quinta-feira, abril 29, 2010

ponto final

construir casas, escrever livros, pensar, viver, amar, dormir, comer, transar, trepar, gostar, sofrer, esquecer, odiar, querer o impossível ou o óbvio, muito ou pouco, entrar pra história, ser esquecido por todos, o mesmo ou bem diferente, cortar o cabelo, a barba, mudar o mundo, mudar o seu lugar, morrer por uma idéia, por amor não correspondido, por filho, doença ou desespero, desejar além do determinado, ou não ter vontade suficiente, mudar de sexo, país ou endereço, até de nacionalidade. jovem, adulto médio ou terceira idade. classe a, b, c ou d.

tirar cpf, rg, título de eleitor, reservista, pis e carteira de trabalho. pagar inss, imposto de renda, contribuição sindical ou desviar dinheiro, traficar, mandar no jogo do bicho, matar, roubar, ser proxeneta e dependente químico.

famoso, intelectual ou ex-big brother. construir pontes, desenhar ruas, vender discos, frutas, eletrodomésticos, televisores, filmadoras, câmeras fotográficas, biscoitos, cigarros ou trabalhar em centro cultural da caixa econômica federal.

qual é o sentido?

se a morte é o ponto final que iguala toda e qualquer trajetória?

terça-feira, abril 20, 2010

back home

hoje volto ao passado por cinco dias, tempo que a memória guarda no fundo do armário. praia, céu e um casal me levando pela mão, sempre, dias felizes na década de oitenta, momentos que só existem no que é afetivo, inventado, querido, quase irreal. quem eu sou está lá. eles eram, eles são a minha vida. os dois.

segunda-feira, abril 19, 2010

enxergando jazz (volume 2)

agora ele caminha pelo centro da cidade e sabe exatamente o lugar onde a garota fora da parábola não está. passou a curva do retorno e ela ainda é muito começo de estação para os seus planos. é sexo fresco e vazio, carne e vestido, parece muito pouco. ela liga. ele vai até a gávea. ela quer trepar no chão. ele quer deixar pra próxima, bate um papo, fala alto olhando pela janela enorme do apartamento. é engolido pelo poder da juventude. como sempre. ninguém resiste ao apelo visual.

terça-feira, abril 13, 2010

enxergando jazz (volume 1)

por aqui dizem jazz mesmo, sem a pronúncia original dos americanos, engraçado e idêntico ao brasil, ela pensa. comendo as unhas, como o vazio pode levar longe ela está aqui, sem regra óbvia de desencadeamento, gastando o dinheiro que ganhou escrevendo, uma dádiva para quem caminha para o buraco, com prazer, com certeza, fez a cova e quer o futuro com seus quilos a mais nas costas, da mochila, da família, só valendo o alívio do que jogou fora. jogou o cara fora. jogou a vida fora, com prazer.

quer que sua vida seja de quem merecer. o instante. o instável. o que pode ser. hoje é hoje. amanhã é só amanhã. no começo andou a pé pelo velho caminho de setecentos anos, nunca é igual. nem o caminho, nem ela. ela era. ela foi. agora não.

tudo tem prazo de validade. até a aventura. e o medo, fundamentalmente, o medo. mesmo agora, mesmo livre.

ela olha a cidade e é mulher. ela. e a cidade são.

quarta-feira, abril 07, 2010

ensaio sobre o fim do mundo

nessas horas que detesto as pessoas, não a cidade ou a natureza, as pessoas. que gritam, odeiam, correm como baratas tontas pelo supermercado, dando murros umas nas outras, falando bobagens, fazendo piadas, com medo, com fraqueza no espírito, na alma de ratazana que se esconde no buraco úmido, são milhares nos ônibus, nas padarias, calçadas, farmácias, são covardes. e só a solidariedade que brota de poucos salva a humanidade dessa praga, desse vazio de nascer, brigar pelo egoísmo de ser mais rápido, mais esperto e morrer. elefantes indesejáveis. vidas sem razão alguma, passando desapercebidas, só mostrando que existem pela truculência dos tapas e gritos. do mau cheiro.

a socos e pontapés. analogia bem brasileira e cotidiana.

sábado, março 27, 2010

a cor que falta no futuro

a cor que falta é sempre a cor do impossível. a revolução é o tempo como cada coisa chega ou vai. o movimento na vida (mesmo que contra a vontade) existe com um relativo sentido. ela não passa mais por aqui, eu diria. mas existe. no detalhe, no que sobra, no que pode ser. o futuro. a maior dádiva da vida é o futuro. ele acerta as contas, facilita o caminho, muda o que é bom, relativiza o que não presta, melhora, piora, muda. e mudar é bom, é saudável, é necessário. mudar é necessidade. o futuro é necessidade mesmo parecendo estar tão longe, parecendo não existir, ele existe no improvável, no vazio, no nunca que é óbvio. não duvido do futuro. não duvido de mim. não duvido de nada. e duvido de tudo. sempre e ao mesmo tempo.

terça-feira, março 16, 2010

meio

por aqui anda tudo no meio. o fim é lento.

quinta-feira, março 11, 2010

agora mesmo

eu mudei. ela mudou. ela, a vida. as coisas estão no canto da mudança e ainda não sei o que vai acontecer. preciso é voltar a escrever meus pequenos épicos de amor, ódio e vida em cores, coisas onde ela use um vestido verde, uma sandália amarela ou um cachecol de colorbar. o caminho anda me ocupando mais que o sonho. sonhei demais antes para plantar esses dias de hoje que sinto falta de sonhar para plantar o amanhã, sinto uma falta patológica, resistente, quase saudade.

eu vou voltar a sonhar. eu preciso. eu quero. eu não vivo sem isso.

segunda-feira, março 01, 2010

março

começando mais um mês. ainda sem saber exatamente para onde vai o barco, ele espera o vento para entender o caminho. sem parábola, sem luta clara, sem receituário. com calma a vida não se explica, só existe, e entender não é ainda o objetivo.

terça-feira, fevereiro 23, 2010

quinta-feira, fevereiro 18, 2010

bloco da mudança

meio fora de moda, o bloco da mudança passou pelo carnaval e agora começa a recuar na dispersão. com calma todo mundo lava a rua e a roupa vai pro armário, já que transformação não tem data anual, ninguém sabe quando volta, mas todo mundo ainda dança no resto de samba torto que sobra. sem pensar no futuro.

vamos vivendo. vamos viver.

é o refrão que separa o bloco e apaga a luz.

sexta-feira, fevereiro 12, 2010

depois de seis anos

2004/2010. mudei. a primeira noite foi como todo recomeço, o vazio e as caixas estão amontoados pelos cômodos. a casa e a rua têm o barulho da paz. o verde, o sol, a luz de um lugar distante, de um passado que não era meu até agora. o amor agora soma, a vida continua com suas dificuldades e surpresas. estamos felizes. nervosos. estamos juntos e inteiros.

segunda-feira, fevereiro 08, 2010

tudo, sempre, tudo, agora

parece que agora é definitivo. mudança até sexta. depois de seis anos vivendo com as raízes firmes no mesmo lugar, uma escolha que teve início, meio e fim, agora volto ao acaso, ou a certeza de que quero continuar. não sei do futuro e ainda espero definições que talvez não veja, talvez não sejam exatamente definições, tudo no meio desse rio pode ser ou não, eu quero, eu sonho, mas certeza é artigo de luxo, é rara, é única e demora a chegar. aprendi que não adianta dizer a hora, tudo só acontece quando a vida quer, o natural e óbvio deveria ser mais natural e óbvio, principalmente para os planos, mas já que não existe roteiro, vou mais uma vez aceitar a vida como ela vier, e tentar aprender a não sentir todo esse peso, e talvez rir na água do mar desse verão que existe, meio que contra a vontade de todos. como a vida parece também existir.

terça-feira, fevereiro 02, 2010

sonhando

duas noites com conexão de sonhos. ele não consegue arrancar em uma corrida, não acelera o passo, não explode o necessário para sair em disparada. é o momento em que a vida pode cair para um lado ou para outro, a curva, o retorno, a avaliação do tempo, o passado que ainda não quer ser futuro, o cérebro usa a metáfora dos pés, da corrida que é liberdade, que é o exemplo mais básico da vontade.

tudo pode acontecer agora. e eu espero.

sexta-feira, janeiro 29, 2010

todo buraco

todo buraco tem um sentido. um motivo. as coisas são porque são. você cava e naturalmente vai encontrando o lugar mais fundo, o erro, o vazio, que no fundo do tal buraco é a certeza que está, livre e vazia, como qualquer boa certeza. como qualquer bom buraco. o mesmo.

segunda-feira, dezembro 28, 2009

quase dez

os últimos dias do ano são estranhos. mais luz e ruído ainda. e eu aos vinte e oito anos faço uma edição da minha vida pós 1994 e chego a conclusão que não se pode prever nada. é básico e ridículo de tão normal. estamos acostumados a viver os últimos dias com a ressaca das derrotas sepultadas e a euforia de uma mudança futura, que pode vir, ou não, ou pelo menos não será tão óbvia quanto a força do acaso, essa sim é pontual, vem como um caminhão e até hoje não sei o que pode acontecer na esquina, a morte, a rotina, o tiro, a dor, a doença, o sexo, a cor, o vestido, o chão, a mão, o gozo, todos são tão possíveis que não resta dúvida de que a melhor opção é abrir as pernas. de olhos abertos.

sexta-feira, dezembro 25, 2009

natal

vinte e quatro:

sete da manhã saindo de casa, oito chegando no terminal rodoviário novo rio, encontro um amigo que pelo menos salva o tempo de espera, o ônibus que era das 8:13 saiu depois das nove, pausa para comida cara de beira de estrada, durmo, chego em campos depois de uma da tarde, compro a passagem, o jornal, espero sentado.

o ônibus das três chega 15:30, as pessoas brigam por um lugar para sentar, exatamente como na barbárie do metrô no rio, tenho certeza que eram mais de 100 em um ônibus de lotação 50. por sorte, sentei.

o motorista no processo de amontoar pessoas, só deu a partida depois das 16:00. todo mundo sempre faz piada da desgraça, chove, eu durmo. o caos não parece durar muito, bem-vindo à itaperuna, a placa é quem diz.

vinte e cinco:

pensando, basicamente isso.

na vida, na casa, na sorte.

natal é sempre a mesma coisa.

(canção)

i don't want you coming here
no way, no way
i can't have you staying here
no way, no way

everytime i close my eyes
i want to walk with you in moonlight
and i know you're not intending
to go on just pretending
but i think it's for the best

quarta-feira, dezembro 23, 2009

23 de dezembro

a ansiedade está em tudo. nas luzes, presentes, filas, dinheiro gasto, nos cambistas de rodoviária, a vontade fica na intenção de preencher os espaços, o vazio, o tempo que já foi e agora o jeito é renovar o ano, apagar os erros pra começar uma transformação, mesmo que seja só de números. vai ter ceia, família, comida, gente feliz, gente triste, alguém que casou, outro que está doente, vão lembrar do pai que morreu, da mulher que fugiu, do filho que não veio, do emprego, da dor. vão lembrar e esquecer também.

vão assistir tv, mágico de oz, como um dia eu fiz, depois da única missa que fui na vida. ela estava na ceia de alguém que amava alguém que já morreu. e eu fiquei em casa. triste. sozinho. pensando que nada mudaria e aceitei o fracasso. o peso da derrota enquanto a derrota durou. vinte e quatro horas. no máximo. mas doeu pra burro.

um ano inteiro não curou. a vida seguiu e eu pensei em escrever algo que seria um acerto de contas com aquele dia, aquela natal, aquele ano. ainda não consigo.

terça-feira, dezembro 22, 2009

retorno, sempre, retorno

a razão que você espera pra ontem pode levar mais de cinco anos pra acontecer, a vida corre, o acaso trabalha, as coisas mudam, as pessoas passam, e quem diz que faz o seu destino é mentiroso. o destino é quem te faz. e você só escolhe se é azul ou amarelo, rio ou são paulo, hoje, amanhã ou nunca, até que juntando um monte de dias, de erros, de gente, de tempo perdido, felicidade, alegria e frustração, você para pra pensar e vê que a curva chegou, tudo fez sentido, a volta está completa e pra começar outra linha reta não se apaga o passado, no fundo é tudo meio misturado, as pessoas voltam, a vontade retribui as energias perdidas no passado, o sonho cai no colo, o que importava agora já é um saco, e tudo é felicidade ou não. bem simples. meio químico, meio místico.

domingo, dezembro 06, 2009

flor

saudade da minha menina. ana carolina. ponto.