sexta-feira, junho 20, 2008

Meio-Ano

O frio chega e vai embora sem dizer muita coisa. Fechando e abrindo a geladeira. A noite inteira. Pessoas passando pelo vão entre a luz e o concreto. Eu pensando em alguém que não quer pensar nisso. Ela ri e caminha pela madrugada sem saber. Pensando bem, ainda faz frio. Muito frio.

Deixa eu te levar então
Pra onde eu sei que a gente vai brilhar.
Ouve o teu coração
Batendo travado
Por ninguém e por nada.


Minha vida anda assim.

Uma canção bem Dé / Cazuza / Bebel.

quinta-feira, maio 15, 2008

Chelsea Nights volta com programação normal

Tenho muito a dizer. Muito mesmo. Até o final de Junho prometo voltar com uma programação mega acelerada por aqui.

segunda-feira, maio 05, 2008

Eu

26. Dia 4. Maio. Ando me encontrando muito por aí, mudando, entendendo, querendo. Vivendo muito. Tomara que os dias encontrem o meu caminho. Certo. Eu nunca fui tanto eu mesmo quanto agora.

Ass: Manoel Magalhães

sexta-feira, maio 02, 2008

entre o fim do mundo
e o fim do mês
entre a verdade
e o rock inglês
entre os outros
e vocês

eu me sinto um estrangeiro.

quarta-feira, abril 02, 2008

Me dê um beijo meu amor
Eles estão nos esperando
Os automóveis ardem em chamas
Derrubar as prateleiras, as estantes,
as estátuas, as vidraças, louças, livros sim

E eu digo sim, e eu digo não ao não
Eu digo: é proibido proibir

quarta-feira, março 12, 2008

A Internacional no ouvido

Ela parece acreditar que o importante está exatamente nas coisas que não me importam. Aos vinte e quatro anos ela tem razão, ela sabe o que é necessidade, ela controla todo o novo rumo de sua vida. Vai sair de casa e buscar em outro lugar o que talvez tenha feito falta até agora.

Quem sou eu pra dizer que é errado? Errado é o silêncio que vivemos nos momentos mais importantes. Seria ele também fruto dessas novas escolhas ou não existe mesmo explicação?

terça-feira, março 11, 2008

Crônica de Dias Estranhos

Ele fica triste e alegre. Ao mesmo tempo. Não sabe o que deve ser feito, mas começa a fazer alguma coisa, aos poucos, com sorte encontra algum sentido lá na frente. Tudo parece um grande buraco sem fundo, sem cor, sem foco, sem vestido colorido que faça os sabádos pareceram sábados de verdade. A fase é a mais difícil, só serve pra mostrar que vontade precisa, urgente, ser necessidade. As revoluções que nunca chegaram não foram revoluções, e não adianta mais fechar os olhos para a verdade cotidiana. Ela é cruel, mas também salva os especiais.

Ela ama as revoluções e sofre com seu fracasso em realizá-las.

sábado, março 08, 2008

Leilão



Ok, Scarlet. Eu compro.

quarta-feira, fevereiro 20, 2008

Fragmento do Gávea Hardcore

Não imaginei que você fosse tão sarcástico. Ela disse. Sabia meu signo e ascendente, e além de tudo dizia os nomes dos meus amigos como se fossem dela também, pessoas próximas, íntimas, e eu rindo bêbado vendo essa menina, Cristal, pedir um sanduíche de pernil no bar de sinuca no Humaitá. Cantei alto “nem todas as flores da Cobal têm todas as cores da sua voz” com os olhos cravados nos dentes dela que gargalhava com minhas bobagens, mesmo dizendo que eu era azedo, ela respondia “não acredito”, sou salgado de verdade, sou péssimo, cruel, menina, ela ria ainda mais e continuava com seu “não acredito, não acredito”. Como eu gosto de quem não acredita em mim, beijei a Cristal pegando-a pelo braço e arrastando com força pra perto do meu peito, da minha cadeira, ela beijava e ainda ria muito, eu podia sentir, sentia os dentes, os lábios, o barulho que o corpo fazia ao chegar cada vez mais perto, tocando na mesa que quase caiu derrubando o tal sanduíche ainda intacto, minhas mãos nas coxas da Cristal, um tesão filho da puta, ela deixando tudo acontecer sem resistência até que a garrafa de cerveja enfim caiu da mesa com o tapa que ela deu, sem querer, tentando colocar uma das mãos no meu pescoço.

Ela, camiseta do Noção de Nada, trilogia suja de Copacabana na estampa meio alaranjada, agora sentido vergonha, quase involuntária, por derrubar a garrafa enquanto o resto do bar parou pra assistir tudo escorrendo pelo chão, os cacos de vidro, a cerveja, e eu rindo, Cristal também não agüenta e ri, pede desculpa ao garçom que veio limpar a mesa, peço pra colocar isso na conta também, ele responde o “tudo bem” natural, ela ainda ri muito me olhando de lado, vindo beijar outra vez, eu continuo com as mãos entres suas pernas e quase esqueço todo o ruído do bar, o rosto de quem bebe e nos observa imaginando um casal de malucos. Cristal morde o lábio inferior e já consegue tocar minha nuca sem causar maiores estragos, diz que quer comer o sanduíche, e eu aproveito pra acender um cigarro e observa-la mastigando com raiva o pão, parece esfomeada, mesmo assim ainda sorri enquanto come e diz que me conhece, que sabe que cara é essa que eu faço achando graça, como se fosse um circo, como se ela fosse a coisa mais engraçada do mundo, eu digo “ta certo, Cristal, você sabe de tudo” e jogo fora a fumaça do trago pra beijar outra vez, agora só a ponta da boca que ela fecha pra engolir a maçaroca de pão com pernil.

quarta-feira, fevereiro 13, 2008

Capítulos

A minha vida passou por uma grande mudança durante os anos de 2000 e 2001. Depois passou por um ciclo maior ainda de transformações que durou de 2002 até 2006. Mas o processo que eu vivo agora, que começou em 2006 e ainda não pensa em ano para terminar é o mais complexo de todos.

Muita coisa mudou, eu mudei muito também. Claro que isso é importante demais pra mim, consegui superar uma grande pedreira que eu não via saída em 2004 ou 2005 por exemplo, mas agora tenho uma muralha pra transpor.

Meu objetivo é difícil, dá medo, mas vai acontecer. Eu sei.

quinta-feira, fevereiro 07, 2008

Yes We Can



Se a Scarlet vota Obama, o Hotel Chelsea Nigths também apoia!

sexta-feira, fevereiro 01, 2008

Amores Encardidos & Bebidas

Klaus Maia e Manoel Magalhães agora sempre no: www.drunk-love.blogspot.com

quinta-feira, janeiro 31, 2008

Suco de Capitalismo em Pó

No Jornal da Globo de anteontem, uma série sobre a indústria automobilística destacava a transformação neste segmento na República Tcheca. No texto, a repórter dizia que os carros tchecos durante os anos de socialismo eram “robustos, de fácil manutenção e muito atrasados em tecnologia”. Ou seja, eram carros práticos, e principalmente, duráveis. Produtos para famílias que até então se importavam com coisas importantes além da cor, do design, que não ligavam muito se não existisse ar-condicionado no verão do leste europeu ou se o preço do carro iria impressionar seus vizinhos mais pobres.

Mas agora, segundo a mesma repórter, a indústria tcheca passa por uma “revolução”. Como o povo da República Tcheca possui escolaridade relativamente alta, mas recebe salários muito baixos em relação aos pagos na parte ocidental da Europa, nunca foi tão lucrativo fabricar ou montar carros por lá. Todas as empresas do capitalismo ocidental chegaram colocando os trabalhadores tchecos para trabalhar na construção de carros que não serão consumidos pelos mesmos. Ou seja, 90% dos carros montados no país são destinados à exportação. Uma ex-nação socialista agora monta carros que serão vendidos em toda a Europa capitalista, quem sabe até nos Estados Unidos da América. A grande ironia da vida pós-guerra-fria é pensar que o capitalismo transforma os desejos publicitários na coisa mais natural do mundo.

Estou longe de ser um desses corneteiros chatos que vivem defendendo Cuba ou a antiga União Soviética, não odeio nem apoio muita coisa, só vivo, sinto e observo. Não sou socialista, comunista, de esquerda, de direita ou porra nenhuma. Só acho que é muito estranho ouvir alguém dizendo que uma coisa que é bastante útil, barata, simples de consertar e feita pra durar muito tempo é obviamente atrasada em relação à outra coisa que é poluente, cara, de manutenção complicada e durabilidade física pífia (isso para não falar na capacidade de tornar-se obsoleta em relação aos novos modelos). Um carro mega-moderno ocidental não é tão naturalmente superior aos carros que eram fabricados no leste europeu socialista, como pode parecer. Ainda mais analisando o contexto em que eram fabricados.

Mas dizer isso é bater diretamente de frente com o ideal capitalista básico. As coisas não são feitas para funcionar ou durar, elas são fabricadas para uma futura troca por outra coisa nova. E o tempo desse ciclo é cada vez menor. E mais natural. Virou lugar comum que a tecnologia é boa em si, que “o meio é a mensagem” e esse monte de besteiras já cotidianas. Como se o uso de cada coisa não fosse o que realmente determina o seu valor, e hoje para todos os olhos parece definitivo que não determina mesmo.

As nossas células é que são naturais, os excrementos que ficam lá no banheiro, a segunda-feira, o sábado, o domingo, tudo isso é natural, mas a tecnologia e o discurso publicitário não são; os dois dependem diretamente do que é dito, de como é dito, de pra quem é destinado o discurso, de um outro amontoado de fatores que vão determinar sua importância ou não. Só que nessa época onde até a água já tem sabores diferentes e é vendida pela Coca-Cola, parece que natural mesmo é o novo, natural é o caro, o prazer do que pode parecer momentaneamente calar nossas necessidades mais básicas.

Não é a toa que todo dia muita gente se mata sem motivo, fica triste sem motivo, chora sem motivo, tem síndrome do pânico, sente falta de alguma coisa que não sabe o que é, sente medo, solidão, falta, tristeza, vazio existencial, vazio da alma, vazio. Não é à toa esse caminhão de depressivos que faz funcionar uma outra engrenagem de psicólogos, psicanalistas, psiquiatras, e principalmente, de remédios antidepressivos. Tudo isso sem nenhum motivo aparente.

Pois é, o motivo não é aparente mesmo. Ele é só natural. Natural até demais.

quarta-feira, janeiro 23, 2008

Dias de Chuva

A Leandra Leal ali, de olhos abertos, me levando pelo guarda-chuva.

terça-feira, janeiro 22, 2008

Lisboa

Às vezes eu telefonava pra lá logo quando amanhecia, só pra imaginar o telefone tocando no vazio daquela sala enorme e quase sem móvel nenhum, eu podia ver perfeitamente o sol nascendo na janela da frente, e até tocava Eleonor Rigby na minha imaginação. Na memória afetiva que eu tinha da Camila ali, naquele sofá azul, solitário no espaço todo do cômodo, e ela fumando e tomando café, linda, com os olhos do tamanho do bairro das Laranjeiras. Ela sempre dizia que eu ficava calado de manhã e aumentava o volume da música, gritando “fala alguma coisa”, e sorria, e repetia cada vez mais rápido, até me fazer rir também e dizer, enfim, algo que a agradasse de verdade, quase sempre foi desse jeito que aconteceu. A Camila nunca ouvia o telefone tocando pela manhã, ou quando ouvia tinha preguiça de ir até a sala atender, mas eu adorava isso tudo, só de ouvir o barulho que o sinal da ligação faz e esse filme todo correndo rápido na cabeça, quase como um sonho, daqueles que a gente sempre tem quando sente muito a falta de uma pessoa, acho que eu já sentia saudade de véspera mesmo. Naquela época eu não entendia nada disso direito.

sexta-feira, janeiro 18, 2008

Amor é Inferno

Senti saudade e ela não sabe. Eu ali no escuro, óbvio demais, ouvindo aquele disco imenso de baladas doces, bebendo cerveja e fumando o mesmo cigarro que ela diz que é muito ruim. Sonhei com um dia no futuro onde nós dois deitaríamos no chão e tudo que até então não fez sentido, faria. Ela com aqueles olhos lindos dizendo bobagens e eu sorriria querendo passar mil noites iguais, a vontade de transformar o que passa na cabeça em desenho de realidade. Comprando pão, bebendo água, sentindo a respiração ao lado do peito no sofá da sala, dormindo durante os jogos de futebol na televisão.

Só nós dois dentro de um filme americano naquela época quando ainda não existia cor no cinema, beijando com o baseado que ela gosta aceso nas mãos. Ela não quis, eu tentei muito transplantar esse sonho para o dia-a-dia, não foi bastante, não foi possível, não adiantou só querer que o presente fosse igual ao que explode na cabeça durante o sono. Agora só me resta acreditar que se o Eterno Retorno existe mesmo, o nosso caminho ainda não terminou; e ela vai aparecer lá na frente, no apartamento novo, quando eu menos esperar e isso tudo vai finalmente acontecer, do jeito exato que deve ser. Todas as imagens projetadas na parede branca, simples, chapada.

Tudo desandou, mas amanhã pode mudar também.

sexta-feira, janeiro 11, 2008

De Turim a Acapulco

(Dary Jr. e Allan Yokohama)

Hoje você vai se cansar de mim
Eu sou o acidente em frente ao portão
O instante que prendeu a sua respiração
E os dias que Nietzsche passou em Turim

Hoje você vai se arrepender
Por tudo o que ficou no retrovisor
Se ainda havia dúvida do meu amor
Nem sempre fez sentido o que eu quis dizer

Quero fugir para Acapulco e me afundar nas ilusões
Enrolado em trapos que foram cortinas brancas
O despudor só revelou minhas piores intenções
Elas sempre se escondem nas conversas francas

sábado, janeiro 05, 2008

2008

Vai ser lindo. sabe lindo?! LINDO.

Mesmo muita gente não querendo, eu sei.

terça-feira, dezembro 18, 2007

Tirando um caminhão das costas

E é isso. Acho que agora aquela fase que começou em 2006, finalmente terminou. O saldo dela é totalmente positivo e agora é a hora de passar o final do ano dormindo muito, e principalmente, pensando em um 2008 totalmente diferente de tudo o que aconteceu até aqui. Este pequeno hotel perdido terá muito mais atenção no ano que vem, ele e mais outras coisas que são realmente importantes na minha vida. A felicidade é fácil pra mim.

Lá em 2006, comecei a filtrar o que importava mesmo e até hoje aprendo como fazer isso direito. Leva tempo, gera esforço físico e mental, mas nesses momentos de fim de ciclo, a felicidade volta e os planos para o futuro são os melhores de todos os tempos. Apesar de algumas coisas sempre tentando me tirar do sério, nada vai abalar, nada mesmo. Vou é descansar agora... e viver, que sempre foi o mais importante.

ps. obrigado a Márcio Gonçalves, Fátima Regis e Vinícius Pereira.

segunda-feira, dezembro 17, 2007

vida-quase-versão-dois-mil-e-oito



Ela acha o Love is Hell muito, muito triste. Então já que o Gold é mais bonito e feliz, dedico essa música pra você. E ainda sonho que alguma coisa mude. Urgente, como todas as vontades são, como todo desejo sempre é.