sexta-feira, novembro 25, 2011

nunca é nada #2

- alô.

- sou eu, tive que te ligar, fiquei com muito medo agora. o que a gente faz? será que vai dar certo?

- calma, hoje foi ótimo, tenho certeza que vamos acabar na islândia.

- você me leva pra islândia? jura?

- levo, prometo.

- tudo bem, me liga amanhã?

- ligo, assim que acordar.

quarta-feira, novembro 23, 2011

nunca é nada #1

- conversei com o rafael hoje, eu nem sou amiga dele, você sabe, mas disse que não consigo aguentar essa história da sua viagem no final de semana, que não sei o que faço...

- onde você está?

- no trabalho, não aguentei, tive que te ligar daqui pra falar isso. você volta pra mim?

- mas calma... é isso mesmo que eu to pensando?

- é sim. quando você voltar a gente conversa? eu acho que eu te amo mesmo, não tem jeito.

quinta-feira, novembro 10, 2011

tudo continua

parece o início. não sei quem sou agora mas acredito na vaga ideia de quem fui nesse passado escondido. alguém aí lembra do cara que escrevia o chelsea nights? ele existiu, eu juro, mas não somos mais tão íntimos. quase não nos vemos, na verdade.

dois anos na casa nova. caiu a ficha depois de voltar do avião que eu sempre acho que vai cair. dois anos quase inteiros de um cara novo que ainda não conheço, não sei descrever e infelizmente não tive tempo e disciplina de documentar. tudo que não era forte já foi para a lata do lixo e a vida nova só guarda algumas neuroses, essas sim, eternas. tudo bem, é preciso conviver. na verdade é preciso vivenciar. aproveitar tudo que foi construído com a cola do sólido e do relevante. a sensação de só poder melhorar, sabe? falar disso é como tentar cuspir um início tímido de elaboração, a mais difícil delas até aqui.

não sei qual é a história, mas vou tentar inventar. prometo.

terça-feira, novembro 08, 2011

2006/2011

segunda-feira, setembro 12, 2011

anotação

até o colorido mais raro
se despede de mim, como um raio
e eu querendo azul

f.g.

terça-feira, agosto 09, 2011

verbalizando

ela pensa, sente e não diz.

o buraco fica ali exposto, quase pulando da pele quando a dificuldade de dizer o necessário é explícita, praticamente vergonhosa. existe motivo, qualquer um entenderia, mesmo com a pena de perder o momento importante. ou adiar.

existe uma luz que vem da padaria, tudo ali parece preparado pelo destino para o momento que não vai acontecer, um pequeno movimento com corpo já seria suficiente para modificar toda a lista de impossibilidades levantadas ao longo das duas semanas até aquela noite.

quarta-feira, agosto 03, 2011

the day i lost my voice

I've got my life in a suitcase
I'm ready to run, run, run away

sexta-feira, julho 22, 2011

mulher, mulher

(cinco horas e quarenta e dois minutos)

- eu preciso ir embora.

- precisa mesmo?

- acho que preciso.

- acha que precisa ou acha que deve?

- acho que devo. sei lá o que eu acho, na verdade.

- então você vai?

- vou. minha viagem é logo pela manhã.

- e você quer ir embora?

- não faz sentido ficar aqui.

- você não respondeu se quer mesmo ir embora.

- não, não quero. mas vou.

quinta-feira, julho 07, 2011

não mora mais ali ou de natureza prosaica

alguém de onde não veio novidade, recado, sentimento, telefonema, carta, bilhete rabiscado, pedido de socorro, nada. não existe além das páginas amarelas. impossível imaginar vida reservada ao ponto da felicidade, do recolhimento, auto exílio que não me engana, ou vai querer me convencer que não existe por aí aquele buraco da angústia de qualquer ser humano normal, ainda mais com todo esse tédio do espaço vazio, branco e iluminado. sem filme, sem disco, sem nada. vai me dizer que tem tudo? vai falar que o que falta é compensado com amor e revista caras? no meio do nada qualquer coisa deve servir pra sala de espera, eu sei. a vida passa e tudo vai terminar em um acidente vascular grave. aqui ou aí. nem adianta duvidar.

ouvi dizer que na ilha só existe uma cadeira. as pessoas marcam, sentam, choram suas pitangas e pagam. e quem está do outro lado? também chora? também paga? bem que alguém poderia fazer o papel horroroso de me contar, atravessar essas suas histórias de felicidades e piratas, já que como outsider, preciso tirar o chapéu, que vitória incontestável em não existir, em silenciar transformando o mundo nessa budapeste que chove eternamente, sem notícias nem homens de coragem, só idiotas que falam demais. assim, exatamente como eu, sabe? parabéns, liberdade é a sua não-palavra.

segunda-feira, junho 13, 2011

I know this world is killing you

- o acaso sobre qualquer coisa, o acaso como religião.

você dirá e talvez nem saiba. o roteiro é meu.

e com seu vestido de festa podemos passar algumas horas na rua estreita que corta tantas outras ruas, maiores ou menores, a música que precisamos nos alto-falantes, abafada pelo ambiente que torna tudo mais desesperado e leve, porque vontade não é necessidade, vontade é a certeza do impossível na boca da realização, e ganhar um impossível de presente é valer-se de estar vivo e pronto para a vida, oportuno e transformador, aproveitando o que ninguém sabe que é maravilhoso como o diabo. tudo pode acontecer quando vontade é destino.

estar ali seria invadir madrugadas de um tempo que nos entenderia, como elvis costello cantando para você voltar do banheiro, rindo com a clara certeza do meu desejo, do subtexto que existe em querermos o mesmo, e rápido deixamos as coisas acontecerem como o tempo quiser escrever, querendo mesmo é que venha o inacreditável, capricho de quem aproveita o prazer a dois como realização individual da fúria, fome, sorte, não existe coisa óbvia ou passada que nos represente em vontade, não existe verdade que traduza querer demais, ansiar, babar como um louco que entra em teu corpo como o próprio demônio, com certeza e loucura de quem aperta a carne pensando no tempo, aquele da ânsia até este instante chegar, o dedo correr e a vontade passar.

desapertando, despedindo, realizando o corte simbólico.

- se você resolver continuar, eu quero.

ainda dirá.

quinta-feira, junho 02, 2011

quarta-feira, maio 18, 2011

conclusão

sou tarado pelo exercício amador da autopsicanálise.

segunda-feira, abril 25, 2011

organizado e pronto

um longo processo e estamos aqui, na curva antes de outro dia começar, azul, vivo, possível, se faço silêncio é só por enquanto, esperando cheguei muito longe e nada parece pouco visto da parte superior da cidade. o céu de prédios íntimos.

terça-feira, março 29, 2011

necessidades

necessário é dizer que podemos dirigir esse instante, fotografar em movimento as pequenas imperfeições de organismos vivos, existir é a possibilidade de realizar, o espaço em branco existe e é só preencher com vida ou palavras, um esforço relativamente simples, mais simples com palavras do que com vida, vida tem sangue, tempo, esforço, amor, ódio e um caminhão de pequenos desvios. com palavras o exercício é evitar o possível, só assim dirigimos nossos próprios sonhos, nossos quase filmes.

quinta-feira, março 03, 2011

o fim quase sempre volta

as cadeiras do cine íris na loud! em 2002, fanzines que devem estar em algum lugar no armário, dia dos namorados no odeon, tudo que a bunker foi e o show de ano novo em 2003, maldita de aniversário da pitty, a quem?!, o sintonia, ilusões de indústria fonográfica, os los hermanos inaugurando o odisséia, london burning ou o tempo normal em um bom início de século.

esse tipo de coisa.

o rio fanzine acabou. a maldita termina na segunda-feira. enfim, vida que segue que todo mundo trabalha muito cedo na terça.

terça-feira, março 01, 2011

processo de woody em anotação simples

você não consegue dizer: estou satisfeito com isso?

consigo. consigo dizer isso com um filme. consigo dizer: este acabou ficando um bom filme. na verdade não sei como as pessoas reagiram ao filme, porque faz anos que parei de conferir, me se gostaram, ótimo. se não gostaram, não me importa muito, não porque eu seja indiferente ou arrogante, mas porque aprendi tristemente que a aprovação deles não afeta a minha mortalidade. se faço alguma coisa que sinto que não é muito boa e o público aceita, até entusiasmado, isso não atenua em nada a minha sensação pessoal de fracasso. por isso o segredo é trabalhar, se divertir com o processo, não ler a respeito de si mesmo, quando as pessoas estiverem falando de cinema mudar a conversa para esportes, política ou sexo, e continuar suando a camisa.
além do dinheiro - nós somos ultra bem pagos -, as chamadas gratificações são todas vaidade e tomam tempo de trabalho criativo. mas, elas podem levar a ilusões de grandeza ou sensações errôneas de inferioridade.

(woody allen)

quinta-feira, janeiro 27, 2011

plástico bolha

por um minuto existiu silêncio, a parte de dentro, a da alma, sempre superando a casca, ela sabia que seria bem melhor ter permanecido calada, mas disse - eu ainda consigo - e soube que olhar nos olhos dele seria o último golpe desse momento da vida, não dava, e lembrou que um dia existiram tardes de sábados, onde todos os amigos eram tanto, e jogavam sinuca, e a vontade ainda era jovem, tempo urgente, mesmo sabendo que o impossível mora longe e nada mudaria, eles eram, todos eles, os bons e os quase ninguém, todos eram, ela disse e sentiu o estômago, infelizmente, pior ainda sofrer o arrastado final de um blues pensando que amanhã trabalha cedo, precisa ir ao mercado, ligar pra mãe, ou seja, ser adulta sozinha doía de véspera.

domingo, janeiro 23, 2011

inventário

fujo de análise e gostaria de sonhar mais, sem interpretação freudiana, porque viver não parece ser reflexo de pensamento, viver é atitude de diástole, abrir o coração a ser inundado por sangue, graças, é preciso agradecer a algo ou alguém essa bênção simples, que se repete por finitos anos e aproveitar-se disso talvez seja o foco dessa reflexão desnecessária, eu gosto de sol, de ir a praia com quem amo, de ver aquele amarelo que toma conta da descida da rua hermenegildo, eu gosto de onde vivo, de quem divido, do que como, e queria caminhadas breves até a próxima esquina dessa existência ínfima que é ser alguém com M no nome, que veio de um lugar quase sem sentido para os que não entendem as nuances, meus significados e signos, eu não estou afim de esclarecer, digo a mim mesmo, e não sentir necessidade disso é o próximo passo, pra poder ser só vida, largada no corpo, na pele que pode dizer mais que um cérebro, depósito simples de ansiedades, como um galpão do santo cristo, desses que já estão abandonados pela cidade há décadas, mas existem, e vão acumulando sujeira e todo tipo de inutilidade. uma bomba relógio deliciosa para os especialistas.

estar vazio é não depender do pensamento para ser feliz, cortar a ligação entre pensar e gerar prazer, porque o pouco de prazer não compensa o rio de frustrações, pelo analfabetismo emocional que é achar que determinadas atitudes vão gerar determinadas reações, nada volta porque nada existe, o nexo não é natural, ele é construído de acasos e elaborações, e é preciso deixar as coisas porque elas são o que elas são, só livrando-se da interferência que é esperar podemos elaborar nossas teses do que são nossas próprias vidas com mais propriedade, claro que é impossível ser só corpo e pulsação, mas também é inviável depender do pensamento pra qualificar tudo o que se vive, e aí está a armadilha de viver em 2011, esse poço de gente que não sabendo viver basicamente a própria vida, se agarra nos outros como em botes salva-vidas, somos infelizes por saber tão exatamente a razão da infelicidade, já que felicidade é descuido, quase nunca estamos livres e desimpedidos. digo então: para não refletir, eu tento ser.

e quase consigo.

domingo, janeiro 02, 2011

2011

outra vez o início. ciclos são a única razão de existir, então vamos tentar melhorar, porque tudo ainda é muito pouco, ninguém vai saber de véspera as dores e milagres desse ano um, bom e seminovo.

sexta-feira, dezembro 17, 2010

# vocabulário afetivo

(abre)

patrícia: já são sete anos, aquela festa na casa do fred, eu não sabia exatamente o que era aquilo, conhecia a paula, só a paula e todo mundo falando comigo de primeira, muito simpáticos mas todos estranhos, engraçado que eu olhava pra ele e pensava que aquela menina, maria, devia ter alguma coisa extraordinária, na cama, ou entendia muito de cinema, de cinema brasileiro dos anos 60, sei lá, esse tipo de coisa... porque ele falava, falava, gesticulando, rindo, e eu olhando, acho que só eu via a cena toda, ela quase não dizia nada, ficava parada com um vestido bonito, amarelo, realmente era bonito, ficava assim, ouvindo o que ele contava, e olha, é verdade, eu queria estar naquela conversa, eu pensei que podia também dizer alguma coisa, que talvez ele nem olhasse mais tanto pro vestido amarelo, pros peitos dela, enfim, eu sabia que aquela conversa era bonita, mesmo de longe, mesmo com uma ponta de inveja, eu sabia que era um momento deles. nunca tinha pensando nisso assim antes de te contar, pelo menos não desse jeito, sabe? agora, nem sei se isso é realmente tão importante.

(corte)

maria: você veio assistir esse filme?

caio: ahhhh, olha, não é que agora eu gosto desse tipo de coisa... você ainda existe, maria?

maria: existo, mas demora um tempão pra contar. é chaaato...

caio: quer tomar um café? o filme vai demorar.

maria: tá, pode ser. mas do lado de fora, tudo bem?

caio: tudo bem.