quinta-feira, julho 10, 2008

Conduzam o Sr. e a Sra. F. ao Quarto

F. Scott e Zelda Fitzgerald - (1921)

Eram respeitosos no Cecil, em Londres, disciplinados pelos longos crepúsculos majestosos sobre o rio, e nós éramos jovens, mas mesmo assim ficamos impressionados com os hindus e os cortejos reais.

No St. James e no Albany, em Paris, impregnamos o quarto com o cheiro de uma pele de cabra armênia não-curtida e colocamos o "sorvete" que não se derretia do lado de fora da janela, e havia cartões-postais sujos, mas estávamos grávidos.

O Royal Danieli, em Veneza, tinha um caça-níqueis e a graxa de séculos sobre o peitoril da janela, e havia belos oficiais no destróier americano. Nós nos divertimos numa gôndola como se fôssemos uma suave canção italiana.

Cortinas de bambu, um paciente com asma reclamando da pelúcia verde e um piano de ébano estavam igualmente embalsamados nos salões formais do Hotel d'Italie, em Florença.

Mas havia pulgas nas filigramas douradas do Grand em Roma; funcionários da embaixada britânica se coçavam atrás das palmeiras; os empregados diziam que era a estação das pulgas.

O Claridge's, em Londres, servia morangos num prato dourado, mas o quarto era escondido e ficava cinza o dia todo, e o garçom não dava a mínima se saíamos ou não, e ele era o nosso único contato.

No outono, chegamos ao Commodore, em Saint Paul, e, enquanto as folhas sopravam pelas ruas, esperamos que nossa filha nascesse.

domingo, julho 06, 2008

Causa Mortis - 1997 / 1999



Causa Mortis hoje é silêncio. Em 1997 (ainda no século passado) foi o sonho de três adolescentes que mudaram o tédio de uma cidade do interior fluminense. Passavam as tardes entre timbres de guitarra, viradas de bateria e um contrabaixo tocado na hora certa.

Nos intervalos sonhavam.

Aprenderam o sentido de muitas coisas juntos: ouvindo discos, bebendo coisas baratas, discutindo relações e tentando mudar o mundo. Dessas tardes, além das pequenas revoluções pessoais sobraram as canções. Um destes amigos não está mais entre nós. Assim como logo nós também não estaremos mais aqui para contar essa história.

Já as canções ficam guardadas por enquanto:
http://tramavirtual.uol.com.br/artista.jsp?idp=781162

quinta-feira, julho 03, 2008

Não-Epifania

No ônibus lembrando algumas coisas do passado, eu achei que tivesse parido a frase "Águas Passadas Não Movem Moinhos". Descobri logo que não, ta lá em Dom Quixote do Cervantes.

Pois é, nem as epifanias andam tão mais confiáveis assim.

quarta-feira, julho 02, 2008

Agora os Dias de Julho

Eu ando feliz.

Tanto que quero dar um abraço no cara que inventou o Nescau Power, e outro no outro cara que pensou na cor da embalagem, mas o que importa mesmo é que o frio é uma realidade nesses dias e até já faz parte da minha rotina, e fica gostoso sentir o sol entrando pela janela do ônibus no caminho entre o Túnel Santa Bárbara e a Avenida Presidente Vargas.

Faço silêncio enquanto escrevo, mas acabo ligando a televisão pra ouvir música, e fico querendo almoçar no Amendotéque um dia desses, com aquele arroz todo, batatas e feijão temperado de verdade, e ainda tomar coca-cola, e cerveja depois, e lembrar de fumar agora, depois de escrever, na madrugada com vento frio em Botafogo, pra fazer a digestão, e esquecer o quase-tudo, porque eu já tenho o bastante, só preciso das coisas básicas para continuar vivendo. Sempre acabo descobrindo prazer nas coisas, na comida, na bebida, no caminho, no sol, no ônibus, na música que ta tocando no rádio, isso quando não é Jorge Vercilo, Djavan ou Ana Carolina. Fora esses, até rola qualquer coisa.

Acordo de madrugada pra ver séries, sozinho, com sono ainda, mas posso dormir outra vez, e posso aproveitar alguma outra hora do dia pra meus sacerdócios, pra tomar o café de cinqüenta centavos diários, pra fumar, pra beber sem ter programado com ninguém, ou ler um livro inteiro, ou fazer planos pro futuro que vem vindo e parece ser melhor.

Melhor que já estar feliz.

segunda-feira, junho 30, 2008

Alguma Coisa Certa

Ela atravessa a Rua das Laranjeiras com uma sacola de compras na mão. Frutas, pão e pó de café. Usa uma blusa branca e o jeans azul surrado que adora. Sorri por saber que o sol dessa tarde só mostra o sentido que a palavra faz na canção que ela cantarola enquanto caminha com o coração batendo acelerado.

Tudo ao mesmo tempo. Sorriso, pensamento, canção e um sonho vestido de calor verde-celeste. Escreve seu nome com os dedos na vidraça morta e úmida do edifício número 153.

quarta-feira, junho 25, 2008

Subliminar

Sabe o que eu mais gosto no M.M?

M.M. e as menininhas.

terça-feira, junho 24, 2008

Orientalidade

Teoria da Orientalidade:

Viagem minha atual baseada nas teorias de horizontalidades/verticalidades do geógrafo Milton Santos e acaba servindo como uma terceira via. Onde o sujeito deve viver só com suas necessidades básicas e evitar as neuroses ocidentais como o amor, o tédio, a carência e o dinheiro. Comida pra comer, água pra beber, roupa pra vestir e no máximo um carinho (ou sexo) com pessoas extremamente legais. Quem vive a orientalidade evita o conflito cagando para quem vem encher o seu saco. Lê livros, ouve discos até a década de 70 e evita conversas banais, fundamentalmente se elas tratarem da vida alheia.

"Do outro quase sempre vem problema" é um postulado básico do jeito de viver a orientalidade cotidiana. Você vai ao supermercado sozinho pra ouvir só o que te interessa, usa o transporte mais barato e lógico que estiver ao seu alcance, e principalmente, não gasta dinheiro com coisas que não são funcionais. As coisas devem servir muito bem pra alguma coisa, se elas só servem pra diminuir alguma falta emocional, o problema é seu e não é comprando que você vai resolver.

Evitando os chatos do mundo e gastando bem seu (pouco) dinheiro, a teoria da orientalidade resolve 99% dos seus problemas diários.

domingo, junho 22, 2008

Começando com um silêncio leve

Acho que voltei, voltei a passear por aqui e agora penso que quando a chuva e o frio chegam a Salvador deve ser um período bem bonito, mas o estranho é que perdi um pedaço considerável do Lisboa, meu romance, e com certeza lá na frente ele vai me fazer falta, vou sentir saudade do frio que fazia na cena que perdi, mas foda-se também, já escrevi outra parte que talvez fique melhor que a anterior.

Nunca se sabe ao certo.

Ando sonhando com o caminho escondido que liga Botafogo a Rua das Laranjeiras. Ele existe, eu sei, mas talvez só apareça durante a madrugada. Como uma entidade do folclore carioca. Vou procurar melhor.

sexta-feira, junho 20, 2008

Meio-Ano

O frio chega e vai embora sem dizer muita coisa. Fechando e abrindo a geladeira. A noite inteira. Pessoas passando pelo vão entre a luz e o concreto. Eu pensando em alguém que não quer pensar nisso. Ela ri e caminha pela madrugada sem saber. Pensando bem, ainda faz frio. Muito frio.

Deixa eu te levar então
Pra onde eu sei que a gente vai brilhar.
Ouve o teu coração
Batendo travado
Por ninguém e por nada.


Minha vida anda assim.

Uma canção bem Dé / Cazuza / Bebel.

quinta-feira, maio 15, 2008

Chelsea Nights volta com programação normal

Tenho muito a dizer. Muito mesmo. Até o final de Junho prometo voltar com uma programação mega acelerada por aqui.

segunda-feira, maio 05, 2008

Eu

26. Dia 4. Maio. Ando me encontrando muito por aí, mudando, entendendo, querendo. Vivendo muito. Tomara que os dias encontrem o meu caminho. Certo. Eu nunca fui tanto eu mesmo quanto agora.

Ass: Manoel Magalhães

sexta-feira, maio 02, 2008

entre o fim do mundo
e o fim do mês
entre a verdade
e o rock inglês
entre os outros
e vocês

eu me sinto um estrangeiro.

quarta-feira, abril 02, 2008

Me dê um beijo meu amor
Eles estão nos esperando
Os automóveis ardem em chamas
Derrubar as prateleiras, as estantes,
as estátuas, as vidraças, louças, livros sim

E eu digo sim, e eu digo não ao não
Eu digo: é proibido proibir

quarta-feira, março 12, 2008

A Internacional no ouvido

Ela parece acreditar que o importante está exatamente nas coisas que não me importam. Aos vinte e quatro anos ela tem razão, ela sabe o que é necessidade, ela controla todo o novo rumo de sua vida. Vai sair de casa e buscar em outro lugar o que talvez tenha feito falta até agora.

Quem sou eu pra dizer que é errado? Errado é o silêncio que vivemos nos momentos mais importantes. Seria ele também fruto dessas novas escolhas ou não existe mesmo explicação?

terça-feira, março 11, 2008

Crônica de Dias Estranhos

Ele fica triste e alegre. Ao mesmo tempo. Não sabe o que deve ser feito, mas começa a fazer alguma coisa, aos poucos, com sorte encontra algum sentido lá na frente. Tudo parece um grande buraco sem fundo, sem cor, sem foco, sem vestido colorido que faça os sabádos pareceram sábados de verdade. A fase é a mais difícil, só serve pra mostrar que vontade precisa, urgente, ser necessidade. As revoluções que nunca chegaram não foram revoluções, e não adianta mais fechar os olhos para a verdade cotidiana. Ela é cruel, mas também salva os especiais.

Ela ama as revoluções e sofre com seu fracasso em realizá-las.

sábado, março 08, 2008

Leilão



Ok, Scarlet. Eu compro.

quarta-feira, fevereiro 20, 2008

Fragmento do Gávea Hardcore

Não imaginei que você fosse tão sarcástico. Ela disse. Sabia meu signo e ascendente, e além de tudo dizia os nomes dos meus amigos como se fossem dela também, pessoas próximas, íntimas, e eu rindo bêbado vendo essa menina, Cristal, pedir um sanduíche de pernil no bar de sinuca no Humaitá. Cantei alto “nem todas as flores da Cobal têm todas as cores da sua voz” com os olhos cravados nos dentes dela que gargalhava com minhas bobagens, mesmo dizendo que eu era azedo, ela respondia “não acredito”, sou salgado de verdade, sou péssimo, cruel, menina, ela ria ainda mais e continuava com seu “não acredito, não acredito”. Como eu gosto de quem não acredita em mim, beijei a Cristal pegando-a pelo braço e arrastando com força pra perto do meu peito, da minha cadeira, ela beijava e ainda ria muito, eu podia sentir, sentia os dentes, os lábios, o barulho que o corpo fazia ao chegar cada vez mais perto, tocando na mesa que quase caiu derrubando o tal sanduíche ainda intacto, minhas mãos nas coxas da Cristal, um tesão filho da puta, ela deixando tudo acontecer sem resistência até que a garrafa de cerveja enfim caiu da mesa com o tapa que ela deu, sem querer, tentando colocar uma das mãos no meu pescoço.

Ela, camiseta do Noção de Nada, trilogia suja de Copacabana na estampa meio alaranjada, agora sentido vergonha, quase involuntária, por derrubar a garrafa enquanto o resto do bar parou pra assistir tudo escorrendo pelo chão, os cacos de vidro, a cerveja, e eu rindo, Cristal também não agüenta e ri, pede desculpa ao garçom que veio limpar a mesa, peço pra colocar isso na conta também, ele responde o “tudo bem” natural, ela ainda ri muito me olhando de lado, vindo beijar outra vez, eu continuo com as mãos entres suas pernas e quase esqueço todo o ruído do bar, o rosto de quem bebe e nos observa imaginando um casal de malucos. Cristal morde o lábio inferior e já consegue tocar minha nuca sem causar maiores estragos, diz que quer comer o sanduíche, e eu aproveito pra acender um cigarro e observa-la mastigando com raiva o pão, parece esfomeada, mesmo assim ainda sorri enquanto come e diz que me conhece, que sabe que cara é essa que eu faço achando graça, como se fosse um circo, como se ela fosse a coisa mais engraçada do mundo, eu digo “ta certo, Cristal, você sabe de tudo” e jogo fora a fumaça do trago pra beijar outra vez, agora só a ponta da boca que ela fecha pra engolir a maçaroca de pão com pernil.

quarta-feira, fevereiro 13, 2008

Capítulos

A minha vida passou por uma grande mudança durante os anos de 2000 e 2001. Depois passou por um ciclo maior ainda de transformações que durou de 2002 até 2006. Mas o processo que eu vivo agora, que começou em 2006 e ainda não pensa em ano para terminar é o mais complexo de todos.

Muita coisa mudou, eu mudei muito também. Claro que isso é importante demais pra mim, consegui superar uma grande pedreira que eu não via saída em 2004 ou 2005 por exemplo, mas agora tenho uma muralha pra transpor.

Meu objetivo é difícil, dá medo, mas vai acontecer. Eu sei.

quinta-feira, fevereiro 07, 2008

Yes We Can



Se a Scarlet vota Obama, o Hotel Chelsea Nigths também apoia!

sexta-feira, fevereiro 01, 2008

Amores Encardidos & Bebidas

Klaus Maia e Manoel Magalhães agora sempre no: www.drunk-love.blogspot.com