quinta-feira, setembro 20, 2007

Eles

Enquanto ele fala ao telefone, a menina de 2003 atravessa a arquitetura soviética do prédio de doze andares, ainda com suas panturrilhas transparentes de tão brancas, logo abaixo do vestido solto e sem cor; e ele ainda quer leva-la pra casa, quer dormir do mesmo jeito, com o tapete e os lençóis estendidos fora da cama, quer trepar com ela ali mesmo, naquele lugar de sempre, no chão, doendo os cotovelos, forçando os braços no rosto de Juliana, os cabelos claros escorrendo nos dedos, ela amando e dizendo que ama mesmo, e pronto; sem frescura de dizer o que dá vontade de dizer.

Eles sim, foram um casal.

segunda-feira, setembro 10, 2007

The Killing Moon

A noite vai caindo e estou na grande janela da sala, fumando outro cigarro, enquanto ela coloca o espelho entre o chão e a parede e começa a se maquiar sentada no colchão estendido por ali mesmo, perdida entre almofadas e cobertores de retalhos coloridos. Bebemos e viajamos pela noite anterior, mas o cansaço é leve e não tira o prazer de ter ido dormir já com o sol no céu e ela deitada ali, os olhos enormes como a felicidade de novamente ser um casal que caminha conversando pela madrugada.

Minha mulher usa um vestido negro tão bonito e não consigo deixar de rir quando ela diz que odeia televisão, vou até lá, beijo seu rosto e digo que adoro quando tudo é engraçado assim, quando ficamos em silêncio ali, naquele cômodo gigante, e não importa se vamos a um desfile de moda ou se trocamos a chatice por cerveja e um churrasquinho gostoso, o que vale mesmo a pena é conseguir superar o atropelo dos dias, é saber que passamos pela tempestade e ainda saímos mais fortes. Agora tudo parece novo e o caminho não é óbvio, exatamente como você gosta.

Ela permanece linda, em silêncio, compenetrada na maquiagem e talvez nem imagine a sorte que temos. Vamos em frente, amor, que o mundo ainda vai mudar muito. Pelo menos, eu acredito no máximo que merecemos.

sábado, agosto 25, 2007

Inferno Astral

Pois é, acontece. Tudo anda estranho nessa metade dos vinte anos, nesse meio pro final do ano, nesses dias que faltam pro aniversário. Vai saber o que é isso. Engraçado que aprendi algumas coisas importantes no meio do buraco atual e espero voltar a escrever aqui logo.

Com amor e tal. Apesar de assim ser mais caro.

quarta-feira, agosto 15, 2007

Não pode ser igual



Foi um ótimo registro do meu casamento, desde 2003, com esse (agora) saudoso contrabaixo preto. Que os nossos caminhos sejam cada vez melhores.

quinta-feira, agosto 09, 2007

Avenida Consolação

Eu não me arrependo de você

Foram quatro cervejas e ela sorriu com dentes de benção. Estávamos tão longe de casa para caminhar de mãos dadas pela Consolação inteira, mas mesmo assim resolvi seguir seu desejo louco. Fomos então, olhos abrindo e fechando como os bares da calçada. Natália usando seu vestido cor de caramelo parecia o início do novo dia que queira se anunciar em cada espaço não preenchido pelos néons das lojas de roupas que iluminavam as ruas transversais. Acendi seu cigarro e beijei o outro lado que me oferecia do rosto enquanto ela tragava a primeira fumaça com aquele seu ar de desprezo com a vida real. Natália, na luz da madrugada, fumava e me dizia bobagens lindas.


Vermelho-esquina-quase-Augusta

No sofá agora nos beijamos enquanto os filmes passam na televisão muda. Ela tira a calçinha e senta no meu colo, escorregando as coxas nas minhas coxas e diz que já me ama tanto, que quer ficar aqui uns dias, que não duvida nem um pouco do que podemos ser juntos. Beija meu pescoço com calma e caminha os dedos, vagarosamente, pelo espaço que encontra entre meu rosto e cabelo. Começamos a trepar e Natália se movimenta em silêncio, meus olhos vão correndo por cada detalhe de seu corpo, tentando talvez fotografa-lo pra sempre na memória mais segura dentro do cérebro. Abaixo a alça do vestido e beijo seus seios enquanto ela aumenta o ritmo e arrasta suas unhas em minhas costas com cuidado e carinho. Lá fora o barulho da rua não importa.

sexta-feira, agosto 03, 2007

Luz fria - Hora H

Te olhando assim
tão distante de chegar
perco a hora, perco o chão
tomo o café no bar.

Se hoje eu não te entendo mais,
de quem é a culpa eu não sei.
É desse vício de viver assim
ou da mania de deixar tudo pra lá?

quinta-feira, agosto 02, 2007

Ana corta o cabelo (ou o fim.)

Pois é. A nuca agora exposta já diz que o sonho acabou de vez, não é Fitzgerald? A menina foi embora e levou o sonho, as cores, as chances. Levou meu ano inteiro com ela. A esperança também foi embora e só ficou mesmo esse vazio do inferno, esse gosto de derrota lenta, gosto de suor salgado. Eu sigo tentando de olhos fechados, ou pior, de cabeça fechada para o mundo. Não quero novidade, carro, supermercado, cerveja, criança ou pão com margarina. Não quero contato.

O cabelo agora é só detalhe no chão marcado de sol. Ela vai longe e pensa em detalhes, agora anda nervosa com as responsabilidades, com os 30 dias que perdeu nas férias, vai ver só pensa em viver e pronto. Pra que mais, meu filho? Não complica que isso tudo é outra vez coisa da sua cabeça.

Coisa, sabe "coisa"? É só isso. Besteira, besteira e besteira. Agora esquece esse lance de sonhar e vai viver no concreto lá da avenida Maracanã, vai que lá a vida faz mais sentido que a arquitetura soviética, sabe? Lá as pessoas pulam do décimo andar se começa a ficar realmente tudo muito complicado. Entendeu então? É até bem simples: Ana cortou o cabelo e pronto. Não tem razão que explique a violência da vida pra quem resolve sonhar em voz alta. Você não quis isso? Não resolveu seguir com ela aquela noite? Então pronto, porra. Cala essa boca enorme e aceita que acabou. Tudo acabou no seu peito, no coração e em cada fio que a tesoura levou.

Ana acabou aqui nesse hotel. Passar bem.

quarta-feira, agosto 01, 2007

Voltando depois dos dias

Eu voltei e tal. Voltei com vontade de fazer muita coisa ao mesmo tempo. Amanhã tenho novidades de verdade, ok? Por hora fiquem com essa bela canção que abre e fecha um dos contos do meu (futuro-caminhando-tá-chegando) livro - 'Gávea Hardcore':

terça-feira, julho 24, 2007

Tudo aquilo que não fizemos

Não cantamos aquela canção do Roberto no show dos Mutantes. Não tomamos uma cerveja no "Sonho Lindo" porque você não contém glúten. Não fomos ao Parque Laje. Ou ao museu da chácara do céu em um sábado pela manhã ouvir um concerto de harpas. Nem vimos um filme colorido do Bressane na fase Londres-década-de-70 no Caixa Cultural lá no centrão da cidade.

Não ouvimos o disco de 79 da Ângela fazendo amor no colchão da minha casa. Nem compramos pão na padaria do Largo do Machado esperando a sessão das 13:30 no Cine São Luiz. Não esquecemos a chave, o dia, o lugar, nem pegamos o ônibus errado para Santa Teresa. Não compramos flores na Avenida Nossa Senhora de Copacabana, nem assistimos vinte filmes e transamos de quinta-a-segunda-feira de um feriado prolongado. Não fizemos tudo que eu queria muito.

Tudo que não fizemos (ainda).

segunda-feira, julho 23, 2007

Acorda, Ana Carolina

[Cena 1 - P&B - Qualquer metrópole - Caio e Ana]

Ana: - Você fala demais.

Caio: - Pois é, até que falo mesmo...

Ana: - Eu falo demais também, eu sei.

Caio: - Não... não fala muito...

Ana: - Tá vendo?! Você tinha que dizer que falo, aí depois me fazer ficar quieta, ou discordar do que eu disse, mandar calar a boca mesmo... só não faz desse seu jeito aí que acaba complicando tudo.

Caio: - Complicando?

Ana: - É... complicando! Ninguém faz assim, todo mundo corta esse tipo de coisa logo, para de achar que tudo é bonito, ou faz sentido... isso é só coisa da sua cabeça.

quinta-feira, julho 19, 2007

Blues do Hotel vazio nas férias

Aí, quando você menos espera, aparecem mais coisas chatas a se fazer, outros pequenos trabalhinhos diários que cortam o barato do dia e aquela falta de paciência às vezes pega pesado aqui na cidade sem hotel.

Mas quer saber de uma coisa?

Eu to virando adulto de verdade, sabe?

Nada mais me abala seriamente e esse é o mantra que importa.

sexta-feira, julho 13, 2007

Voltando aos dias de Girassol

Ele caminha pela Avenida Portugal e pensa nas férias, no edital da Petrobrás para livros, na bolsa da Biblioteca Nacional para escritores, em enviar um conto para o editor fulano de tal, ele sente que o mundo resolve desacelerar e fazer sentido. O dia está nublado, mas mesmo assim a manhã é a mais bonita das últimas semanas. Na rua, começa a cantarolar as músicas do “Girassóis da Rússia” na seqüência do disco, o egoísmo da felicidade chegando aos poucos é a razão agora de cada passo seu.

Vai viajar, mas já pensa em passar por Porto Alegre, quer morar na Argentina um tempo, se possível, e seguir a vida nova que o destino vem mostrando com a prudência dos passos firmes e seguros. Agosto virá junto com a chance de começar o ano outra vez, e então, seus sonhos de mudança só irão depender das próprias mãos. A força de seu coração acredita de verdade que a grande virtude é reverter os erros, começando novos dias, onde o possível sempre é a coisa mais linda no mundo. Porque possível aqui é tudo. Engraçado como ele às vezes não lembra desse enunciado simples.

Agora, já no final da calçada, canta mentalmente a letra de “Iguais” abraçando com carinho as nuvens da Praia Vermelha:

Do Pelourinho ao Partenon,
Eu digo: Eu vou.
Da Liberdade até o Leblon,
Eu digo: Eu vou.

quarta-feira, julho 11, 2007

15 de Abril - 15 de Julho

O caminhão do lixo já passou, as pequenas pedras já quase não ocupam espaço no meu caminho e o sol agora brilha ao meio-dia na avenida Maracanã. Olho pela janela e enquanto vejo os apartamentos de Vila Isabel, só consigo pensar que a parte mais difícil terminou agora. Pronto, foi, acabou. Os dias chatos parecem distantes do futuro próximo e desejo que nossa sexta-feira, enfim, possa ser só de festa.

Guarda um lugar aí do seu lado pra mim que quero comemorar esses três meses de vida nova. Ah, e claro, comemorar também os próximos quinze dias de tranquilidade, já que logo o ano volta ao normal de sempre. E felicidade assim, só vamos sentir outra vez depois de uma semana chata e corrida de Setembro, enquanto caminhamos no sábado pelas calçadas lá do Ingá, rindo e brincando com todos os velhos, crianças e cães que passarem por nós dois. Amo ir comprar pão com você e todas as outras coisas que a gente faz.

Que assim seja por muito, muito, muito tempo.

terça-feira, julho 10, 2007

São Salvador

Ele observa sentado próximo ao chafariz da Praça São Salvador algumas crianças jogando bola e fuma o último cigarro do maço pensando em quanto tempo Ana ainda vai demorar. Levanta-se, vai ao orelhão e não consegue telefonar. Voltando ao banco, acha engraçado ver uma senhora que sentada sozinha como ele, provavelmente perde-se em pensamentos tão longos e dispersos quanto os seus. Aquela praça perdida entre dois bairros parece ter sido construída para momentos assim. Um caminhão de pessoas vestidas em roupas casuais movimenta a calçada do supermercado Zona Sul que ilumina a rua com o néon de seu letreiro.

Ele resolve ir até lá e gastar a nota falsa, que ironicamente, sacou em um caixa eletrônico 24 horas. Até esses dias estranhos já começam a fazer sentido no meio da confusão do supermercado. Lá dentro, entre bananas e carregadores de compras, lembra do poema que Ginsberg fez para Walt Whitman sobre famílias nas compras da noite. “Corredores cheios de maridos” ele diz baixinho e anota mentalmente para contar a Ana mais tarde. São 21h15min no relógio do celular. Caio acaba não comprando nada e volta para o banco com a esperança de que os últimos minutos passem mais rápidos que os anteriores.

Ana atravessa a rua com seu casaco azul e já sorri ao reconhecê-lo de longe. Ele pergunta se os dois podem ficar só mais alguns minutos ali sentados conversando, ela aceita e começa a contar sobre o último dia na aula de inglês.

- Você ligou pra sua mãe? Ele interrompe.

- Não, vou ligar daqui a pouco.

Viver um sonho às vezes requer só simplicidade. Ana continua contando a história da aula e as luzes da São Salvador nunca foram tão coloridas. Ele sente e não diz.

Melhor assim.

sexta-feira, julho 06, 2007

O primeiro dia útil

Os tempos são de confusão e ela segue em silêncio. Andando com a cabeça baixa, olhando as crianças na rua e não enxergando sorriso que faça a semana passar mais rápido. Tudo se arrasta em uma longa agonia de suportar o peso do que não se pode entender facilmente. Só existe agora a vontade de dormir por dias e não precisar trocar palavra alguma com ninguém, pagaria com a vida para não ouvir sua própria voz tão cedo. Cecília começa a chorar no ônibus ouvindo uma canção que diz assim:

you know it's not the end
we'll always be good friends
the letters have been sent on

perfect strangers when we meet
strangers on the street
lovers while we meet

A chuva lá de fora entra pela janela e ela pensa em mudar tudo de hoje em diante.

quarta-feira, julho 04, 2007

Um cara de bicicleta rosa não é La Vie en Rose

Ela olha e me diz pra não fazer essa cara, respondo com um sorriso e ela diz: "não, não vai embora com essa cara." Que cara? Essa aqui? Talvez seja a mesma que você faz quando o meu braço procura o seu ombro, ou quando a minha mão procura a sua mão. Será exatamente essa cara que eu também vejo? Cara de adeus, cara de até logo, cara de passa aqui amanhã, talvez.

As canções lá dentro foram intermináveis e não conseguimos dançar nenhuma que fosse só nossa, aquela onde geralmente eu deveria te abraçar e dizer perto do seu ouvido que essa música muda tudo, que amanhã a gente pode passear no Parque Lage e esquecer que o mundo era diferente até ontem, sabe? Mas você sempre insiste em olhar pro nada, ficar procurando algum vazio entre nós dois, mirando no infinito enquanto diz ter vergonha do que é sério, ou do que as outras pessoas não entendem. Você é que não entende nada.

Eu sei, já fiz milhões de caras melhores. Já ri bastante, e com prazer, de cada sílaba que você juntou em algum almoço perdido por aí tentando explicar que a gente escolhe quem ama e pronto, tá escolhido. Vê ali o que a gente quiser, ama ali o que a gente quer amar, mas não, minha linda, não é bem assim mesmo. Ninguém escolhe morrer jovem, ninguém escolhe perder anos de vida, ninguém escolhe voltar pra casa no meio da madrugada pensando se aquela mulher que a gente acha a mais bonita no mundo sabe que a vida não espera ninguém.

Ela passa igual ao caminhão do gás, sabe? Atropela e te manda sofrer depois por entender tão tarde o sentido ridículo das coisas, que até aqui você só consegue chamar de "complicado". Complicado sempre é sofrer depois, e olha, as pessoas sofrem depois aos montes pelas ruas, é só dar uma caminhada pela Rua das Laranjeiras às seis da tarde e você vê fácil uma coleção de arrependidos. Ou vai ver sou eu quem não entende nada. É isso aí, pronto: eu não entendo nada de você.

Ela então caminha em direção ao ônibus e diz agora já bem baixo:

- Não Caio, não vai embora com essa cara, por favor.

segunda-feira, junho 25, 2007

Patricia, Caio e São Paulo #1

A história de um povo parece paralisada ali, nos olhos caramelo, na camiseta de listras negras cortando a chuva rala da Alameda Lorena às cinco da tarde. Ela espera ansiosa o táxi seguir seu fluxo para continuar a travessia até o outro lado da calçada, os carros passam lentos enquanto Patricia consegue atravessar já com os passos beijando a porta da Cafeteria Suplicy. Ela cortou o cabelo e já não se arrepende.

Caio lê o jornal e toma um café na mesa do canto, o silêncio do lugar é estranho para o horário e para a chuva, talvez por isso ele agora reconheça o som dos sapatos amarelos de Patricia enquanto ela se aproxima de sua cadeira. Durante o beijo ninguém parece temer qualquer problema, preferem apostar na coragem que precisa e parece, definitivamente, os unir. O silêncio ainda continua lá enquanto outro beijo não termina.

Ele é longo. O medo então renasce como ferida antiga e ninguém arriscaria dizer agora o que não pensa realmente.

terça-feira, junho 12, 2007

Para-Nana



Porque o amor é como o velho Chet nessa época aí: Velho, doce, cansado e maravilhoso. Ele realmente sabia das coisas.

segunda-feira, junho 11, 2007

LOVE IS HELL - baixe meu livrinho agora e me transforme em escritor-celebridade-modinha da internet brasileira, ok?!



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* Sobre o autor:

Manoel Magalhães é compositor antes de tudo e atua no underground carioca tocando em bandas como Polar, Columbia, Onno e agora Harmada. Já trabalhou no programa Observatório da Imprensa (TVE-RJ) e passou pela sagrada mesa de entrevistas no retorno do Pasquim de Ziraldo. Atualmente escreve seu primeiro livro de contos intitulado Gávea Hardcore e dedica-se ao sonho de ser mestre em Psicolgia Social. Conta suas histórias sujas no blog Hotel Chelsea Nights.

* Três perguntas para o autor:

01) Por que você escolheu esse disco?

Talvez por ser o único que eu conheço que consegue transformar todas as formas de dor e amargura em uma coisa visceral que se aproxima realmente da palavra "Amor". Amar não é fácil, e como qualquer outra coisa, tem seu preço. O Ryan Adams mostra nesse disco, e eu tentei refletir também no livro, que o preço de cada escolha pode ser bem caro, que escolher amar alguém em determinado momento da sua vida pode ser muito caro também.

Acho que em pleno século 21, depois de ser o clichê mais batido não só da história do rock, como da própria humanidade, a palavra "Amor" precisava mesmo encontrar um novo sentido, algo que fosse mais próximo da nossa realidade, do chão das ruas, da vida real. Amor para o ocidente sempre foi sinônimo de "Paraíso", de "Céu", de "Redenção", vale a pena pensar no outro lado, que ele também pode ser sinônimo de "Loucura", de "Ódio", e principalmente, ser sinônimo de "Inferno". Mas que fique claro: sem o menor juízo de valor. Quem garante que o inferno não é o lugar mais agradável?

02) Como foi o processo de transformar música em literatura?

Foi até mais natural do que pensei inicialmente. O ritmo estava lá, o cheiro, o cenário, as personagens sempre estiveram em lugares como os das músicas, até o lado escuro do Rio de Janeiro parece estar soterrado naquelas músicas também, de alguma forma. As canções tocando enquanto eu caminhava de madrugada pela praia de botafogo deixaram a história muito clara na minha cabeça. Parece que ela sempre esteve em mim, desde a primeira audição do disco.

03) Qual canção do álbum você indicaria para o leitor iniciar seu conto?

Hotel Chelsea Nights. Com ela comecei a escrever a primeira cena e o hotel do livro tem o mesmo cheiro do hotel da música, não precisa nem procurar muito fundo.

segunda-feira, junho 04, 2007

Ryan Adams: LOVE IS HELL



Rio de Janeiro, dias atuais. Pode o amor se esconder em diversas facetas? Pode ser o céu, mas, de verdade, pode ser o inferno.

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