- Eu acho que vocês dois fazem sentido juntos, vejo muitas coisas parecidas. São um casal natural.
- Será?
- Eu acho, ninguém parece ter muito a ver com ela, só você.
- Ela também acha isso?
- Não sei.
- Deveria, né?
domingo, agosto 10, 2008
sábado, agosto 09, 2008
Das Ironias Não Muito Finas
A notícia veio e não desceu muito bem. Ele segue andando e aprende que tudo o que é feito tem sua resposta, proporcional ou não, e quem sabe a reação nem seja tanto na mesma medida, ela volta de algum jeito como força para que algo se transforme.
O rio continua seu caminho e talvez o desvio de curso seja só a mudança dentro da própria mudança que é o movimento em si.
Agora ele tem um desafio, quer descobrir como atravessar para uma margem que ainda não lhe diz respeito. Tudo parece nebuloso quando deveria ser óbvio, mas o que existe de bonito no outro lado move seus passos e acelera todos os batimentos.
Pode até ser necessidade mesmo, só a vontade não costuma resistir a tantas provações.
O sonho não desanima de ser sonho. Talvez nunca.
Talvez.
O rio continua seu caminho e talvez o desvio de curso seja só a mudança dentro da própria mudança que é o movimento em si.
Agora ele tem um desafio, quer descobrir como atravessar para uma margem que ainda não lhe diz respeito. Tudo parece nebuloso quando deveria ser óbvio, mas o que existe de bonito no outro lado move seus passos e acelera todos os batimentos.
Pode até ser necessidade mesmo, só a vontade não costuma resistir a tantas provações.
O sonho não desanima de ser sonho. Talvez nunca.
Talvez.
sexta-feira, agosto 08, 2008
Baisers Volés
- Então você gosta de mim?
- Acho que eu não estaria com frio às cinco da manhã em um bar estranho, barulhento e com luz azulada, se não gostasse de você.
- Esse é o seu jeito de demonstrar que gosta de alguém?
- É, uai.
- Acho que eu não estaria com frio às cinco da manhã em um bar estranho, barulhento e com luz azulada, se não gostasse de você.
- Esse é o seu jeito de demonstrar que gosta de alguém?
- É, uai.
quarta-feira, agosto 06, 2008
Amarelo 71'
Quando penso que vou me livrar da febre, ela volta, passos lentos e o gosto de ternura que vem da proximidade que já estabelecemos. É um vício confesso meu, e mesmo a ordem dos fatores não alterando os fatos, eu insisto em tentar mudar alguma coisa. O discurso, a forma, o carinho, a oportunidade. Procuro uma brecha na programação que existe contra mim, no medo ou na falta de vontade. Até hoje ainda não encontrei. Mas nenhum coração é infalível.
Sinto que deve existir, os espaços abertos são pequenos, mas se até agora não fui vencido pelo cansaço, a revolução ainda não está de todo perdida. Já são muitas as batalhas sem nenhum sucesso, registradas aqui como momentos bonitos ou não, mas elas só me fortaleceram ou abriram fendas na rocha do outro lado. Às vezes dá pra enxergar a luz que passa pelos pequenos buracos. Outras pessoas também conseguem ver, o que diminui a possibilidade de miragem.
A coragem hoje se renova, mesmo a contragosto de tudo.
Sinto que deve existir, os espaços abertos são pequenos, mas se até agora não fui vencido pelo cansaço, a revolução ainda não está de todo perdida. Já são muitas as batalhas sem nenhum sucesso, registradas aqui como momentos bonitos ou não, mas elas só me fortaleceram ou abriram fendas na rocha do outro lado. Às vezes dá pra enxergar a luz que passa pelos pequenos buracos. Outras pessoas também conseguem ver, o que diminui a possibilidade de miragem.
A coragem hoje se renova, mesmo a contragosto de tudo.
quarta-feira, julho 30, 2008
Allison Mack

Pronto, não falo mais na Scarlet. E ainda tem blog sempre atualizado pra acompanhar:
www.blog.allisonmack.com
quinta-feira, julho 10, 2008
Conduzam o Sr. e a Sra. F. ao Quarto
F. Scott e Zelda Fitzgerald - (1921)
Eram respeitosos no Cecil, em Londres, disciplinados pelos longos crepúsculos majestosos sobre o rio, e nós éramos jovens, mas mesmo assim ficamos impressionados com os hindus e os cortejos reais.
No St. James e no Albany, em Paris, impregnamos o quarto com o cheiro de uma pele de cabra armênia não-curtida e colocamos o "sorvete" que não se derretia do lado de fora da janela, e havia cartões-postais sujos, mas estávamos grávidos.
O Royal Danieli, em Veneza, tinha um caça-níqueis e a graxa de séculos sobre o peitoril da janela, e havia belos oficiais no destróier americano. Nós nos divertimos numa gôndola como se fôssemos uma suave canção italiana.
Cortinas de bambu, um paciente com asma reclamando da pelúcia verde e um piano de ébano estavam igualmente embalsamados nos salões formais do Hotel d'Italie, em Florença.
Mas havia pulgas nas filigramas douradas do Grand em Roma; funcionários da embaixada britânica se coçavam atrás das palmeiras; os empregados diziam que era a estação das pulgas.
O Claridge's, em Londres, servia morangos num prato dourado, mas o quarto era escondido e ficava cinza o dia todo, e o garçom não dava a mínima se saíamos ou não, e ele era o nosso único contato.
No outono, chegamos ao Commodore, em Saint Paul, e, enquanto as folhas sopravam pelas ruas, esperamos que nossa filha nascesse.
Eram respeitosos no Cecil, em Londres, disciplinados pelos longos crepúsculos majestosos sobre o rio, e nós éramos jovens, mas mesmo assim ficamos impressionados com os hindus e os cortejos reais.
No St. James e no Albany, em Paris, impregnamos o quarto com o cheiro de uma pele de cabra armênia não-curtida e colocamos o "sorvete" que não se derretia do lado de fora da janela, e havia cartões-postais sujos, mas estávamos grávidos.
O Royal Danieli, em Veneza, tinha um caça-níqueis e a graxa de séculos sobre o peitoril da janela, e havia belos oficiais no destróier americano. Nós nos divertimos numa gôndola como se fôssemos uma suave canção italiana.
Cortinas de bambu, um paciente com asma reclamando da pelúcia verde e um piano de ébano estavam igualmente embalsamados nos salões formais do Hotel d'Italie, em Florença.
Mas havia pulgas nas filigramas douradas do Grand em Roma; funcionários da embaixada britânica se coçavam atrás das palmeiras; os empregados diziam que era a estação das pulgas.
O Claridge's, em Londres, servia morangos num prato dourado, mas o quarto era escondido e ficava cinza o dia todo, e o garçom não dava a mínima se saíamos ou não, e ele era o nosso único contato.
No outono, chegamos ao Commodore, em Saint Paul, e, enquanto as folhas sopravam pelas ruas, esperamos que nossa filha nascesse.
domingo, julho 06, 2008
Causa Mortis - 1997 / 1999

Causa Mortis hoje é silêncio. Em 1997 (ainda no século passado) foi o sonho de três adolescentes que mudaram o tédio de uma cidade do interior fluminense. Passavam as tardes entre timbres de guitarra, viradas de bateria e um contrabaixo tocado na hora certa.
Nos intervalos sonhavam.
Aprenderam o sentido de muitas coisas juntos: ouvindo discos, bebendo coisas baratas, discutindo relações e tentando mudar o mundo. Dessas tardes, além das pequenas revoluções pessoais sobraram as canções. Um destes amigos não está mais entre nós. Assim como logo nós também não estaremos mais aqui para contar essa história.
Já as canções ficam guardadas por enquanto:
http://tramavirtual.uol.com.br/artista.jsp?idp=781162
quinta-feira, julho 03, 2008
Não-Epifania
No ônibus lembrando algumas coisas do passado, eu achei que tivesse parido a frase "Águas Passadas Não Movem Moinhos". Descobri logo que não, ta lá em Dom Quixote do Cervantes.
Pois é, nem as epifanias andam tão mais confiáveis assim.
Pois é, nem as epifanias andam tão mais confiáveis assim.
quarta-feira, julho 02, 2008
Agora os Dias de Julho
Eu ando feliz.
Tanto que quero dar um abraço no cara que inventou o Nescau Power, e outro no outro cara que pensou na cor da embalagem, mas o que importa mesmo é que o frio é uma realidade nesses dias e até já faz parte da minha rotina, e fica gostoso sentir o sol entrando pela janela do ônibus no caminho entre o Túnel Santa Bárbara e a Avenida Presidente Vargas.
Faço silêncio enquanto escrevo, mas acabo ligando a televisão pra ouvir música, e fico querendo almoçar no Amendotéque um dia desses, com aquele arroz todo, batatas e feijão temperado de verdade, e ainda tomar coca-cola, e cerveja depois, e lembrar de fumar agora, depois de escrever, na madrugada com vento frio em Botafogo, pra fazer a digestão, e esquecer o quase-tudo, porque eu já tenho o bastante, só preciso das coisas básicas para continuar vivendo. Sempre acabo descobrindo prazer nas coisas, na comida, na bebida, no caminho, no sol, no ônibus, na música que ta tocando no rádio, isso quando não é Jorge Vercilo, Djavan ou Ana Carolina. Fora esses, até rola qualquer coisa.
Acordo de madrugada pra ver séries, sozinho, com sono ainda, mas posso dormir outra vez, e posso aproveitar alguma outra hora do dia pra meus sacerdócios, pra tomar o café de cinqüenta centavos diários, pra fumar, pra beber sem ter programado com ninguém, ou ler um livro inteiro, ou fazer planos pro futuro que vem vindo e parece ser melhor.
Melhor que já estar feliz.
Tanto que quero dar um abraço no cara que inventou o Nescau Power, e outro no outro cara que pensou na cor da embalagem, mas o que importa mesmo é que o frio é uma realidade nesses dias e até já faz parte da minha rotina, e fica gostoso sentir o sol entrando pela janela do ônibus no caminho entre o Túnel Santa Bárbara e a Avenida Presidente Vargas.
Faço silêncio enquanto escrevo, mas acabo ligando a televisão pra ouvir música, e fico querendo almoçar no Amendotéque um dia desses, com aquele arroz todo, batatas e feijão temperado de verdade, e ainda tomar coca-cola, e cerveja depois, e lembrar de fumar agora, depois de escrever, na madrugada com vento frio em Botafogo, pra fazer a digestão, e esquecer o quase-tudo, porque eu já tenho o bastante, só preciso das coisas básicas para continuar vivendo. Sempre acabo descobrindo prazer nas coisas, na comida, na bebida, no caminho, no sol, no ônibus, na música que ta tocando no rádio, isso quando não é Jorge Vercilo, Djavan ou Ana Carolina. Fora esses, até rola qualquer coisa.
Acordo de madrugada pra ver séries, sozinho, com sono ainda, mas posso dormir outra vez, e posso aproveitar alguma outra hora do dia pra meus sacerdócios, pra tomar o café de cinqüenta centavos diários, pra fumar, pra beber sem ter programado com ninguém, ou ler um livro inteiro, ou fazer planos pro futuro que vem vindo e parece ser melhor.
Melhor que já estar feliz.
segunda-feira, junho 30, 2008
Alguma Coisa Certa
Ela atravessa a Rua das Laranjeiras com uma sacola de compras na mão. Frutas, pão e pó de café. Usa uma blusa branca e o jeans azul surrado que adora. Sorri por saber que o sol dessa tarde só mostra o sentido que a palavra faz na canção que ela cantarola enquanto caminha com o coração batendo acelerado.
Tudo ao mesmo tempo. Sorriso, pensamento, canção e um sonho vestido de calor verde-celeste. Escreve seu nome com os dedos na vidraça morta e úmida do edifício número 153.
Tudo ao mesmo tempo. Sorriso, pensamento, canção e um sonho vestido de calor verde-celeste. Escreve seu nome com os dedos na vidraça morta e úmida do edifício número 153.
quarta-feira, junho 25, 2008
terça-feira, junho 24, 2008
Orientalidade
Teoria da Orientalidade:
Viagem minha atual baseada nas teorias de horizontalidades/verticalidades do geógrafo Milton Santos e acaba servindo como uma terceira via. Onde o sujeito deve viver só com suas necessidades básicas e evitar as neuroses ocidentais como o amor, o tédio, a carência e o dinheiro. Comida pra comer, água pra beber, roupa pra vestir e no máximo um carinho (ou sexo) com pessoas extremamente legais. Quem vive a orientalidade evita o conflito cagando para quem vem encher o seu saco. Lê livros, ouve discos até a década de 70 e evita conversas banais, fundamentalmente se elas tratarem da vida alheia.
"Do outro quase sempre vem problema" é um postulado básico do jeito de viver a orientalidade cotidiana. Você vai ao supermercado sozinho pra ouvir só o que te interessa, usa o transporte mais barato e lógico que estiver ao seu alcance, e principalmente, não gasta dinheiro com coisas que não são funcionais. As coisas devem servir muito bem pra alguma coisa, se elas só servem pra diminuir alguma falta emocional, o problema é seu e não é comprando que você vai resolver.
Evitando os chatos do mundo e gastando bem seu (pouco) dinheiro, a teoria da orientalidade resolve 99% dos seus problemas diários.
Viagem minha atual baseada nas teorias de horizontalidades/verticalidades do geógrafo Milton Santos e acaba servindo como uma terceira via. Onde o sujeito deve viver só com suas necessidades básicas e evitar as neuroses ocidentais como o amor, o tédio, a carência e o dinheiro. Comida pra comer, água pra beber, roupa pra vestir e no máximo um carinho (ou sexo) com pessoas extremamente legais. Quem vive a orientalidade evita o conflito cagando para quem vem encher o seu saco. Lê livros, ouve discos até a década de 70 e evita conversas banais, fundamentalmente se elas tratarem da vida alheia.
"Do outro quase sempre vem problema" é um postulado básico do jeito de viver a orientalidade cotidiana. Você vai ao supermercado sozinho pra ouvir só o que te interessa, usa o transporte mais barato e lógico que estiver ao seu alcance, e principalmente, não gasta dinheiro com coisas que não são funcionais. As coisas devem servir muito bem pra alguma coisa, se elas só servem pra diminuir alguma falta emocional, o problema é seu e não é comprando que você vai resolver.
Evitando os chatos do mundo e gastando bem seu (pouco) dinheiro, a teoria da orientalidade resolve 99% dos seus problemas diários.
domingo, junho 22, 2008
Começando com um silêncio leve
Acho que voltei, voltei a passear por aqui e agora penso que quando a chuva e o frio chegam a Salvador deve ser um período bem bonito, mas o estranho é que perdi um pedaço considerável do Lisboa, meu romance, e com certeza lá na frente ele vai me fazer falta, vou sentir saudade do frio que fazia na cena que perdi, mas foda-se também, já escrevi outra parte que talvez fique melhor que a anterior.
Nunca se sabe ao certo.
Ando sonhando com o caminho escondido que liga Botafogo a Rua das Laranjeiras. Ele existe, eu sei, mas talvez só apareça durante a madrugada. Como uma entidade do folclore carioca. Vou procurar melhor.
Nunca se sabe ao certo.
Ando sonhando com o caminho escondido que liga Botafogo a Rua das Laranjeiras. Ele existe, eu sei, mas talvez só apareça durante a madrugada. Como uma entidade do folclore carioca. Vou procurar melhor.
sexta-feira, junho 20, 2008
Meio-Ano
O frio chega e vai embora sem dizer muita coisa. Fechando e abrindo a geladeira. A noite inteira. Pessoas passando pelo vão entre a luz e o concreto. Eu pensando em alguém que não quer pensar nisso. Ela ri e caminha pela madrugada sem saber. Pensando bem, ainda faz frio. Muito frio.
Deixa eu te levar então
Pra onde eu sei que a gente vai brilhar.
Ouve o teu coração
Batendo travado
Por ninguém e por nada.
Minha vida anda assim.
Uma canção bem Dé / Cazuza / Bebel.
Deixa eu te levar então
Pra onde eu sei que a gente vai brilhar.
Ouve o teu coração
Batendo travado
Por ninguém e por nada.
Minha vida anda assim.
Uma canção bem Dé / Cazuza / Bebel.
quinta-feira, maio 15, 2008
Chelsea Nights volta com programação normal
Tenho muito a dizer. Muito mesmo. Até o final de Junho prometo voltar com uma programação mega acelerada por aqui.
segunda-feira, maio 05, 2008
sexta-feira, maio 02, 2008
quarta-feira, abril 02, 2008
quarta-feira, março 12, 2008
A Internacional no ouvido
Ela parece acreditar que o importante está exatamente nas coisas que não me importam. Aos vinte e quatro anos ela tem razão, ela sabe o que é necessidade, ela controla todo o novo rumo de sua vida. Vai sair de casa e buscar em outro lugar o que talvez tenha feito falta até agora.
Quem sou eu pra dizer que é errado? Errado é o silêncio que vivemos nos momentos mais importantes. Seria ele também fruto dessas novas escolhas ou não existe mesmo explicação?
Quem sou eu pra dizer que é errado? Errado é o silêncio que vivemos nos momentos mais importantes. Seria ele também fruto dessas novas escolhas ou não existe mesmo explicação?
terça-feira, março 11, 2008
Crônica de Dias Estranhos
Ele fica triste e alegre. Ao mesmo tempo. Não sabe o que deve ser feito, mas começa a fazer alguma coisa, aos poucos, com sorte encontra algum sentido lá na frente. Tudo parece um grande buraco sem fundo, sem cor, sem foco, sem vestido colorido que faça os sabádos pareceram sábados de verdade. A fase é a mais difícil, só serve pra mostrar que vontade precisa, urgente, ser necessidade. As revoluções que nunca chegaram não foram revoluções, e não adianta mais fechar os olhos para a verdade cotidiana. Ela é cruel, mas também salva os especiais.
Ela ama as revoluções e sofre com seu fracasso em realizá-las.
Ela ama as revoluções e sofre com seu fracasso em realizá-las.
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