Tudo que não fizemos (ainda).
Não ouvimos o disco de 79 da Ângela fazendo amor no colchão da minha casa. Nem compramos pão na padaria do Largo do Machado esperando a sessão das 13:30 no Cine São Luiz. Não esquecemos a chave, o dia, o lugar, nem pegamos o ônibus errado para Santa Teresa. Não compramos flores na Avenida Nossa Senhora de Copacabana, nem assistimos vinte filmes e transamos de quinta-a-segunda-feira de um feriado prolongado. Não fizemos tudo que eu queria muito.
Tudo que não fizemos (ainda).
segunda-feira, julho 23, 2007
Acorda, Ana Carolina
[Cena 1 - P&B - Qualquer metrópole - Caio e Ana]
Ana: - Você fala demais.
Caio: - Pois é, até que falo mesmo...
Ana: - Eu falo demais também, eu sei.
Caio: - Não... não fala muito...
Ana: - Tá vendo?! Você tinha que dizer que falo, aí depois me fazer ficar quieta, ou discordar do que eu disse, mandar calar a boca mesmo... só não faz desse seu jeito aí que acaba complicando tudo.
Caio: - Complicando?
Ana: - É... complicando! Ninguém faz assim, todo mundo corta esse tipo de coisa logo, para de achar que tudo é bonito, ou faz sentido... isso é só coisa da sua cabeça.
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