Ando refletindo sobre este blogue-hotel e cheguei a conclusão que ele, de alguma forma estranha, consegue retratar e fazer sentido com tudo que aconteceu na minha vida de 2005 até aqui. Os textos muitas vezes não tratam do que eu vivo em si, ou não são tão óbvios quando tratam, mas em alguma esquina tudo que foi escrito nesse espaço se encontrou com o que eu pensei, quis, desejei, e principalmente, com o que eu quis viver nesse bom pedaço de tempo. O meu fio-da-meada está todo aqui.
São quase três anos com partes grandes de uma vida guardada, mas o que interessa mesmo é que cada parte dessa trajetória me faz feliz como texto puro, não é vida limpa e escancarada; e até quando é vida mesmo, acho que consigo chegar perto da melhor parte, da parte que realmente deveria ser contada, nem que seja só pra mim. Guardo assim o que talvez a memória não consiga.
Já disse a alguns amigos, mas quero dizer para todo mundo que de alguma forma acompanha esse blogue, que decidi só termina-lo em Nova York, hospedado quinze dias no Hotel Chelsea escrevendo diariamente pra colocar um ponto final nessa história. A idéia é que depois disso a aventura vire um livro, mas até lá ainda existe muito chão. Isso deverá acontecer em um inverno americano de um dos próximos anos, mas por enquanto continua tudo normal, já que tenho muita coisa pra viver e colocar aqui.
Espero que até lá este espaço continue crescendo e me dando a alegria que sempre dá. Outros leitores e amigos aparecerão.
Para um blogue que não tem assunto específico, não trata de tantas futilidades de interesse geral, quase nunca tem figuras, só texto corrido e não é um diário no sentido usual que os blogues tomaram, o Chelsea Nights até que tem mais leitores do que talvez mereça, e leitores da melhor qualidade, eu posso dizer. Então o único jeito de retribuir é continuar caminhando e escrevendo, agora com mais vontade e frequência nos textos.
Frequência na vida não falta. Porque até um dezembro qualquer de NY, nós vamos nos divertir muito ainda.
Beijos e obrigado,
MM
terça-feira, setembro 16, 2008
sexta-feira, setembro 12, 2008
quarta-feira, setembro 10, 2008
Segunda Metade do Amor e do Inferno
Acordei e o apartamento já estava vazio. Quando consegui encarar a sala, os móveis não estavam mais lá e o teto parecia não terminar nunca. “Eu ainda moro aqui”, pensei, e quis sentar no carpete que não vai sair do chão, o sol vazava a janela escancarada e fiquei por ali sentado, ainda ouvindo as músicas que tocaram na última festa, lembrei das pessoas dançando, da luz azulada que a Cecília colocou na estante de livros, ainda sei o que bebi aquela noite, as bobagens que disse aos amigos, e só assim sinto que faço sentido comigo. Ainda sou a pessoa que está aqui.
segunda-feira, setembro 01, 2008
Copacabana de (quase) Setembro
O frio cada vez mais forte e ela de cachecol sobre o agasalho, final da rua quase praia, vinho chileno pra escolher entre copos e mãos, escolhi copos quase automaticamente, estava mais para copos aquela noite. Todos os tópicos, sala, cama, palpites certos, papos, lá dentro o vento da rua não parecia grande coisa. O inverno postiço do Rio é carinhoso.
Saímos todos buscando uma sinuca que não fosse dessas institucionais. O taxista conta sua lenda sobre algo desse tipo na Barata Ribeiro, o porteiro meio louco dá certeza do que não existe na Siqueira Campos. Alguém sem nome acerta o clube Olímpico, estranho, sinuca no submundo-segundo-andar. Isso é claro, com o aviso anterior da tal festa do Bob. Antes uma porta que se abre para o cheiro de carne quase pronta e grisalhos que jogam cartas, tudo ali cheirava a contravenção. Algumas coisas eram.
- Quem é esse Bob? Ela pergunta e eu ainda juro ter ouvido que o Bob morreu. Copacabana dos sonhos do David Lynch.
Mas eu também achei que a velinha era um travesti, percepções estranhas da noite de Copacabana são assim. Saímos mesmo quase voltando, e eu gostei do bar com paraíso no nome, mas ele passou rápido nos olhos, acho que só nos nossos olhos, os outros dois viajantes achavam graça em alguma coisa diferente. A decisão ficou primeiro por um bar com pastéis gostosos e baratos, batatas quase completas, cervejas e Coca-Cola; depois o acordo de um filme.
Crimes e sono na cama que aconchegava muito. Como eu não percebi o contexto da cabeleireira francesa? Conseguia sentir o calor de todos de algum jeito e tive certeza que o inferno astral me esqueceu esse ano. Não veio.
Marsílea diria: 'Inferno astral não é Papai Noel, Maguinha'.
E eu acharia engraçado mesmo ainda sendo jovem.
Saímos todos buscando uma sinuca que não fosse dessas institucionais. O taxista conta sua lenda sobre algo desse tipo na Barata Ribeiro, o porteiro meio louco dá certeza do que não existe na Siqueira Campos. Alguém sem nome acerta o clube Olímpico, estranho, sinuca no submundo-segundo-andar. Isso é claro, com o aviso anterior da tal festa do Bob. Antes uma porta que se abre para o cheiro de carne quase pronta e grisalhos que jogam cartas, tudo ali cheirava a contravenção. Algumas coisas eram.
- Quem é esse Bob? Ela pergunta e eu ainda juro ter ouvido que o Bob morreu. Copacabana dos sonhos do David Lynch.
Mas eu também achei que a velinha era um travesti, percepções estranhas da noite de Copacabana são assim. Saímos mesmo quase voltando, e eu gostei do bar com paraíso no nome, mas ele passou rápido nos olhos, acho que só nos nossos olhos, os outros dois viajantes achavam graça em alguma coisa diferente. A decisão ficou primeiro por um bar com pastéis gostosos e baratos, batatas quase completas, cervejas e Coca-Cola; depois o acordo de um filme.
Crimes e sono na cama que aconchegava muito. Como eu não percebi o contexto da cabeleireira francesa? Conseguia sentir o calor de todos de algum jeito e tive certeza que o inferno astral me esqueceu esse ano. Não veio.
Marsílea diria: 'Inferno astral não é Papai Noel, Maguinha'.
E eu acharia engraçado mesmo ainda sendo jovem.
quinta-feira, agosto 28, 2008
quarta-feira, agosto 27, 2008
Out There in the Chelsea Night
Bruna diz:
Posso te parabenizar?
Manoel diz:
Pelo o que?
Bruna diz:
Por tu ter escrito umas coisas tão lindas.
Bruna diz:
Eu entrei no teu blog esses dias.
Bruna diz:
E li um texto "Quase tudo, quase nada"
Bruna diz:
Que é simplesmente tão lindo, que é simplesmente tanta coisa que eu queria dizer.
Bruna diz:
Eu só queria te parabenizar.
Manoel diz:
Nossa, você é a terceira pessoa que diz isso.
Bruna diz:
Eu senti um negócio
Bruna diz:
É como quando a gente tá fotografando e ajeitando o foco da câmera: tu vai mexendo bem devagar pra conseguir chegar no ponto certo. Quando eu li o texto foi como se eu tivesse encontrado o foco perfeitamente.
Bruna diz:
Não sei como te pôr em outros termos.
Bruna diz:
A parte que eu mais adoro é: Depois de um bom tempo, você ainda está aqui. Cada vez mais sendo parte do jeito como eu vejo a beleza no dia-a-dia, uma cor primária que eu misturo com outras poucas pra decidir o que me emociona ou não, é natural e difícil de desapegar, uma coisa que já existe antes de qualquer filtro.
Manoel diz:
É exatamente isso mesmo que acontece.
Bruna diz:
Eu ia até te mandar um e-mail.
Bruna diz:
porque eu escrevi essa parte do texto no meu quadro.
Bruna diz:
eu tenho um quadro branco que fica na porta do meu quarto, pra escrever aquelas coisas que não dá pra esquecer, e eu escrevi teu texto. porque era, como direi, incentivante, ler isso todo dia.
Manoel diz:
Nossa. Muito bom ouvir isso, Bruna.
Manoel diz:
Eu é que tenho que agradecer.
Bruna diz:
mas é que foi de tanto impacto
Bruna diz:
que eu lia enquanto tomava café
Bruna diz:
é aquela questão do foco.
Bruna diz:
Eu não sei te pôr em outros termos, mesmo.
Manoel diz:
Acho que é transformação. Eu acho.
Posso te parabenizar?
Manoel diz:
Pelo o que?
Bruna diz:
Por tu ter escrito umas coisas tão lindas.
Bruna diz:
Eu entrei no teu blog esses dias.
Bruna diz:
E li um texto "Quase tudo, quase nada"
Bruna diz:
Que é simplesmente tão lindo, que é simplesmente tanta coisa que eu queria dizer.
Bruna diz:
Eu só queria te parabenizar.
Manoel diz:
Nossa, você é a terceira pessoa que diz isso.
Bruna diz:
Eu senti um negócio
Bruna diz:
É como quando a gente tá fotografando e ajeitando o foco da câmera: tu vai mexendo bem devagar pra conseguir chegar no ponto certo. Quando eu li o texto foi como se eu tivesse encontrado o foco perfeitamente.
Bruna diz:
Não sei como te pôr em outros termos.
Bruna diz:
A parte que eu mais adoro é: Depois de um bom tempo, você ainda está aqui. Cada vez mais sendo parte do jeito como eu vejo a beleza no dia-a-dia, uma cor primária que eu misturo com outras poucas pra decidir o que me emociona ou não, é natural e difícil de desapegar, uma coisa que já existe antes de qualquer filtro.
Manoel diz:
É exatamente isso mesmo que acontece.
Bruna diz:
Eu ia até te mandar um e-mail.
Bruna diz:
porque eu escrevi essa parte do texto no meu quadro.
Bruna diz:
eu tenho um quadro branco que fica na porta do meu quarto, pra escrever aquelas coisas que não dá pra esquecer, e eu escrevi teu texto. porque era, como direi, incentivante, ler isso todo dia.
Manoel diz:
Nossa. Muito bom ouvir isso, Bruna.
Manoel diz:
Eu é que tenho que agradecer.
Bruna diz:
mas é que foi de tanto impacto
Bruna diz:
que eu lia enquanto tomava café
Bruna diz:
é aquela questão do foco.
Bruna diz:
Eu não sei te pôr em outros termos, mesmo.
Manoel diz:
Acho que é transformação. Eu acho.
terça-feira, agosto 26, 2008
Respostas Erradas do Organismo
Não é muito raro acontecer uma série de pesadelos com um problema inevitável. Seis meses depois o problema foi evitado e a distância entre o sono e a realidade fica tão descolada que qualquer julgamento póstumo é no mínimo injusto. Viver o momento não permite perspectiva e só o tempo dá a chance de entender ou inventar uma resposta para o que aconteceu.
Isso mais ou menos.
Como ser exato quando o que existe do outro lado de um ser humano só é uma civilização inteira? Países, forças gravitacionais ou não, bilhões de pessoas fazendo peso no mundo, comprimindo o chão por onde pisam, jogando fora roupas velhas, restos de tudo o que for possível imaginar aí do outro lado desse computador que você usa pra ler isso daqui. Como? Você saca a bolinha de tênis do seu lado da quadra e o jeito que a "vida" ou o "mundo" vão responder, só eles sabem mesmo. O corpo é meio burro e vive tentando antecipar. O meu não consegue muito.
Comecei isso aqui pensando nas reações dele, mas ta difícil levar a sério. A real é que não existe fórmula. Tudo acontece de maneira independente ao aprendizado prévio.
E o corpo só se dá bem trabalhando com isso, aprendizados prévios, ele fica louco tentando responder com sonhos, dores, fome, sono, pensamentos positivos, pensamentos negativos, pressentimentos, premunições, sensações boas, estranhas ou ruins, mas o que vai acontecer ele não sabe. É o lutador de boxe que só saber bater, por isso acaba apanhando.
Eu preciso aprender a ficar calado. A boca é cheia de seus aprendizados prévios. O segredo dessa minha felicidade toda de agora, eu sinto, tem alguma coisa a ver com o silêncio.
Então, por favor, não me escutem muito. Só tenham carinho mesmo, que isso é o que importa. Eu não sou o que eu falo, eu sou o que você puder sentir vindo de mim. Calor, cheiro ou um sentimento bonitinho.
Isso mais ou menos.
Como ser exato quando o que existe do outro lado de um ser humano só é uma civilização inteira? Países, forças gravitacionais ou não, bilhões de pessoas fazendo peso no mundo, comprimindo o chão por onde pisam, jogando fora roupas velhas, restos de tudo o que for possível imaginar aí do outro lado desse computador que você usa pra ler isso daqui. Como? Você saca a bolinha de tênis do seu lado da quadra e o jeito que a "vida" ou o "mundo" vão responder, só eles sabem mesmo. O corpo é meio burro e vive tentando antecipar. O meu não consegue muito.
Comecei isso aqui pensando nas reações dele, mas ta difícil levar a sério. A real é que não existe fórmula. Tudo acontece de maneira independente ao aprendizado prévio.
E o corpo só se dá bem trabalhando com isso, aprendizados prévios, ele fica louco tentando responder com sonhos, dores, fome, sono, pensamentos positivos, pensamentos negativos, pressentimentos, premunições, sensações boas, estranhas ou ruins, mas o que vai acontecer ele não sabe. É o lutador de boxe que só saber bater, por isso acaba apanhando.
Eu preciso aprender a ficar calado. A boca é cheia de seus aprendizados prévios. O segredo dessa minha felicidade toda de agora, eu sinto, tem alguma coisa a ver com o silêncio.
Então, por favor, não me escutem muito. Só tenham carinho mesmo, que isso é o que importa. Eu não sou o que eu falo, eu sou o que você puder sentir vindo de mim. Calor, cheiro ou um sentimento bonitinho.
domingo, agosto 24, 2008
O Verde da Consolação
Eles andarão pela Augusta em direção à Paulista do mesmo jeito que atravessam a Rua das Laranjeiras. O frio terá o mesmo sabor que o que faz agora, só que sem vento, sem pressa também, vão olhar o céu e quem sabe até as nuvens estejam bonitas nesse dia, sem o negro da chuva acumulada, os carros paulistanos mais lentos, final de semana.
O caminho feito para encontrar um trago de bebida boa, um cigarro pra cada um, uma música que eles gostam de cantar. Eles trocarão a voz no refrão, por gentileza de ambos.
Ela de vestido que a mãe deu ou que o salário comprou, linda, e ele dizendo qualquer coisa absurda, ou talvez nem tanto, querendo andar mais devagar pra sentir o vento que acaba chegando por ali às seis da tarde. Um sábado.
Começando o expediente da noite daquela cidade enorme, os dois pensando em comprar muita Coca-Cola pra beberem sentados na calçada da Bela Cintra. E depois ter vontade de tomar café com doce na primeira padaria da rua, fumando outro cigarro que ela vai olhar para o maço e não precisar pedir. Eles podem tudo e a medida do possível é a medida do realizável. Se for diferente não faz diferença.
E o verde da Consolação vai parecer como o futuro para os dois. Acontecendo e só. Sem pensar muito.
O caminho feito para encontrar um trago de bebida boa, um cigarro pra cada um, uma música que eles gostam de cantar. Eles trocarão a voz no refrão, por gentileza de ambos.
Ela de vestido que a mãe deu ou que o salário comprou, linda, e ele dizendo qualquer coisa absurda, ou talvez nem tanto, querendo andar mais devagar pra sentir o vento que acaba chegando por ali às seis da tarde. Um sábado.
Começando o expediente da noite daquela cidade enorme, os dois pensando em comprar muita Coca-Cola pra beberem sentados na calçada da Bela Cintra. E depois ter vontade de tomar café com doce na primeira padaria da rua, fumando outro cigarro que ela vai olhar para o maço e não precisar pedir. Eles podem tudo e a medida do possível é a medida do realizável. Se for diferente não faz diferença.
E o verde da Consolação vai parecer como o futuro para os dois. Acontecendo e só. Sem pensar muito.
quinta-feira, agosto 21, 2008
sexta-feira, agosto 15, 2008
segunda-feira, agosto 11, 2008
Quase tudo, Quase nada
É difícil jogar, não saber, não ter certeza, ou pior, não aceitar. O desconhecido existe do outro lado da mesa e eu só queria que você fosse mais simples pra mim, queria te ouvir dizer qualquer coisa fácil sobre nós, mesmo sendo complicado pra você, mesmo parecendo estranho.
Queria que a gente fosse viável.
Eu já escrevi cenas bonitas de nós dois que pareciam impossíveis, e mesmo naquele tempo já queria que não fossem tão impossíveis assim. Agora que a vida muda e reinicia um novo retorno, metrô andando para estação errada, queria que mesmo parecendo não realizável, acontecesse. Nós dois juntos, sabe?
Depois de um bom tempo, você ainda está aqui. Cada vez mais sendo parte do jeito como eu vejo a beleza no dia-a-dia, uma cor primária que eu misturo com outras poucas pra decidir o que me emociona ou não, é natural e difícil de desapegar, uma coisa que já existe antes de qualquer filtro.
Acontece e pronto.
Eu queria ter uma conversa sincera com você, te ouvir falando muito mais que eu, dela talvez brotasse a solução e você teria a liberdade de ser feliz e me fazer feliz do seu jeito. Então rir, ouvir Caetano, fugir pela noite em qualquer felicidade barata, discutir o que já discutimos e o que ainda não, comprar comida e Coca-Cola, beber demais, andar demais, fazer o que se quer fazer seria possível.
Queria te assistir vivendo coisas assim.
Comigo.
Queria que a gente fosse viável.
Eu já escrevi cenas bonitas de nós dois que pareciam impossíveis, e mesmo naquele tempo já queria que não fossem tão impossíveis assim. Agora que a vida muda e reinicia um novo retorno, metrô andando para estação errada, queria que mesmo parecendo não realizável, acontecesse. Nós dois juntos, sabe?
Depois de um bom tempo, você ainda está aqui. Cada vez mais sendo parte do jeito como eu vejo a beleza no dia-a-dia, uma cor primária que eu misturo com outras poucas pra decidir o que me emociona ou não, é natural e difícil de desapegar, uma coisa que já existe antes de qualquer filtro.
Acontece e pronto.
Eu queria ter uma conversa sincera com você, te ouvir falando muito mais que eu, dela talvez brotasse a solução e você teria a liberdade de ser feliz e me fazer feliz do seu jeito. Então rir, ouvir Caetano, fugir pela noite em qualquer felicidade barata, discutir o que já discutimos e o que ainda não, comprar comida e Coca-Cola, beber demais, andar demais, fazer o que se quer fazer seria possível.
Queria te assistir vivendo coisas assim.
Comigo.
domingo, agosto 10, 2008
Um Truffaut Qualquer
- Eu acho que vocês dois fazem sentido juntos, vejo muitas coisas parecidas. São um casal natural.
- Será?
- Eu acho, ninguém parece ter muito a ver com ela, só você.
- Ela também acha isso?
- Não sei.
- Deveria, né?
- Será?
- Eu acho, ninguém parece ter muito a ver com ela, só você.
- Ela também acha isso?
- Não sei.
- Deveria, né?
sábado, agosto 09, 2008
Das Ironias Não Muito Finas
A notícia veio e não desceu muito bem. Ele segue andando e aprende que tudo o que é feito tem sua resposta, proporcional ou não, e quem sabe a reação nem seja tanto na mesma medida, ela volta de algum jeito como força para que algo se transforme.
O rio continua seu caminho e talvez o desvio de curso seja só a mudança dentro da própria mudança que é o movimento em si.
Agora ele tem um desafio, quer descobrir como atravessar para uma margem que ainda não lhe diz respeito. Tudo parece nebuloso quando deveria ser óbvio, mas o que existe de bonito no outro lado move seus passos e acelera todos os batimentos.
Pode até ser necessidade mesmo, só a vontade não costuma resistir a tantas provações.
O sonho não desanima de ser sonho. Talvez nunca.
Talvez.
O rio continua seu caminho e talvez o desvio de curso seja só a mudança dentro da própria mudança que é o movimento em si.
Agora ele tem um desafio, quer descobrir como atravessar para uma margem que ainda não lhe diz respeito. Tudo parece nebuloso quando deveria ser óbvio, mas o que existe de bonito no outro lado move seus passos e acelera todos os batimentos.
Pode até ser necessidade mesmo, só a vontade não costuma resistir a tantas provações.
O sonho não desanima de ser sonho. Talvez nunca.
Talvez.
sexta-feira, agosto 08, 2008
Baisers Volés
- Então você gosta de mim?
- Acho que eu não estaria com frio às cinco da manhã em um bar estranho, barulhento e com luz azulada, se não gostasse de você.
- Esse é o seu jeito de demonstrar que gosta de alguém?
- É, uai.
- Acho que eu não estaria com frio às cinco da manhã em um bar estranho, barulhento e com luz azulada, se não gostasse de você.
- Esse é o seu jeito de demonstrar que gosta de alguém?
- É, uai.
quarta-feira, agosto 06, 2008
Amarelo 71'
Quando penso que vou me livrar da febre, ela volta, passos lentos e o gosto de ternura que vem da proximidade que já estabelecemos. É um vício confesso meu, e mesmo a ordem dos fatores não alterando os fatos, eu insisto em tentar mudar alguma coisa. O discurso, a forma, o carinho, a oportunidade. Procuro uma brecha na programação que existe contra mim, no medo ou na falta de vontade. Até hoje ainda não encontrei. Mas nenhum coração é infalível.
Sinto que deve existir, os espaços abertos são pequenos, mas se até agora não fui vencido pelo cansaço, a revolução ainda não está de todo perdida. Já são muitas as batalhas sem nenhum sucesso, registradas aqui como momentos bonitos ou não, mas elas só me fortaleceram ou abriram fendas na rocha do outro lado. Às vezes dá pra enxergar a luz que passa pelos pequenos buracos. Outras pessoas também conseguem ver, o que diminui a possibilidade de miragem.
A coragem hoje se renova, mesmo a contragosto de tudo.
Sinto que deve existir, os espaços abertos são pequenos, mas se até agora não fui vencido pelo cansaço, a revolução ainda não está de todo perdida. Já são muitas as batalhas sem nenhum sucesso, registradas aqui como momentos bonitos ou não, mas elas só me fortaleceram ou abriram fendas na rocha do outro lado. Às vezes dá pra enxergar a luz que passa pelos pequenos buracos. Outras pessoas também conseguem ver, o que diminui a possibilidade de miragem.
A coragem hoje se renova, mesmo a contragosto de tudo.
quarta-feira, julho 30, 2008
Allison Mack

Pronto, não falo mais na Scarlet. E ainda tem blog sempre atualizado pra acompanhar:
www.blog.allisonmack.com
quinta-feira, julho 10, 2008
Conduzam o Sr. e a Sra. F. ao Quarto
F. Scott e Zelda Fitzgerald - (1921)
Eram respeitosos no Cecil, em Londres, disciplinados pelos longos crepúsculos majestosos sobre o rio, e nós éramos jovens, mas mesmo assim ficamos impressionados com os hindus e os cortejos reais.
No St. James e no Albany, em Paris, impregnamos o quarto com o cheiro de uma pele de cabra armênia não-curtida e colocamos o "sorvete" que não se derretia do lado de fora da janela, e havia cartões-postais sujos, mas estávamos grávidos.
O Royal Danieli, em Veneza, tinha um caça-níqueis e a graxa de séculos sobre o peitoril da janela, e havia belos oficiais no destróier americano. Nós nos divertimos numa gôndola como se fôssemos uma suave canção italiana.
Cortinas de bambu, um paciente com asma reclamando da pelúcia verde e um piano de ébano estavam igualmente embalsamados nos salões formais do Hotel d'Italie, em Florença.
Mas havia pulgas nas filigramas douradas do Grand em Roma; funcionários da embaixada britânica se coçavam atrás das palmeiras; os empregados diziam que era a estação das pulgas.
O Claridge's, em Londres, servia morangos num prato dourado, mas o quarto era escondido e ficava cinza o dia todo, e o garçom não dava a mínima se saíamos ou não, e ele era o nosso único contato.
No outono, chegamos ao Commodore, em Saint Paul, e, enquanto as folhas sopravam pelas ruas, esperamos que nossa filha nascesse.
Eram respeitosos no Cecil, em Londres, disciplinados pelos longos crepúsculos majestosos sobre o rio, e nós éramos jovens, mas mesmo assim ficamos impressionados com os hindus e os cortejos reais.
No St. James e no Albany, em Paris, impregnamos o quarto com o cheiro de uma pele de cabra armênia não-curtida e colocamos o "sorvete" que não se derretia do lado de fora da janela, e havia cartões-postais sujos, mas estávamos grávidos.
O Royal Danieli, em Veneza, tinha um caça-níqueis e a graxa de séculos sobre o peitoril da janela, e havia belos oficiais no destróier americano. Nós nos divertimos numa gôndola como se fôssemos uma suave canção italiana.
Cortinas de bambu, um paciente com asma reclamando da pelúcia verde e um piano de ébano estavam igualmente embalsamados nos salões formais do Hotel d'Italie, em Florença.
Mas havia pulgas nas filigramas douradas do Grand em Roma; funcionários da embaixada britânica se coçavam atrás das palmeiras; os empregados diziam que era a estação das pulgas.
O Claridge's, em Londres, servia morangos num prato dourado, mas o quarto era escondido e ficava cinza o dia todo, e o garçom não dava a mínima se saíamos ou não, e ele era o nosso único contato.
No outono, chegamos ao Commodore, em Saint Paul, e, enquanto as folhas sopravam pelas ruas, esperamos que nossa filha nascesse.
domingo, julho 06, 2008
Causa Mortis - 1997 / 1999

Causa Mortis hoje é silêncio. Em 1997 (ainda no século passado) foi o sonho de três adolescentes que mudaram o tédio de uma cidade do interior fluminense. Passavam as tardes entre timbres de guitarra, viradas de bateria e um contrabaixo tocado na hora certa.
Nos intervalos sonhavam.
Aprenderam o sentido de muitas coisas juntos: ouvindo discos, bebendo coisas baratas, discutindo relações e tentando mudar o mundo. Dessas tardes, além das pequenas revoluções pessoais sobraram as canções. Um destes amigos não está mais entre nós. Assim como logo nós também não estaremos mais aqui para contar essa história.
Já as canções ficam guardadas por enquanto:
http://tramavirtual.uol.com.br/artista.jsp?idp=781162
quinta-feira, julho 03, 2008
Não-Epifania
No ônibus lembrando algumas coisas do passado, eu achei que tivesse parido a frase "Águas Passadas Não Movem Moinhos". Descobri logo que não, ta lá em Dom Quixote do Cervantes.
Pois é, nem as epifanias andam tão mais confiáveis assim.
Pois é, nem as epifanias andam tão mais confiáveis assim.
quarta-feira, julho 02, 2008
Agora os Dias de Julho
Eu ando feliz.
Tanto que quero dar um abraço no cara que inventou o Nescau Power, e outro no outro cara que pensou na cor da embalagem, mas o que importa mesmo é que o frio é uma realidade nesses dias e até já faz parte da minha rotina, e fica gostoso sentir o sol entrando pela janela do ônibus no caminho entre o Túnel Santa Bárbara e a Avenida Presidente Vargas.
Faço silêncio enquanto escrevo, mas acabo ligando a televisão pra ouvir música, e fico querendo almoçar no Amendotéque um dia desses, com aquele arroz todo, batatas e feijão temperado de verdade, e ainda tomar coca-cola, e cerveja depois, e lembrar de fumar agora, depois de escrever, na madrugada com vento frio em Botafogo, pra fazer a digestão, e esquecer o quase-tudo, porque eu já tenho o bastante, só preciso das coisas básicas para continuar vivendo. Sempre acabo descobrindo prazer nas coisas, na comida, na bebida, no caminho, no sol, no ônibus, na música que ta tocando no rádio, isso quando não é Jorge Vercilo, Djavan ou Ana Carolina. Fora esses, até rola qualquer coisa.
Acordo de madrugada pra ver séries, sozinho, com sono ainda, mas posso dormir outra vez, e posso aproveitar alguma outra hora do dia pra meus sacerdócios, pra tomar o café de cinqüenta centavos diários, pra fumar, pra beber sem ter programado com ninguém, ou ler um livro inteiro, ou fazer planos pro futuro que vem vindo e parece ser melhor.
Melhor que já estar feliz.
Tanto que quero dar um abraço no cara que inventou o Nescau Power, e outro no outro cara que pensou na cor da embalagem, mas o que importa mesmo é que o frio é uma realidade nesses dias e até já faz parte da minha rotina, e fica gostoso sentir o sol entrando pela janela do ônibus no caminho entre o Túnel Santa Bárbara e a Avenida Presidente Vargas.
Faço silêncio enquanto escrevo, mas acabo ligando a televisão pra ouvir música, e fico querendo almoçar no Amendotéque um dia desses, com aquele arroz todo, batatas e feijão temperado de verdade, e ainda tomar coca-cola, e cerveja depois, e lembrar de fumar agora, depois de escrever, na madrugada com vento frio em Botafogo, pra fazer a digestão, e esquecer o quase-tudo, porque eu já tenho o bastante, só preciso das coisas básicas para continuar vivendo. Sempre acabo descobrindo prazer nas coisas, na comida, na bebida, no caminho, no sol, no ônibus, na música que ta tocando no rádio, isso quando não é Jorge Vercilo, Djavan ou Ana Carolina. Fora esses, até rola qualquer coisa.
Acordo de madrugada pra ver séries, sozinho, com sono ainda, mas posso dormir outra vez, e posso aproveitar alguma outra hora do dia pra meus sacerdócios, pra tomar o café de cinqüenta centavos diários, pra fumar, pra beber sem ter programado com ninguém, ou ler um livro inteiro, ou fazer planos pro futuro que vem vindo e parece ser melhor.
Melhor que já estar feliz.
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